O que a Record precisa fazer para melhorar

 

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A Record mudou de nome e agora se chama “RecordTV”, e também mudou de slogan, que agora é “Reinventar é a nossa marca”. Claro que não podia faltar uma nova logomarca, como já é de praxe.

Sobre a logomarca, preferia a anterior. Eles poderiam ter tirado a marca do mapa do Brasil, e ter suavizado as cores para ficar mais minimalista. Apesar de num primeiro momento eu não ter gostado da nova logo, na tela ela ficou bem, e me acostumei rápido com ela. Espero que não mudem por outra nem tão cedo (ou será que estou sendo iludido? rs). O negócio é que a Record precisa de mudanças reais, e só nova logomarca, slogan, nome e cenários não vão mudar nada.

Já faz alguns meses que conheci alguns Recordistas simpáticos no Twitter (antes só seguia SBTistas, que eram da época que eu era fã do SBT, entre 2011 e 2012), e passei a segui-los porque eles não eram fanáticos, e tinham uma visão crítica da emissora. Gosto disso. Mais alguns meses depois fui adicionado num grupo do Twitter da Record, onde todos sempre dão sugestões e trocam ideias de uma grade ideal. Inspirado nisso resolvi escrever este texto com as minhas sugestões e opiniões sobre a atual situação da Record e o que ela precisa fazer para melhorar.

Sugestões

Mudanças no jornalismo

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Já faz muitos anos que a Record se consolidou como a emissora do jornalismo policial, sangrento e sensacionalista. Além de dedicar horas do seu dia para jornalísticos como o Balanço Geral e Cidade Alerta, esse tipo de jornalismo invadiu também o Domingo Espetacular, que até a última vez que assisti (faz tempo) tinha reportagens especiais longuíssimas com aquela trilha sonora de caso importante. Invadiu também o Hoje em Dia, que além de ser mais curto do que antigamente, passa de 1h a 1h30 só com César Filho sando notícias. O resto é o que sobra para ele e mais 3 apresentadoras disputarem a atenção do público e ter tempo de tela para a parte do entretenimento. Também invadiu o Jornal da Record, coisa desnecessária.

Antes de tudo isso, na época de ouro da Record, por volta de 2004 a 2008, a Record tinha conseguido se consolidar no jornalismo, mas com um jornalismo de qualidade. Aqui em casa todo mundo deixou de assistir ao Jornal Nacional para assistir ao Jornal da Record, de tão bom que era. E eu conhecia muita gente que também assistia ao Jornal da Record. Como é que de um momento para o outro (no modo de falar) as coisas mudaram tanto? Como é que o jornalismo que era tão bom passou a ser só notícias sobre bandidos? Quando foi que a qualidade de uma reportagem passou a ser medida pela sua duração no ar e pela trilha pesada que é colocada? Tudo isso prejudicou a grade da Record como um todo, tirou as características dos programas que gostávamos, deixou os programas ruins.

É extremamente necessário que a Record faça uma mudança no seu jornalismo. Já que ela se autodenomina a emissora que se reinventa, deveria começar daí, e trazer o bom jornalismo de volta, aquele é feito na medida, sem exageros, e sem invadir os espaços dos outros programas. Sensacionalismo pode dar muita audiência, mas tem prazo de validade. O Cidade Alerta, por exemplo, já mostra os seus primeiros sinais de desgaste. Ele ainda é vice-líder isolado, mas não tem mais a mesma potência de anos atrás. Hoje ele é incomodado por Chaves, pelas novelas mexicanas, e até o SBT Brasil cresceu a sua audiência e sempre está ali pertinho do Cidade Alerta (principalmente antes de Escrava Mãe, onde eles chegavam a concorrer). O sensacionalismo pode ter um prazo de validade até longo, mas depois que ele acaba, deixa o programa desgastado, e depois levantá-lo de novo pode se um desafio. Cidade Alerta chegava a marcar 10, 12 pontos de audiência, e hoje está na casa dos 7. Ainda na vice, mas como eu disse, não mais com a mesma força de antes.

