As estratégias da Record

No fim do ano passado os jornalistas de televisão disseram que todas as emissoras estavam atentas e não iriam fazer muitos gastos esse ano por causa da incerteza da economia. Mas pelo que parece, isso na verdade, se refere apenas ao SBT, que está acomodado, como sempre, com as suas reprises e enlatados. Está tanto assim, que cometeram o erro de colocar a reprise de Rebelde em pleno horário nobre. E mesmo ultimamente não dando mais audiência satisfatória, ainda vão reprisar Carrossel para ficar no seu lugar. E Carrossel só tem dois anos que acabou.

A RedeTV! contratou Mariana Godoy e está negociando com o ex-trio do Hoje em Dia. E olhe que a Rede TV! não tem tantos recursos assim, e mesmo assim também está fazendo as suas contratações.

A Band contratou o pessoal para o novo CQC, e Tiririca para o Pânico. E a Globo continua do mesmo jeito, porque não precisa dessa preocupação, já que é líder absoluta.

E a Record? Ah, a Record é a que mais está investindo. A Record está investindo pesado em novas contratações, e se você parar para analisar, todas elas são para a área de entretenimento, que não vai tão bem por lá.

Em poucos meses foi anunciado as contratações de Gugu, César Filho, Cake Boss e Xuxa. Aí você pensa que todos eles, com exceção de Cake Boss que ainda não tem dia e horário definidos, foram contratados com uma missão: vencer o SBT.

Hoje a Record é vice-líder empatada com o SBT, e disputa com ela cada ponto, ou muitas vezes, décimos. Então a Record fez uma bela estratégia para mudar essa situação. Os diretores pensaram: “em quais horários o SBT vence a gente?”, e perceberam que o SBT vence:

1. Pela manhã, no confronto Bom Dia & Cia X Hoje em Dia

2. À tarde, no confronto novelas X Programa da Tarde

3. À noite, a partir de Chiquititas X Jornal da Record e
novela

Então contrataram César Filho para o Hoje em Dia, Gugu para concorrer com Ratinho e a faixa de shows do SBT, e Xuxa para concorrer com as novelas da tarde. Se todos dessem certo a Record reconquistaria a vice-liderança absoluta.

Com César Filho não deu certo, porque eles cometeram o erro de trocar os apresentadores e deixar o conteúdo pior do que estava antes, cheio de jornalismo. Gugu, por enquanto deu certo, porque foi a primeira semana, mas a audiência deve cair nas próximas (não achem que ele vai ficar dando 10 pontos todo dia, acho que ele se consolida com 7 ou 8 pontos), e então veremos se a aposta deu certo ou não. E Xuxa depende de um formato muito bom para arrancar a audiência do SBT e Globo. Seria o fundo do poço para Xuxa se depois de ter trocado de emissora, ela perdesse para as novelas do SBT.

Se tudo isso vai dar certo ou não à longo prazo é outra história, mas que a Record está investindo, está.

Essa contratação de Cake Boss, por exemplo, foi ótima. O cara é conhecidíssimo aqui no Brasil, e quando veio para cá, o shopping que ele esteve ficou lotado de gente. Danilo Gentili chamou ele para ser entrevistado no The Noite, mas o SBT nem soube aproveitar a oportunidade de chamá-lo para conversar. A Record, por outro lado, aproveitou que ele tem grande fama por aqui e negociou com ele um reality show.

Outra mudança que eu gostei foi a mudança de horário das novelas. Se a Record colocasse suas novelas de 8:30h perderia para o SBT facilmente, porque o SBT já tem um público fiel com suas novelas infanto-juvenis. Mas então, o que fazer para melhorar isso? Simples, fazer uma novela bíblica. Eles pensaram: “se a gente faz séries bíblicas que dão excelente audiência, e essa audiência é a mesma que as novelas do SBT consegue, então vamos fazer uma novela bíblica, que terá o mesmo apelo ao público cristão, e dará a mesma audiência”.

Pensaram certíssimo! E já que dá audiência, pode colocar de 8:30h sem problema. Já quem vai conseguir a vice-liderança é difícil saber. Os Dez Mandamentos começa em março, e Cúmplices de um Resgate só em julho. Talvez tenha uma mudança de público quando Chiquititas acabar, talvez não. Talvez a audiência já seja mudada desde o começo. Temos que lembrar que Chiquititas tá repetindo muito as cenas e clipes, e isso pode prejudicar o seu desempenho.

Outra situação que poderia acontecer é o SBT e Record ficarem com altas audiências, com pouca diferença, e a maior prejudicada ser a Globo. Mas isso eu acho mais difícil de acontecer.

Essa é uma boa estratégia de programação, porque vai oferecer ao telespectador um conteúdo de qualidade, que já foi testado e deu certo, num horário que a Record perde para o SBT. Outro benefício é que esse novo horário de novelas vai “quebrar” a grade que tem jornalismo de Cidade Alerta até o fim de Jornal da Record. Pelo menos dessa forma vai ficar menos pesado:

1. jornalismo à tarde com o Balanço Geral;

2. entretenimento com Xuxa;

3. jornalismo com o Cidade Alerta;

4. entretenimento com a novela;

5. jornalismo com o Jornal da Record.

Ou: o Jornal da Record pode continuar vindo depois de Cidade Alerta, mas o tempo dos dois juntos vai diminuir, para que a novela possa ir para o novo horário. De qualquer jeito vai ficar bom.

Eu gosto de ver a Record investindo dessa forma, contratando novos artistas e fazendo modificações da grade, porque mostra que ela está disposta a mudar esse cenário atual para se reerguer. Ela sabe que para isso não pode focar apenas em jornalismo, mas também tem que investir em entretenimento para que a grade fique mais diversificada (percebam também que essas mudanças só estão acontecendo depois da entrada de Paulo Franco na direção artística da emissora).

Gosto de ver a Record investindo na programação dessa forma, porque ela já foi muito boa em 2006, 2007, e ela tem potencial financeiro, físico e artístico para fazer coisas boas. Mas esse tempo todo não souberam usar esses potenciais da forma certa. Já o SBT tem alto potencial criativo e de marketing, e usa isso muito bem ao seu favor (com uma programação barata e que dá ótimo retorno), mas em compensação, faz poucos investimentos e fica mais no conforto dos enlatados, o que desanima o telespectador, que quer ver coisas novas e de qualidade na televisão.

Por isso estou animado pela Record, espero que consigam atingir os seus objetivos, e que os programas de entretenimento não fiquem com sensacionalismo, porque assim não dá. Se ficar assim os programas não serão de qualidade. Espero que agora eles façam diferente.

A Record tem a faca e o queijo na mão, só basta cortar da forma certa.

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