Preconceito com os tímidos

Eu acredito que exista preconceito com os tímidos, principalmente em se tratando de seleções de empresas. Acredito tanto nisso, e esse é um pensamento antigo meu, que pensei até que já tinha postado aqui um texto sobre isso. Mas procurei e não achei. Por que eu acho que as empresas, os recrutadores e entrevistadores que fazem as seleções de candidatos para emprego têm preconceito com tímidos? Baseado nas minhas próprias experiências, é claro.

Quando eu tinha 14 anos fiz a minha primeira entrevista. Foi para um estágio numa confecção, na época que eu tinha acabado de fazer o curso de Técnico em Têxtil do Senai. Esse estágio era para trabalhar na área de serigrafia, que é um tipo de estampa. Fiquei feliz porque dentre tantos alunos eu fui o escolhido pelo Senai para fazer a seleção. Algumas colegas de classe também conseguiram entrevistas para outras empresas, mas da minha turma, que tinha 20 pessoas, a minoria foi que conseguiu fazer entrevista. Fora a turma da tarde. Nessa empresa que eu fui, eu ia fazer a entrevista para estagiar de manhã, e um aluno que tinha feito o curso à tarde, fez a entrevista para estagiar à tarde. Ele ficou, e eu não. Eu tinha uma colega na minha sala que conhecia o menino da tarde, e ela pediu para ele perguntar ao chefe porque eu não tinha sido chamado. O que o chefe dele respondeu foi que eu não fiquei porque eu era muito tímido. Que eu saiba, o chefe não pediu para o Senai enviar outro aluno para fazer a entrevista, porque ninguém na minha sala comentou nada sobre fazer entrevista, e ninguém da turma da tarde mudou o horário da escola para conseguir conciliar com o horário do estágio que seria meu, que era pela manhã. Ele preferiu ficar só com um estagiário à tarde do que ter dois o dia todo, porque um deles era tímido demais. E tímidos, sabe como é né? Não prestam para nada.

Passaram os anos até que eu conseguisse fazer mais uma entrevista. A outra que eu fiz foi para outro estágio, só que dessa vez para a faculdade de Administração. No dia da entrevista eu fui o primeiro a chegar. O segundo a chegar, chegou só um pouco depois de mim, e puxou assunto comigo e começou a falar, falar e falar. Ele falava muito, mesmo sem me conhecer. Ele tinha 22 anos (e eu tinha 18), e disse que já tinha trabalhado de vendedor numa concessionária e tinha se formado em Gastronomia. Agora estava fazendo Administração e disse que queria abrir um restaurante um dia. Ele tinha cara de ser filho de rico. Então fui chamado para a entrevista e achei que me saí bem. Mas depois não fui chamado para ficar no estágio.

Um mês depois, quando eu já não tinha mais esperanças, o dono da empresa me ligou mandando eu ir lá no outro dia para começar o estágio. Fiquei muito feliz, porque finalmente tinha conseguido um estágio! Agora, como eu ganharia experiência, conseguiria arrumar um emprego depois, ou quem sabe ser aproveitado na própria empresa, depois que o tempo do estágio passasse! Doce ilusão. Mas não é disso que quero falar. Quando eu cheguei lá, descobri que não fui o primeiro a ser chamado (e por isso que demorou um mês para o dono da empresa me ligar), e que antes de mim já tinha vindo outro estagiário que só passou duas semanas e saiu porque não aguentou, segundo os funcionários. Os funcionários disseram que ele era legal, mas que falava muito, que ele parava de trabalhar para ficar conversando, que não conseguia se concentrar em nada. Eles deram outros detalhes que me fizeram confirmar que esse rapaz era o mesmo que tinha puxado assunto comigo no dia da entrevista. Aí, como ele saiu, me chamaram para ficar no lugar dele. Pois é, chamaram o extrovertido, o falante, aquele que conseguiu impressionar o dono da empresa com suas muitas palavras bonitas durante a entrevista. E eu, que só respondi as perguntas e não surpreendi em nada não fui chamado de primeira, fui a segunda opção, mas só porque o primeiro não deu certo. Daqui eu tiro uma lição: nem sempre o extrovertido é a melhor opção. Eles sempre falam mais, e aparentam ser mais espertos e desenrolados, mas olha aí esse caso. Eu, que era tímido, fiquei os 6 meses do estágio (na verdade, 7), e só saí porque o “treinador dos estagiários” não gostava de mim por algum motivo e ficava me ameaçando de que eu iria embora (o que o dono da empresa depois me disse que era mentira). Não aguentei essa pressão psicológica e saí. Mas o trabalho em si, eu fazia bem (tirando a parte que eu tinha que ir para o arquivo, que era todo empoeirado e me fazia espirrar muito, por causa da minha alergia). Mas os entrevistadores sempre são enganados e atraídos por quem fala mais alto e se mostra mais desinibido. Ser extrovertido é sempre sinônimo de ser desenrolado, de ser esperto, de ser ágil. E ser introvertido é sinônimo de ser enrolado, meio burro e lento. O detalhe é que o dono da empresa não parecia ser extrovertido. Ele era do tipo calmo e de poucas palavras.

