Com tanta facilidade e modernidade está difícil controlar o que os filhos assistem

Um dia desses eu estava voltando para casa no ônibus lotado ao meio dia. Fiquei em pé do lado de um menino de aparentemente 11 ou 12 anos que voltava da escola e que conversava com sua mãe, que estava em pé na frente dele. Ele falava sobre séries. Não ouvi a conversa toda, mas ouvi ele falando com muita animação sobre The Walking Dead. Na hora eu pensei que ele era muito novo para assistir essa série, mas o que me surpreendeu mesmo veio depois.

Conversa vai, conversa vem, e ele exclamou:

– GTA? GTA não! Porque GTA é feito Game of Thrones, tem algumas coisas em primeira pessoa.

A mãe dele deu um meio sorriso com uma cara de como se estivesse surpresa e balançou a cabeça negativamente, e perguntou se ele estava assistindo Game of Thrones. Ele sorriu (aquele sorriso de desconfiado e de safadinho) e disse:

– Não! (rápida pausa) Não, eu não tô assistindo não! (rápida pausa) É sério!

E a mãe continuou com a mesma cara. E eu fiquei surpreso com aquilo, porque como pode um menino de 12 anos assistir The Walking Dead e Game of Thrones, que são séries não recomendadas para menores de 16 anos devido à sua violência e cenas picantes de sexo? Nem eu assisto essas séries! A minha reação foi essa (para mim mesmo, é claro):

What - How I Met Your Mother
WHAAAT? COMO ASSIM ESSE MENINO ASSISTE GAME OF THRONES?!

A mãe pode ter feito uma cara de reprovação, mas também não parecia muito disposta a fazer mais nada além disso. É como se ela entendesse que sua parte era apenas dizer: “isso você não pode assistir”, mas caso ele assista, fazer o que né, não tem como evitar. Os pais de hoje em dia estão muito liberais, deixam os filhos fazerem de tudo e não estão nem aí.

Depois desse episódio, num outro dia, uma amiga da faculdade estava com uma sacola da Piticas, uma loja que vende camisas nerds e está se tornando conhecida no Brasil graças aos seus anúncios frequentes no Omeleteve. Ela disse que era para o filho dela, que tem 9 anos, e então ela tirou a camisa da bolsa para nos mostrar, e era uma camisa do Deadpool dos quadrinhos. Eu adverti ela para não deixar o menino assistir ao filme porque tinha classificação de 16 anos, e ela respondeu com um tom de que isso fosse besteira:

– Menino, ele já joga GTA!

Ou seja, se ele já joga GTA, não tem problema nenhum ver um filme com censura mais alta. Provavelmente ele já tinha ouvido falar do filme, já tinha visto os trailers e até mesmo já visto o filme para querer a camisa com a estampa do personagem.

Para os pais que não ligam, tudo bem, mas e para os pais que ligam e ficam de olho no que os filhos estão assistindo? Com a modernidade e facilidade de hoje, fica cada vez mais difícil ter esse controle. Essa geração já nasceu numa época em que ter computador em casa é comum, e as gerações que são ainda mais novas, estão nascendo numa geração em que é normal ter celulares toushscreen de 5 polegadas e tablets. Os pais querem se livrar do aperreio que a criança dá e lhe entrega aos cuidados dos jogos eletrônicos, antes mesmo delas aprenderem a falar. Até onde vai a sociedade no futuro? Como será a sociedade do futuro formada por essas pessoas que foram alienadas desde bebês por seus pais também alienados?

Nascendo com a tecnologia nas mãos, literalmente, a crianças aprendem desde cedo a como usar o computador, e consequentemente aprendem mais rápido os macetes da internet e passam para os seus colegas da escola, o local que constrói e destrói as crianças e adolescentes. Eu por exemplo, aprendi a baixar filmes em torrent com uns 15 anos. Hoje crianças já sabem disso, e sabem também que podem assistir qualquer coisa pela internet, qualquer filme ou série, mesmo que seja inapropriado para ela.

Num mundo tão facilitado para a criança, como controlar? Se você não ensina como fazer, o colega da escola ensina. Se você diz que não vai assistir aquele filme no cinema ou comprar o DVD porque não pode para a idade dele, ele acessa o site e vê. O que fazer? Proibir, bloquear, fazer seu filho ser uma ilha? Acho que essas são opções que trarão os resultados desejados, mas também trarão alguns problemas sociais e emocionais para o seu filho.

Acontece muito da criança ou pré-adolescente nem ter ligado para aquele filme ou série, mas os colegas da escola (sempre uma má influência) falam tanto que ele fica curioso e quer ver também, para poder conversar sobre aquilo com os outros, e fazer parte do todo. Se ele não faz isso, pode sentir-se excluído.

É uma questão complicada. Penso que o ideal é ter uma conversa franca com seu filho falando que não pode assistir determinados conteúdos e explicar o porquê, de forma que ele entenda. Se a educação tiver tido base em valores fortes, como a da religião, isso irá ajudar, com certeza. Mas claro, isso só se o pai ou a mãe ligar, porque se não, não faz diferença. O resultado dessa conversa também não vai ser bom e o filho não a respeitará se o pai ou mãe não for tão presente na vida do filho (leia-se trabalhar o dia todo e deixar ele com a vó, tia, babá, na creche ou com qualquer outra pessoa). Também tem chances de não funcionar se você nunca controlou isso antes no seu filho, que mesmo criança, já tem certa idade. Ele não vai se acostumar fácil com essa mudança brusca, o que também não quer dizer que o pai/mãe não deva sempre tentar.

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