O sistema educacional que atrapalha a criatividade e nos torna sérios, tímidos e chatos

Estou lendo O Código da Inteligência, de Augusto Cury, e uma coisa que é muito falada no livro é sobre o sistema educacional do mundo. São feitas duras críticas a esse sistema, que não é algo exclusivo do Brasil, mas do mundo inteiro, até nos países desenvolvidos. É o sistema em que o professor fala e o aluno se cala, em que só o professor está certo, e que existem respostas certas e erradas para as coisas. É o sistema que avalia se um aluno é inteligente ou não de acordo com sua nota da prova.

O escritor do livro fala que esse sistema mexe com o psicológico da pessoa, fazendo ela não desenvolver alguns códigos da inteligência que são fundamentais para ter uma vida mais feliz e para ser uma pessoa admirável. Por sempre existir respostas certas e erradas, o aluno termina ficando com medo de falar o que pensa e de errar. A sensação de ter errado é muito ruim, e por isso a pessoa fica tímida e deixa de desenvolver a criatividade. E isso já acontece logo nos primeiros anos da escola, no Ensino Fundamental I.

Os pais também têm uma parte de culpa, porque estão sempre ditando regras, dizendo o que é certo e errado, estão sempre trabalhando com fórmulas prontas e isso estimula na criança o raciocínio lógico e racional, mas vai tirando dela toda a criatividade (e outras coisas mais).

Para nós tudo isso é normal, porque esse é o sistema e nos acostumamos com ele. Mesmo que fiquemos tímidos para responder algo na sala de aula por medo de errar, ninguém vê isso como uma falha. Mesmo que o método dos pais de educar os filhos tire esses pontos positivos da mente da criança, todos acham que esse é o jeito certo de educar, e que é normal. Mas na verdade, isso atrapalha no desenvolvimento da mente e da personalidade da criança.

Estive me lembrando que eu odiava quando os professores da escola passavam trabalhos para a turma criar alguma coisa, ou trabalhos de grandes apresentações (como uma feira de ciências) porque eu não conseguia pensar em nada, não conseguia criar nada. Indo mais a fundo na minha mente, me lembrei que quando estava no Ensino Fundamental II e a professora de Redação mandava a gente escrever um conto ou uma narração qualquer, eu tinha dificuldade. Anos mais tarde, no ensino médio, a professora pediu para que escrevêssemos um livro. Eu entrei em desespero porque nunca tinha lido um livro narrativo. Não foi algo que meus pais me estimularam a fazer, e eu até achava (esse era um pensamento meu) que as pessoas que liam esses livros estavam perdendo tempo porque não iriam ganhar nada com isso, não iriam aprender nada com eles. Eu me surpreendia quando via gente que pegava O Mundo de Sofia na biblioteca para ler, porque ele é um livro muito grosso.

Eu tive uma dificuldade muito grande para escrever o livro e principalmente para ter ideias. Eu nem sei se tenho mais ele guardado, mas tenho certeza de que ficou bem ruim, com muitas coisas sem sentido acontecendo. Eu não conseguia desenvolver nada.

Esse problema do livro e das narrações em sala de aula foram só alguns exemplos, mas em todos os trabalhos que eu tinha que criar alguma coisa eu me dava mal. Eu não gostava de jeito nenhum (e até hoje não gosto).

Enquanto lia o livro me lembrei de tudo isso, e então percebi que até hoje não sou uma pessoa criativa por causa da educação que recebi na escola e em casa. Talvez por causa disso, e também de todo o bullying e dificuldade de fazer amizades, que eu me tornei uma pessoa mais tímida do que deveria (porque tímido eu sempre fui). Eu não me lembro de ser como eu sou hoje quando eu era criança. Eu não era tão tímido, nem sério e fechado (apesar que melhorei nisso nos últimos anos).

Essa semana, enquanto lia O Pequeno Príncipe, que é um livro cheio de críticas ao “mundo dos adultos”, me deparei com uma crítica que me atingiu diretamente. Essa crítica fala que os adultos são complicados, estranhos e estão sempre falando “eu sou uma pessoa séria”. Quando o personagem-autor do livro fala essa frase para o pequeno príncipe, ele (o pequeno príncipe) se choca.