Eu tive uma professora na faculdade que era psicóloga (infelizmente, não para ensinar psicologia na minha turma), e perguntei a ela se as empresas tinham preconceito com os tímidos. Ela, que além de trabalhar em clínica e ser professora, também fazia seleções para empresas que contratassem a consultoria onde ela trabalhava, disse que não. Disse que o candidato só não se encaixa no perfil que a empresa pede. Ela disse que muitas vezes vê um candidato ótimo, mas que não se encaixa no perfil da empresa, e ela acha isso uma pena. Mas acho que o perfil que as empresas pedem é que as pessoas sejam extrovertidas. Claro que eles não vão usar essa palavra e deixar tudo tão claro desse jeito, mas as palavras e qualidades que eles exigem de um candidato são coisas que geralmente só os extrovertidos têm, ou que eles se saem melhor demonstrando isso numa entrevista. Por exemplo, uma empresa que diz que quer pessoas que saibam se comunicar, que sejam dinâmicas e que sejam proativas (vi muito disso quando procurava emprego na internet) é o mesmo que dizer: “queremos extrovertidos”.

Eu ainda cheguei a participar de duas seleções para uma grande loja de roupas, que está em todo o Brasil. Essa seleção tem 3 fases: a primeira é uma prova de raciocínio lógico e matemático, e uma redação; a segunda é uma dinâmica; e a terceira é uma entrevista com o gerente. Nas duas vezes que fiz seleção nessa loja (e para trabalhar como auxiliar de loja, arrumando as roupas lá), fui reprovado na dinâmica. Na segunda vez a dinâmica foi uma apresentação, onde a pessoa respondia algumas perguntas que estavam escritas no quadro. Nessa dinâmica não sei exatamente porque não passei, mas na dinâmica da primeira seleção ficou muito claro. A seleção foi assim: a recrutadora jogou no chão várias peças feitas com aquele papel emborrachado (pesquisei agora e descobri que o nome daquilo é EVA) que tinham a forma de círculos, quadrados e triângulos de várias cores. Cada um deveria pegar uma dessas peças. Depois, de acordo com a figura ou a cor que cada um pegou era formado um grupo de 4 pessoas (não lembro exatamente qual era o critério) para que com essas peças a gente pudesse formar uma figura. O objetivo era ver a criatividade de cada um. Aí eu pergunto: aonde que vou precisar ser criativo para ser um auxiliar de loja de roupas? Esse é um trabalho bem operacional, você vai passar o dia todo organizando a loja. Não precisa ser criativo para isso. Voltando alguns minutos antes da dinâmica, eu e os outros candidatos estávamos na sala de Atendimento ao Cliente, todos sentados esperando sermos chamados para ir para a sala interna da loja, onde é feita a seleção. Enquanto todo mundo esperava tinha um cara que não parava de falar. Eu estava do lado dele. Ele era engraçado e legal (como a maioria dos gays, sem querer estereotipar). Voltando à dinâmica, naquele momento ele se saiu muito bem. Ele era criativo, e falava alto, o que chamou a atenção da mulher do RH e do supervisor. Depois que cada um formou a sua figura e os recrutadores olharam, eles mandaram todo mundo juntar as peças para formar uma grande figura. Esse mesmo rapaz foi quem teve a ideia de fazer uma flor gigante e que saiu coordenando tudo, dizendo, “bota aqui, ali, isso, vai, aê!”. Depois a mulher do RH e o supervisor saíram da sala para escolher quem ia passar dessa fase e ir para a próxima. Esse rapaz ficou. Claro, eu não o julgo, ele fez por onde, se saiu bem nos testes, se mostrou criativo, se mostrou ser o que os recrutadores queriam. Mas eu (junto com a maior parte das pessoas que estavam lá) não fui escolhido. Não fui escolhido porque não falei alto para chamar a atenção, porque não tive boas ideias para montar uma figura, porque não me mostrei engraçado e nem criativo. Todas essas são características importantes para desempenhar o seu trabalho, mesmo que ele seja algo básico e operacional, e é por isso que as empresas fazem esse tipo de dinâmica, para saber quem é merecedor de trabalhar lá (estou sendo irônico). Se você não teve a “sorte” de nascer assim, ou se não for um bom ator, não conseguirá oportunidades na vida. Talvez se eu falasse mais alto para ver se chamava a atenção dos recrutadores, talvez se eu fosse mais criativo, talvez se eu fingisse ser engraçado e extrovertido eu conseguisse passar. Mas sabe, mesmo que eu tente, eu não consigo fingir ser quem eu não sou.

