Porque eu prefiro não casar e planos para o futuro

Casamento não é uma prioridade para a minha vida. O projeto de vida de muita gente é se casar e ter uma família. Eu não quero só isso, eu quero mais. Tem gente que se não se casar não se realiza. Geralmente são as mulheres. Não estou generalizando, é claro, mas elas ligam mais para isso do que os homens. As mulheres têm medo de morrerem sem casar. Existem homens com esse objetivo e pensamento também. Mas eu não fico desesperado quando penso em ficar solteiro. Eu não penso: “ah não, vou morrer solteiro!”, como muita gente que não consegue uma namorada/namorado pensa.

Os motivos para eu não ter o casamento como prioridade são muitos. Tenho planos e sonhos e quero que eles se tornem realidade. Quando você se casa, outros planos surgem, e deles, outras prioridades. As duas pessoas têm que sacrificar alguns de seus desejos pessoais para atingir os objetivos do casamento. É como numa empresa, todos tem que se sacrificar, inclusive alguns de seus desejos pessoais, em prol do grupo e da empresa. E sinceramente, eu não queria abrir mão desses meus desejos para o futuro. Eles poderiam ser realizados mesmo se eu estivesse casado? Talvez, mas seria mais difícil, com certeza, porque eu não teria só a mim como responsabilidade, e sim mais uma ou duas pessoas, e isso dificulta as coisas.

Um exemplo: eu vou ser funcionário público (se Deus quiser), mas gostaria de ter um negócio próprio. Isso exige tempo e dedicação, e por isso eu teria que deixar o meu emprego garantido para me aventurar nesse mar de incertezas, que é o empreendedorismo. Tanto faz dar certo como não dar. Ou então você se mata de tanto trabalhar e o quanto ganha é o mesmo que você ganhava no seu emprego, onde o trabalho e estresse eram menores.

Por enquanto esse é o meu plano. Claro que isso não vai acontecer agora, porque tenho que ter dinheiro. E daqui para que eu consiga juntar uma boa quantia, já vai se passar muitos anos, anos suficientes para eu amadurecer mais como pessoa e como profissional. Por mais que eu faça planos e imagine o meu futuro, não tem como ter certeza de nada. O futuro é como olhar para o mar à noite. Você não vê nada. Sabe que ele existe, mas não o vê. (Essa frase acabou de sair da minha cabeça e adorei!). Então não sei dizer como vou estar daqui pra lá. Talvez esteja satisfeito com meu trabalho e salário e não queira arriscar. Talvez até tenha vontade, mas me sinta cansado para isso. Talvez esteja num momento de muitas responsabilidades financeiras, e por isso, talvez não seja um momento pertinente para sair de um emprego seguro e correr o risco de ficar numa situação ruim.

São muitas as possibilidades. Mas independente disso, se eu tenho um plano de montar um negócio próprio no futuro, e esse é hoje um dos meus maiores desejos, não daria certo se eu estivesse casado. Provavelmente a minha esposa me aconselharia a ficar no emprego, porque é melhor o certo do que o duvidoso. E eu, é claro, pensaria duas vezes, porque não iria querer comprometer o orçamento familiar com as minhas aventuranças.

Sozinho eu teria mais liberdade para fazer o que quisesse. Eu poderia fazer um planejamento financeiro mais fácil porque estaria sozinho, o que representa menos gastos. E também não teria ninguém para dar satisfação do que estou fazendo ou deixei de fazer. Isso não quer dizer que eu vou ser uma pessoa imprudente. Não, de jeito nenhum. Isso é uma questão de prioridades, porque, como disse acima, com o casamento surgem outras prioridades no lugar das suas pessoais. E essa ideia de montar um negócio próprio não é a única. Eu quero estudar mais, quero fazer um intercâmbio, quero viajar. Eu ainda tenho outras ideias, planos e vontades, mas essas são umas das principais.

Outro motivo é que não sou uma pessoa fácil de lidar numa convivência diária, e reconheço isso. Reclamo muito, sou exigente, chato… Venho me esforçado para me tornar uma pessoa melhor desde os últimos 5 anos, e venho tido mudanças para melhor. Espero melhorar ainda mais no futuro, mas não sei se eu daria certo num casamento. Em todo casal existem desentendimentos e brigas, e é isso o que eu quero evitar. Eu quero fazer as coisas do meu jeito.

