A vitória de Trump e o sentimento de superioridade americano

trump

Ainda ontem quando vi os primeiros resultados das eleições dos Estados Unidos já estava me surpreendendo:

E hoje de manhã, o que já estava sendo esperado no começo daquelas contagens de votos se confirmou: Trump ganhou as eleições e será o novo presidente dos Estados Unidos. A primeira reação é de surpresa porque todas as pesquisas apontavam que Hillary iria ser a vencedora, mesmo que com uma pequena diferença de Trump. Eu não pude acreditar em como um cara que é tão preconceituoso pôde ter ganhado as eleições. Eu não entendi como que um cara que inferioriza os latinos e superioriza os americanos, e que fala das mulheres e lhes trata como um dos seus bens pode ter ganhado a simpatia de uma parcela significativa do eleitorado americano. Dentre as tantas polêmicas e propostas de Trump estão:

E tem muito mais. Nesse link você pode ver as suas principais propostas e comparar com as de Hillary Clinton. Dá para ver como eles são o total oposto um do outro, e como as ideias de Trump são absurdas. Dá para ver que Hillary tinha uma ideia de política mais amigável e moralmente correta. Mas então porque Trump ganhou?

Alguns analistas dizem que Trump deu voz às pessoas de classe média alta e baixa.  Ele falou o que o povo pensa, mas não fala, o que o povo sente, mas talvez reprima. Ele os representou. Falou o que as pessoas pensavam, e o que desejavam para si: que os Estados Unidos voltasse a ser forte, tanto economicamente, quanto nos poderes militares. Que os Estados Unidos se valorizasse mais e valorizasse primeiro o seu povo.

E então tudo faz sentido: sabemos que os americanos têm um sentimento de superioridade sobre o resto do mundo. Já vi gente que fez intercâmbio lá, ou que morou lá dizer isso. Eles só veem a si mesmo e não ligam para os outros países. E com “eles” eu não estou falando dos políticos, e sim do povo, das pessoas comuns. Eu já vi um americano que morou aqui no Brasil dizer isso no YouTube (Brian, do canal Gringos no Brasil). Claro que sempre há exceções, mas isso mostra uma verdade, que é como os americanos se enxergam e como enxergam o resto do mundo. Julia Jolie, em seu canal do YouTube, já disse uma vez que uma das coisas que ela não gostou no seu intercâmbio nos Estados Unidos é que lá eles sempre se dividem em grupinhos e quando se referem a alguém sempre falam da sua cor de pele: “ah, aquela menina negra”, “aquela branca”, etc. Essa cultura do povo americano, somado à sua grande competitividade e alto bullying nas escolas são coisas que não gosto nos EUA, e que me fazem não querer fazer um intercâmbio lá, e é por isso eu prefiro outros países falantes de língua inglesa (mas para visitar como turista eu iria, tranquilo).

E então surgiu Trump, um candidato sem papas na língua que fala o que pensa e não tem medo de polêmica e suas consequências. Ele é extremamente competitivo e gosta de ganhar, e apesar de já ter nascido numa família rica, construiu a sua riqueza a partir de US$ 1 milhão que seu pai lhe deu depois que ele se formou na faculdade. E na campanha ele disse tudo o que o povo americano pensa e gosta de ouvir: que eles são a maior economia mundial, que eles precisam rever os acordos comerciais porque só os outros países é que estão se beneficiando, que os EUA têm que demonstrar poder, que os americanos têm prioridade nos empregos… Apesar de estarmos em tempos tão modernos, parece que os americanos não aprenderam a se acostumar com a variedade de pessoas e etnias, e ainda existe preconceitos enraizados em sua cultura, mas que são reprimidos para o bem da sociedade atual e moderna. Bastou uma cutucada de Trump para que isso se mostrasse verdade. E um repórter da Globo confirmou esse sentimento de superioridade dos eleitores de Trump quando presenciou a comemoração deles. Quando você pensa dessa forma percebe que Trump ter vencido as eleições não foi uma surpresa tão grande assim.

Se você comparar todo esse sentimento de superioridade e tudo o que Trump diz e representa, podemos ver que estamos diante de um novo Hitler, com a diferença de que Trump não será um ditador. Vejamos:

Hitler dizia que os arianos eram superiores às outras raças, que eram considerados mestiços. Trump insinua a superioridade americana, com as críticas aos latinos e estrangeiros que roubam empregos dos americanos, com as críticas e ofensas aos imigrantes ilegais (como chamá-los de estupradores), e quando diz que os EUA tem que ser grande novamente, sem precisar dos outros países e sem ajudá-los.
Os mestiços e judeus foram excluídos da sociedade, sendo obrigados a trabalhar como empregados dos ricos ou sendo colocados em campos de concentração. Trump quer que os americanos tenham prioridade nos empregos do país. Se isso for feito, o que sobrar para os estrangeiros serão empregos menores, que talvez não correspondam aos seus graus de estudo e experiência. Os imigrantes ilegais serão expulsos.
Hitler mudou a política interna e externa da Alemanha. Trump quer rever todos os acordos de livre comércio que têm com outros países.

Eu fico imaginando como que Trump criou os seus filhos. Preconceituoso e racista do jeito que ele é, você espera o pior. Se ele tem coragem de falar tantas barbaridades publicamente, imagine o que não diz aos seus filhos! Imagino coisas do tipo: “nós americanos somos superiores ao resto do mundo, somos a maior economia mundial, não temos obrigação de ficar ajudando ninguém, e muito pelo contrário, temos que ditar as regras, porque temos poder para isso. Temos que mostrar que não precisamos de ninguém e que podemos mesmo assim ter uma economia forte. Temos que mostrar o nosso armamento para que todos tenham medo de nós. Os latinos são ladrões de empregos, não dá para confiar nessa gente. Os mexicanos que chegam aqui ilegais são bandidos que estupram nosso povo, tenho nojo deles. Eles são os responsáveis pelas criminalidades do nosso país. As mulheres são um fardo quando estão grávidas, não merecem tratamento especial por isso. Aprenda comigo filho, tudo o que estou dizendo é verdade.”

E o que acontecerá no futuro? Bem, isso ninguém sabe. Todos concordam que Trump é imprevisível. A maioria dos analistas políticos defendem que no Brasil e no mundo não devem ser sentidas grandes mudanças, porque Trump deverá focar seu governo no próprio Estados Unidos, com a missão de fortalecer a economia. Eles ainda dizem que é bem difícil ele cumprir tudo o que prometeu com suas polêmicas, e que isso já pode ser sentido no seu discurso depois do resultado dos votos, que foi mais moderado. Isso faz sentido porque um presidente não governa sozinho, e mesmo ele tendo a maioria no parlamento, talvez algumas de suas ideias absurdas não sejam aprovadas, caso ele tente ir para frente. Os analistas ainda dizem que não é a primeira vez que um candidato fala muitas coisas na campanha só para chamar a atenção do povo, mas depois não cumpre. Isso também faz sentido. Talvez Trump pense mesmo tudo isso, mas apenas falou e polemizou para chamar a atenção do povo e ganhar as eleições, mas que depois de ganho ele foque na economia interna do país. Isso é um pouco aliviante, mas só saberemos com certeza quando ele começar a governar. São suas atitudes e em quais projetos ele terá foco que determinará o caminho que ele seguirá no seu governo. Se for o do fortalecimento da economia interna, ótimo, bom pros americanos, e ao mesmo tempo bom para o mundo, que não vai ver grandes mudanças no cenário mundial por causa dos Estados Unidos.

Anúncios
A vitória de Trump e o sentimento de superioridade americano

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s