É por tudo isso que eu acredito firmemente que existe preconceito com os tímidos, um preconceito velado, que ninguém admite, mas que está lá. Não é que nenhum tímido não consiga um emprego ou não seja capaz de passar numa dinâmica. Tudo depende de pessoa para pessoa. Tem tímidos mais tímidos que outros. Tem testes mais fáceis que outros. Tem recrutadores que podem ser mais abertos que outros (quero acreditar nisso). Mas o preconceito, de um modo geral, existe. Ele existe na própria sociedade, e também nas empresas, que é onde eu mais venho sentido.

Tem também mais um caso, dessa vez de uma entrevista que fiz para um restaurante fast food, e não faz muito tempo, foi só há 3 semanas. Mas esse caso específico eu vou tratar no próximo post.

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Preconceito com os tímidos

Vida

Engraçado esse negócio de vida. Você vive a sua vida, e ela se torna o seu mundo. Você sai, vai para outro lugar, e a sua vida anda, continua, enquanto a de outra pessoa talvez não esteja movimentada assim, por ela estar em casa ou num hospital. Mas ninguém pensa nisso. Você pode estar num ônibus, cheio de gente, e todos indo trabalhar, mas você pensa só no seu trabalho, nas suas tarefas, nos seus colegas, no seu chefe. Você só pensa no seu mundo. Você pode conviver com uma pessoa, seja ela seus pais, filhos, esposa ou marido, e mesmo que você saiba tudo sobre eles, quando você se separa deles e cada um toma o seu destino para a sua rotina diária, cada um se volta para seu próprio mundo, sua própria vida, onde terão suas próprias experiências, diversões e problemas.

Era domingo, mais ou menos 7:30 da manhã e eu estava dentro do ônibus, indo ao meu destino. No meio do caminho passei por um campo de futebol que ficava dentro de uma praça. Tinha várias crianças lá, brincando. Eu fiquei me perguntando de que horas aqueles meninos se acordaram. Em pleno domingo, eles devem ter se acordado às 6h da manhã, talvez tenham tomado café, e então foram para o campinho, onde tinham marcado uns com os outros para estarem ali naquele dia e naquele horário (ou talvez esse encontro seja diário). Talvez eles fiquem tão ansiosos por isso, que não se importam em acordar cedo num domingo. Talvez eles já estejam acostumados a acordar cedo sempre. Talvez aquele encontro e aquela brincadeira sejam tratados como campeonatos, onde eles disputam uns com os outros e podem ter o gostinho de ser um grande jogador que acabou de ganhar o troféu, depois de ter vencido o jogo.

Vi um menino correndo atrás da bola. Enquanto o ônibus passava rapidamente por esse trecho, tentei me transportar para a mente dele, para o mundo dele. Então me vi correndo rapidamente atrás da bola, pronto para passar para outro, e depois fazer o gol. Fizemos o gol, gritamos, nos agarramos e comemoramos. Parei um pouco para descansar quando vi na pista vários carros e ônibus passando. Eles andavam bem rápido. Num dos ônibus, que era vermelho e estava cheio, consegui ver um rapaz bem magro em pé, se segurando com uma das mãos num ferro vertical do ônibus e com a outra num dos bancos. Ele parecia sério e com um olhar distante. Isso durou uns dois segundos só, enquanto o ônibus passou a toda velocidade. Depois ouvi alguém me chamando. Eram os meus amigos mandando eu voltar para a minha posição para retornamos o jogo.