Esses são motivos que você pode me ver como egoísta. Não acho isso bonito e nem tenho orgulho, mas, sim, talvez eu seja.

Tem também uma outra questão: ainda não achei uma menina que eu realmente gostasse. Primeiro, antes de tudo, eu tenho que lhe achar bonita. Muitas meninas são consideradas bonitas, mas eu não acho. Eu não acho, porque os rapazes geralmente olham peitos e bunda, enquanto eu olho o rosto e cabelo. Eles olham o corpo, e eu olho a personalidade. Não quero namorar uma menina só porque lhe achei bonita e depois começar a conhecê-la. Quero lhe conhecer antes, saber quem é ela, quais seus costumes, seus pensamentos, ideias e planos para o futuro. Quero saber se ela tem pensamentos, ideias e planos compatíveis com os meus, se os valores dela são os mesmos que os meus. Ela tem que ter a mesma religião que eu, ter a mesma fé, a mesma crença. Já disse aqui o quanto sou exigente em relação a meninas (veja o ponto 14 dessa postagem). Só depois de saber esses detalhes é que posso ver se vale a pena investir num relacionamento ou não.

Acho que uma grande parte do motivo de eu dizer que prefiro ficar solteiro é justamente o fato de não ter achado ninguém. Quando você não acha ninguém fica difícil imaginar um futuro casado. Quando você passou a sua vida inteira tendo dificuldade de se relacionar com as pessoas e sofrendo bullying na escola, você não se sente autoconfiante para o casamento, que é um passo importante, e que muda a sua vida inteira. Quando você é exigente demais na escolha, na tentativa de se prevenir de uma crise ou separação no futuro por ter escolhido a pessoa errada, fica mais difícil ainda.

Enquanto escrevia o parágrafo anterior, me lembrei de uma coisa: foi no Ensino Médio que começou a minha revolta sobre casamento. Eu dizia para os meus pais: “EU NÃO QUERO CASAR!”, e a minha justificativa era: “porque casar só traz problemas”. Mas nem eu mesmo sabia porque estava revoltado daquela forma, e nem porque tinha tomado aquela decisão. Hoje, quando olho para trás percebo que isso foi consequência do que eu vivi. Como uma pessoa que não tinha nenhum amigo e que todos se afastavam dela, poderia ter um namoro e casamento bem sucedido? Como uma pessoa cheia de problemas psicológicos que nem dos pais recebia apoio, e que o pai sempre dizia que ela é que era o problema, poderia ser uma pessoa que confiasse em si mesmo? Na época eu não conseguia ver esses problemas como motivos para não querer casar, porque eram problemas psicológicos, e problemas psicológicos são assim, inconscientes. Eles entram na sua mente silenciosamente, muda o seu comportamento e sua forma de pensar, e você nem percebe.

Hoje os meus motivos são outros, são mais racionais, mas a ideia é a mesma. E as causas também. Ainda acho que casamento trás muitos problemas, mas também reconheço os seus pontos positivos, que se eu não casar, perderei.

Hoje mudei um pouco mais de pensamento. O casamento não é mais aquela coisa que eu digo: “eu não quero casar”. Pode acontecer? Sim, pode. Se eu achar alguém que eu realmente goste, provavelmente o casamento vai acontecer e eu nem vou mais pensar em problema nenhum que o casamento poderá me trazer no futuro. Mas o que eu vejo é que já estou com 20 anos. Me acho velho, não tenho nada, e ainda não tenho emprego, e quanto mais tempo vai passando, mais difícil é de se arranjar alguém. A disponibilidade maior é na época da adolescência. Por isso trabalho mais com a possibilidade de futuro em que estarei solteiro.

A minha vida de solteiro será perfeita? Claro que não. Vou sentir falta de alguém? Sim. Apesar de todos os problemas que eu vejo num casamento, eu sentiria falta de alguém. Alguém para dividir os meus problemas, para conversar, para me ajudar quando estiver doente, alguém que eu posso contar para tudo. Alguém que criaria os meus filhos sem que eu ficasse preocupado no trabalho por ter que fazer isso sozinho. Vou sentir falta de tudo isso.

Mas em toda a escolha que fazemos na vida, saímos perdendo e ganhando alguma coisa. É sempre assim.

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