Essa é uma frase que eu usava muito, desde minha adolescência. Amadureci rápido em relação aos outros, e preferia estar entre pessoas adultas do que entre pessoas da minha idade, que só falavam besteira. Eu era amargurado, triste e sozinho. E sempre dizia: “eu sou uma pessoa séria”.

O problema é que quando você se torna um adulto e vira uma pessoa séria, a sua criatividade some, porque a rotina e os problemas lhe dominam. Na sua cabeça, você não tem tempo para besteiras, e tudo o que não for estudo e trabalho é besteira. Talvez esse tenha sido um dos problemas que me fizeram ter tamanha dificuldade com trabalhos que envolvessem criatividade.

Quando um adulto tem criatividade e se deixa levar pelos pensamentos para viajar nas ideias, de alguma forma ainda há uma criança dentro dele. O pequeno príncipe estimulou a criatividade do homem, pedindo para ele fazer desenhos que ele nunca tinha desenhado porque achava que não era capaz, porque na verdade, disseram para ele quando criança se ocupar com “coisas sérias”, como os estudos. Ele também estimulou a criatividade do homem quando lhe fazia perguntas que para nós parecem óbvias, mas que se você olhar bem são difíceis de responder. É preciso usar a criatividade para responder às perguntas e superar os problemas, como na parte do livro que eles acham um poço no meio do deserto só porque o príncipe disse que eles poderiam achar se acreditassem e procurassem.

Li O Pequeno Príncipe essa semana, em dois dias. O objetivo era conhecer a história por causa do filme francês que vai ser lançado em breve. Mas terminei adorando o livro por causa das críticas que ele faz.

E depois, ontem mesmo, quando eu estava lendo mais um capítulo de O Código da Inteligência, toda essa crítica foi vista de novo, e então foi quando me lembrei do meu passado. Fiz essas associações, e essas críticas dos dois livros são verdadeiras.

Às vezes o problema não é só da educação dos pais e da escola, mas da sociedade em si, que cobra das pessoas uma postura rígida e séria. Isso já está tão instalado na sociedade, que as próprias pessoas já crescem com esse senso de “responsabilidade”. Um dia ela terá que ser assim, porque é a vida.

Hoje eu ainda não gosto de trabalhos que envolvam criatividade, e ainda tenho muita dificuldade com isso. Mesmo assim, acho que melhorei um pouco desde a época da escola, porque venho tido algumas ideias para histórias de ficção. Esse ano eu já tive quatro ideias e estou surpreendido com isso, porque antes eu não conseguia pensar em nada. Talvez seja uma mudança no meu estilo de vida e nas minhas atividades. Faz pouco mais de um ano que comecei a ler livros narrativos, e descobri que eles não são uma perda de tempo tão grande assim, como eu achava antes. Eles são entretenimento, como assistir a um filme, e ao mesmo tempo, você desenvolve a sua criatividade e aprende novas palavras.

Talvez por isso que eu tive essas quatro ideias nesse ano. Mesmo assim, eu tenho as ideias, mas não consigo desenvolvê-las para virarem livros. Às vezes eu tenho uma noção de início, meio de fim da história, mas quando chega no meio eu não consigo mais inventar qualquer coisa para que ela chegue ao final que pensei.

Talvez eu consiga um dia, e talvez a minha criatividade vá se desenvolvendo ao longo do tempo. Isso é o que eu espero que aconteça, porque eu nunca imaginei que um dia teria ideias, e estou tendo, mesmo que poucas, e mesmo que com dificuldade de desenvolvê-las. É um processo lento.

E para concluir, eu posso dizer que estou aprendendo com os livros que estou lendo, porque eles abriram meus olhos para ver os erros que cometeram comigo no meu passado, e não vou cometê-los com meus filhos. O sistema educacional não vai mudar, mas eu posso fazer a minha parte como pai, para criar uma psiquê forte para o meu filho, para não lhe repreender de que aquilo que ele está pensando ou fazendo é besteira, e para incentivar a sua criatividade. Dessa forma ele vai crescer sendo uma pessoa resiliente, criativa, capaz de se colocar no lugar dos outros, vai se sair bem de situações de humilhação e de problemas, e vai comandar a sua mente. Claro que somente isso que falei aqui nesse texto não será o suficiente, mas sim todas as dicas do livro de Augusto Cury, e outros, que espero ler no futuro.

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