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Eu acho que isso é uma crônica. Sim, tive esses pensamentos quando passei pelo campo no ônibus no domingo de manhã, e assim que os tive pensei em escrevê-los e pensei que seria uma crônica. Pesquisei mais uma vez pelo conceito de crônica, dessa vez no YouTube, e parece que ficou mais claro para mim, mas não totalmente, porque cada um dá uma definição diferente. Por isso não tenho certeza se isso é ou não uma crônica, mas de qualquer forma vou considerar que sim para a marcação de categorias e tags desse post.

Vida

Resumo de domingo

As provas

Ontem fui fazer o concurso pela qual tanto me preparei. A sensação é que eu não me preparei em nada. As provas (fiz duas, uma de nível médio e uma de superior) estavam difíceis. Nos últimos meses eu estava estudando em casa com umas vídeo-aulas que um colega passou para mim (que outra colega dele tinha comprado e baixado). Alguns assuntos que caíram na prova eu não vi nesses vídeos, e outros eu vi, mas não no nível de detalhes que a pergunta queria. Estudar Direito é um mundo de coisas que parece não ter fim, e por mais que você estude, ainda vai ter coisas que não sabe, e coisas que os professores não dizem porque eles falam apenas o que mais costuma cair em prova (o que já é muita informação por si só). Acho que não tenho chance, e isso é desanimador.

Atualização 17/10/2017: saíram os gabaritos e eu acertei só 19 questões de cada prova (que tinha 50). A pontuação mínima era de 50%, então já estou desclassificado. :/

O caminho de ida

No caminho, vi uns meninos jogando bola num campinho, e então tive um pensamento sobre a vida. Eu fiz um post específico sobre isso.

Fortes emoções

Na prova da manhã vivi fortes emoções nos últimos dois minutos, quando eu ainda tinha as 50 questões para marcar no gabarito. Esse gabarito não era de círculos, como costuma ser, mas sim de retângulos. Eu consegui marcar apenas 7 questões quando acabou o tempo. Me perdi no tempo. Isso nunca tinha acontecido antes, nem mesmo no Enem, que é cheio de questões que são bem longas.

Olhei na sala e só tinha eu e mais dois. Um deles entregou e ficou só eu e outro. Eu olhei para a moça e perguntei se eu não podia apenas marcar o gabarito. Ela olhou para a porta e disse: “Eita, a coordenadora acabou de passar ali. Não precisa preencher tudo não, faz só um traço, rápido!”. Aí eu disse: “Mas a máquina vai conseguir pegar se for só traço?” e ela disse que sim. Então fiz, e enquanto fazia os traços ela ia dizendo “isso, isso, vai, vai!”. Fortes emoções mesmo! Só tenho minhas dúvidas se esses traços serão considerados pela máquina na hora da leitura, porque pelo que sei, não pode. Os quadrados (ou círculos) devem ser totalmente preenchidos. Acho que já posso me considerar desclassificado dessa prova da manhã. Mas mesmo assim fiquei agradecido pela fiscal ter sido legal comigo e ainda ter me dado essa chance, que foi melhor do que entregar o gabarito só com 7 questões marcadas, e aí sim, ter a total certeza de que fui desclassificado (e agradeci a ela no final, claro).

Na prova da tarde me orientei e tomei juízo, e marquei o gabarito antes de começar a redação. Pela contagem do tempo que a fiscal (outra fiscal, porque essa prova foi em outro lugar) dizia, eu demorei meia hora só marcando os quadradinhos. Negócio demorado, viu! A redação consegui acabar faltando dois minutos, em cima da hora, mas dessa vez não foi um vexame como de manhã. Apesar que fiz com pressa, senão não teria dado tempo de novo.

Resumo de domingo

Tirinha - Charles Schulz - Peanuts

Fonte: Depósito de Tirinhas (por Charles Schulz www.peanuts.com/)

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Comentário 1: Às vezes é só o que nos falta né? Um elogio ou um amor…

Comentário 2: Esses dois primeiros quadrinhos representam o meu ânimo de vida ultimamente. É ruim quando tudo o que você faz parece não dar certo.

Comentário 3: Essa tirinha é beeem antiga. Olha os traços dos personagens como eram diferentes dos de hoje! (para quem não reconheceu esse aí é Charlie Brown, o personagem principal de Peanuts, junto com Snoopy).

Imagem

Bem, nenhuma vida parece gratificante se pensarmos muito nela.

Querida, a vida é um conjunto de problemas que tentamos resolver. O primeiro, então o próximo e o próximo… Até que, finalmente, morremos.

– Violet, no episódio 8 da 4ª temporada de Downton Abbey.

Citação - Donwton Abbey - A vida é um conjunto de problemas - Violet

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Essas citações combinam com a outra que essa mesma personagem falou e que postei aqui há um tempo (há exato 1 ano. Me surpreendi quando vi que já faz 1 ano que postei aquela citação aqui rs. O tempo voou!).

A primeira citação é uma verdade. Estamos sempre querendo mais e mais, mesmo se já tivermos muito. A segunda citação é um pouco triste e mórbida, mas tem lá o seu fundo de verdade.

Citação

Escrever ficção

Quando eu era criança não sabia exatamente o que queria ser quando crescer. Eu não conseguia pensar em nada, não me identificava com nada. Talvez já daquela época já estava dentro de mim o “não amar o que faço“. Às vezes me imaginava como motorista de kombi ou de ônibus, porque eu sempre saia com a minha mãe e via eles dirigindo. Por ironia do destino, hoje eu tenho minha carteira, mas não gosto de dirigir. Acho cansativo você ficar com os braços estendidos e apertando pedais com os pés (que também ficam meio doloridos) e ter que ter atenção em 1001 coisas ao mesmo tempo.

Mas eu sempre gostei de ler. Adorava ler as histórias infantis que vinham nos meus livros de português no primário. Meus pais nunca me estimularam a isso, e por isso eu nunca tinha lido um livro. A primeira vez que li um livro de ficção foi no Ensino Médio, e o livro foi Senhora, de José de Alencar, porque a professora de Literatura mandou (apesar que fui um dos únicos da turma que li o livro inteiro). Não foi uma ótima experiência, porque livros clássicos da literatura têm uma linguagem antiga e formal. Foi só depois de ler Senhora e Dom Casmurro, que fui na biblioteca e consegui pegar o livro Diário de um Banana, uma série de livros infanto-juvenis ilustrado que tava fazendo sucesso na escola porque todo mundo queria ler. É um livro bem legal (e engraçado também). Foi ele que me fez descobrir esse mundo de ficção dos livros, e saber que ler livro pode ser tão bom quanto assistir a uma novela ou um filme, porque ele provoca sentimentos e reações parecidas, como ansiedade pelo que vai acontecer, por exemplo. Depois de Diário de um Banana li A Menina Que Roubava Livros, que é um ótimo livro, por sinal. E dali em diante passei a ler mais livros (hoje infelizmente menos do que eu gostaria).

Quando eu tinha 12 anos e estava na 6ª série (atual 7º ano) disse para mim mesmo que queria ser escritor quando crescesse. Eu nunca tinha lido um livro nesse época, e não sabia qual tipo de livro eu gostaria de escrever. Um de ficção provavelmente, porque eu ainda gostava de ler aquelas histórias que vinham nos livros de português. Quando ganhei meu primeiro computador, com 13 anos, escrevi algumas histórias (que seriam “contos”, na linguagem certa), de 2, 3 e 4 páginas. Elas se perderam numa das várias vezes que o computador deu defeito e teve que ser formatado.

Passaram-se os anos e a vontade de escrever e o sonho de escrever um livro continuam. Às vezes penso que poderia escrever um livro de ficção, às vezes também penso em escrever um livro sobre um tema qualquer (que exigiria algum tipo de estudo aprofundado, que pode demorar anos, baseado nos livros que eu já li desse tipo). Eu espero que eles se tornem realidade um dia. O que eu consegui durante esse meio tempo foi ter blogs, onde posso compartilhar conhecimento, experiência e opiniões. Não é um livro, mas faz parte do “gostar de escrever”.

No caso do livro de ficção, o problema é que eu não tenho criatividade. Com 12 anos eu disse que queria ser escritor, mas percebia que tinha dificuldade em escrever redações narrativas quando a professora de Redação mandava. Eu não tinha ideias. E quando eu estava no 1º ano do Ensino Médio a professora de Redação/Português/Literatura mandou todo mundo escrever um livro, e esse foi um trabalho sofrível para mim (e foi aí que eu senti falta de nunca ter lido um livro de ficção antes).

Do fim do Ensino Médio para cá eu tentei escrever alguma coisa de ficção, seja contos ou quem sabe o início de um livro. Eu tenho ideias, e então começo a escrever, mas depois de umas 4 páginas, paro, porque não sei mais desenvolver a história. A ideia que eu tenho dela é só o começo e o fim, mas todo o meio não. O desenvolvimento de um primeiro capítulo longo e cheio de detalhes, não. Fico triste por isso, porque realmente gostaria de escrever algo de ficção. Talvez seja a minha personalidade muito racional que tira de mim a criatividade necessária para essa atividade. Mas vou continuar tentando. Posso começar com contos ou crônicas¹, até ganhar alguma consistência nelas, e quem sabe um dia eu consiga escrever um livro.

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¹ Já pesquisei muito a diferença entre eles e não consigo entender bem. Às vezes quando tenho alguma ideia não sei em qual dos dois ela se enquadra, e aí eu só chamo de “narração” mesmo. 😛

Escrever ficção

Cansado dos blogs

Meu desânimo com os blogs e um breve relato sobre a blogosfera do passado e as atuais tendências

 

Sim, estou cansado dos blogs. Acho que essa é uma verdade que durante muito tempo eu não quis admitir. Eu posto de meses em meses no Fique Sabendo! e minhas últimas postagens foram de opinião. Nunca mais escrevi tutoriais, e o pior é que eu tenho alguns já escritos aqui, só faltando revisar e publicar. Tenho textos escritos em 2015. Isso mesmo, tenho textos nos meus arquivos com 2 anos (ou mais) e que ainda não tive disposição de publicar. Eu tenho preguiça. Aquele ânimo inicial que eu tive, e que durou os primeiros anos do blog já não existe mais. Não sei bem o que fazer com ele. Ao mesmo tempo que me sinto culpado por não postar nada, também não sinto ânimo. Excluir o blog não é uma opção, porque ele ainda dá uma boa quantidade de visitas, o que quer dizer que todos aqueles tutoriais escritos por mim e pelos outros autores que passaram pelo blog ao longo dos seus 6 anos, ainda são úteis para quem pesquisa por eles na internet.

Falando em autores, aquele interesse de gente querendo ser autor de um blog já consolidado não existe mais. O “boom” dos blogs foi por volta de 2011 e 2012, quando todo mundo queria ter um blog sobre algum assunto. Foi uma boa época, em que os usuários dos fóruns de informática criavam seus próprios blogs e compartilhavam. Assim se formou uma comunidade, onde você conhecia pessoas com os mesmos interesses que os seus (coisa difícil de ver na vida real) (inclusive foi assim que conheci Vinicius, o único leitor deste blog, numa amizade que dura até hoje), e você fazia parceria com eles de troca de links e banners. Você visitava o blog deles, lia seus textos, fazia comentários, e eles faziam o mesmo com você. Era muito bom. Mas isso ficou no passado, e é uma época que não volta mais. Dos blogs da minha época, ou eles foram abandonados, ou foram excluídos, que foi o que aconteceu na maioria dos casos. Muitos desses blogs se tornaram grandes facilmente. Eu via blogs que surgiram depois do Fique Sabendo! e que cresceram muito rapidamente por causa do seu bom conteúdo. Em 3 meses um deles já tinha mais de 3 mil curtidas no Facebook e já tinha mais visitas que o meu blog. Muitos desses blogs começaram no Blogger, e depois cresceram tanto que investiram em domínios próprios, templates personalizados e em hospedagem para WordPress.org. Mas eles se foram, inclusive esse do exemplo. Dos blogs que surgiram na mesma época que o Fique Sabendo!, dos que eu acompanhava, só sobrou o meu e mais outro. O que aconteceu com cada um dos donos desses blogs eu não sei. Talvez tenha sido falta de tempo, talvez preguiça, talvez tenha se acabado a motivação inicial de falar sobre aquele assunto. Ou talvez eles só queriam o sucesso, e conseguiram, mas não tinha um objetivo maior. Eu tinha um objetivo maior: criei o FS para compartilhar as coisas que eu sabia, para fazer tutoriais para ajudar as pessoas, da mesma forma que quando eu tinha dúvida em algo que não sabia, também tinha sido ajudado por tutoriais de outras pessoas. Esse ainda é o objetivo do blog, e é por isso que eu ainda o mantenho no ar.

Mas tudo isso se acabou, esse tempo se passou, e hoje não só aqueles blogs sumiram, como também a comunidade sumiu. O interesse das pessoas em ter um blog diminuiu, não é mais como antes. Quem já era grande naquela época (antes do boom), continuou grande. Eles são blogs profissionais, em que o dono vive só deles e ainda paga funcionários. E aquelas pessoas que não queriam ter um blog, mas queriam escrever em um blog já pronto e com boas visitas também sumiram. Deixei por anos um link no menu do Fique Sabendo! de “Seja um Autor” e um banner que ficava no lado inferior direito. De vez em quando eu recebia o contato de alguém. Eu respondia a pessoa, adicionava ela, e, ou ela não me respondia o e-mail e não aceitava o convite do Blogger, ou aceitava o convite do Blogger, mas nunca postava nada, e não me respondia o e-mail. Acontecia também da pessoa aceitar o convite, me responder o e-mail e publicar apenas uma ou duas postagens e depois nunca mais. Outros contatos eu nem fazia questão de responder, porque pelo próprio e-mail já dava para ver que a pessoa não tinha um bom português, com o uso errado de maiúsculas e minúsculas e erros de pontuação.

Acho que o que contribuiu para esse esfriamento da área de blogs, é que os blogs realmente grandes e que são empresas, se tornaram cada vez melhores, a ponto de todos se acomodarem. E também tem as redes sociais. Em 2011 a fama do Facebook no Brasil estava só começando e o Orkut ainda era usado. Alguns anos depois todo mundo tinha Facebook e tinha abandonado o Orkut. Agora era muito mais fácil postar alguma coisa que você quisesse porque o Facebook permitia isso. E depois veio o Instagram, que também é um lugar onde as pessoas postam seus textos pessoais. E para completar, o YouTube, que foi o que revolucionou tudo. Se antes o YouTube era só um local para você subir o vídeo e compartilhar ele nas redes sociais, hoje você faz um uso diferente dele, abrindo a sua página inicial para ver os vídeos dos canais que você é inscrito e até para fazer pesquisas. Do YouTube veio os Youtubers, os chamados influenciadores digitais, que deve ser a meta de muito jovem de hoje em dia (ficar famoso e ganhar muito dinheiro com grandes marcas te patrocinando só fazendo vídeos. Fácil né? Só que não!). Os blogs viraram dinossauros se comparado às redes sociais de hoje em dia, que permitem uma interação maior, mais rápida e mais intuitiva (porque é muito melhor ver um vídeo do que ler um texto, sobre o que quer que seja). Não é à toa que os grandes sites e blogs estão investindo nas redes sociais e no YouTube, como uma forma de se modernizar e acompanhar a tendência para se manterem vivas e atrativas.

Voltando a falar sobre os autores, essa semana um dos autores saiu do FS. Fazia alguns meses que ele não postava, mas ele fazia ótimos artigos, e tinha muito conhecimento. Agradeceu e disse que tinha que sair porque estava muito ocupado com estudos e trabalho. Compreensível. Eu também agradeci a ele pela sua contribuição e depois continuamos conversando sobre blogs e essas coisas. Depois disso fiquei pensando em tudo isso que eu disse aqui: o meu desânimo em publicar coisa nova, a blogosfera de hoje que não é mais a mesma de antigamente, a dificuldade de achar autores realmente comprometidos (e não aqueles que só postam uma ou duas vezes e pronto)… Percebi que não valia mais a pena continuar tentando achar novos autores. Já fazia anos que eu tinha colocado aquele banner de “Seja um postador” para ver se chamava a atenção das minhas visitas (que são muitas) e mesmo assim, além de receber bem poucos contatos nesse tempo, eles não foram satisfatórios. Então tirei esse banner do blog, e tirei também as páginas “Seja um Autor” e “Autores” do menu. O resumo de cada autor vai continuar aparecendo abaixo das suas postagens, mas os links para as páginas eu tirei do menu. Não vale a pena. Se o blog tiver que continuar no ar e depender de alguém, que seja apenas de mim então, mesmo nessa minha situação atual.

E fui mais além: fui nas configurações do blog e vi que eu tinha 6 autores. Dois deles foram adicionados e nunca postaram nada (e nem responderam meu e-mail). Outro não postava nada há quase 2 anos (1 ano e 11 meses para ser mais exato), e outros dois há 1 ano e 10 meses. Removi todos eles. Não cobro frequência de ninguém porque não pago, mas passar quase dois anos sem postar nada no blog já deixa claro que o autor não tem mais interesse. Tem mais um ainda, que é de Portugal (!), esse escreveu dois posts e faz só alguns meses que não posta. Eu não removi ele ainda, mas se ficar mais de um ano sem postar, vou remover também.

E para completar ainda mais o meu desânimo, o Open Live Writer deixou de funcionar no meu computador, do nada. Não sei ao certo se o erro foi do programa ou do Rwindows, com seus vários erros repentinos (acho que foi o Windows mesmo). Tentei achar uma solução para isso pesquisando na internet, mas não achei. Tentei instalar uma versão antiga do Windows Live Writer e também não consegui. Aí fui para o painel do Blogger e me deparei com aquele editor horrível e ultrapassado, que o Google não faz nenhuma questão de melhorar. É um editor bem diferente do que tem no WordPress.com, que é esse que estou escrevendo agora, e que é muito bonito e agradável. Nunca pensei que diria isso, mas o WordPress.com está sendo melhor que o Blogger. Ele tem suas limitações sim, como não poder personalizar os templates, não poder instalar templates de terceiros e não poder colocar anúncios, mas o resto, é muito melhor que o Blogger. Depois que migrei esse meu blog pessoal para cá, eu passei a entender porque todos diziam que o WordPress.org era melhor que o Blogger. Não é só questão de plugins, como eu pensava. Se eu tivesse muito dinheiro sobrando, pagaria uma hospedagem só para poder usar uma plataforma melhor. Mas como não é esse o caso, e como os meus blogs nem sequer se pagariam, não vale a pena o investimento.

Me lembro ainda que coloquei como um dos meus desejos para 2017 atualizar os tutoriais antigos do FS, e adivinhe, eu não fiz isso, e agora faltam só 3 meses para acabar o ano. E acho que não vou fazer. O máximo que posso fazer daqui para o fim do ano é publicar alguns tutoriais novos, e mesmo assim com certo esforço, porque além da falta de vontade, agora eu não tenho outra opção a não ser encarar o editor próprio do Blogger.

Sobre o Mundo Geek, eu cheguei a publicar aqui duas postagens sobre a saga de procurar um novo lugar para postar minhas resenhas, porque estava desanimado com o meu blog, que está no ar há dois anos e não sai do canto em termos de visitas (o que é compreensível, porque as pessoas não gostam de acessar um blog só para ler opiniões, e sim para ler notícias também, que eu não gosto de escrever porque exigem muito tempo disponível). Excluí essas duas postagens porque não deu em nada, então vou continuar com o Mundo Geek do jeito que ele está mesmo, e tentar não ligar para as baixas visitas. E também não vou mais tentar mudar o estilo de escrita, porque num blog pequeno como esse nem vale a pena o esforço. Eu comecei a publicar resenhas de filmes no Fique Sabendo!, mas depois achei que estava ficando muito misturado e que eu poderia ganhar mais público com um blog só para isso. Se eu tivesse continuado no FS, talvez não estivesse tão ruim assim (apesar que a desorganização dos assuntos continuaria). Eu também tenho preguiça de postar no Mundo Geek porque reviso um texto várias e várias vezes e sempre encontro um erro ou outro, ou alguma frase ou parágrafo que pode ser reescrito para ficar mais claro. Esse processo de revisão é bem cansativo porque demoro muito nele. Mesmo assim, hoje em dia, filmes e séries são temas que me interessam mais, e eu gosto de assistir e escrever minha opinião, por isso, apesar de tudo, não penso em acabar com esse blog.

E sobre o meu blog pessoal, este aqui que você está lendo, pretendo continuar. Eu gosto dele porque é um espaço pessoal para eu falar sobre o que quiser, colocar para fora o que estou pensando e para fazer registros. Não é um esforço escrever nele, porque falo sobre mim e meus pensamentos.

Bem, é isso, já falei tudo o que eu tinha que falar sobre o meu desânimo com os blogs e tô escrevendo esse parágrafo para fechar o texto porque não conseguir pensar em nada melhor e que já não tivesse falado antes para dar a conclusão.

Cansado dos blogs