Mudanças nos programas (entretenimento)

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As mudanças nos programas de entretenimento são pelo mesmo motivo da necessidade da mudança do jornalismo: o sensacionalismo. A situação do jornalismo tomou proporções tão grandes que também invadiu os programas do entretenimento, chagando a passar programas inteiros para o setor do Jornalismo, como Gugu e Domingo Show. Outros programas, que ainda estão no setor do Entretenimento, como o Hora do Faro, usam as mesmas táticas de Gugu e Domingo Show. Os programas da Record estão todos com excesso de assistencialismo, e por isso criou-se um padrão de programas. Você assiste o mesmo programa sempre, mudando só o apresentador, o cenário, e o nome do programa, mas todos eles são muito parecidos. Até a abertura foi padronizada. Já percebi que vários programas da Record (não posso dizer todos porque não tive a oportunidade de checar todos) começam sempre com um resumo do que vai ter no programa, ou um resumo da primeira reportagem. Até Xuxa Meneghel, que ainda está conseguindo se manter na linha do entretenimento, eu já vi iniciando assim. Para que essa padronização? Cada programa tem que ter a sua identidade e características próprias. Talvez o único programa totalmente diferente dos outros é o Legendários, mas mesmo assim, um dia, mudando de canais, vi o Legendários fazendo assistencialismo.

Falando em assistencialismo, o problema não é o assistencialismo em si, mas a forma como ele é feito. A Record se aproveita ao máximo da desgraça alheia para subir a audiência, colocando os quadros de assistencialismo com durações longas, e com uma edição, também padronizada entre os programas, que evidencia todo o momento de dor da pessoa (colocar a imagem preto e branco com a pessoa chorando, ao mesmo tempo em câmera lenta, e com som triste no fundo para induzir o expectador ao choro. Eles sempre fazem isso, e é assim na reportagem inteira). Outro problema é a quantidade de quadros de assistencialismo. Além de precisarem ser mais curtos e de não terem edições sensacionalistas, o número de quadros desse tipo precisa diminuir em todos os programas, para que eles voltem a ser mais alegres do que tristes, e que provoquem mais risadas do que choro.

Teve uma época que a Record tinha ótimos programas (Tudo é Possível com Eliana, O Melhor do Brasil com Márcio Garcia e Rodrigo Faro, por exemplo). Por que precisaram chegar nesse ponto e nesse estilo? Mais uma vez, tudo por audiência. O projeto “A Caminho da Liderança” começou a dar errado, e o caminho que eles usavam era o do entretenimento alegre e do bom jornalismo, além das novelas de qualidade. Então mudaram completamente a cara e o estilo da emissora, apostando em sensacionalismo em tudo, para conseguir audiência. Sabe qual foi o problema do projeto “A Caminho da Liderança”? A pressa em chegar na liderança de qualquer jeito. A pressa em tirar da Globo e SBT os melhores. A ganância de chegar lá, sendo que só tinham conseguido a vice-liderança isolada, e precisavam solidificar ainda mais ela, antes de dar o próximo passo.

Para a Record que quer se reinventar, gostaria de voltar a ver bons programas novamente. O SBT é quem segue essa linha, e seu exemplo deve ser seguido. A diferença é que hoje os programas de auditório do SBT estão em crise porque caíram na mesmice a na falta de investimento. Se a Record fizer bons programas e não cair nesse erro do SBT, pode se dar bem. Se não fizerem isso, o caminho dos programas a longo prazo será o mesmo da do jornalismo: queda de audiência, como no exemplo que eu citei do Cidade Alerta. Os primeiros sintomas já podem ser vistos: Domingo Show ainda tem uma audiência altíssima, massacrou o Domingo Legal, e chega a minutos de liderança, mas ele também não marca mais a mesma audiência que marcava no começo.

Xuxa

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E no meio de tudo isso está Xuxa, que é um caso à parte. Eu particularmente nunca vi Xuxa como essa Coca-Cola toda, nunca lhe achei uma excelente apresentadora. Não posso negar, porém, que ela tem carisma. Ela consegue atrair as atenções para ela, porque fala o que pensa e não segue roteiro. O problema é que apesar desse carisma, ela não tem domínio de palco. Às vezes ela fala demais, ofuscando os convidados. E às vezes fica calada e você sente falta da apresentadora. Xuxa fez sucesso no passado nos seus programas infantis e tem uma legião de fãs que sentem carinho por ela, porque ela fez parte das suas infâncias, mas esses fãs não dão audiência. O grande público é que dá. Muitas vezes o programa é tão ruim e chato, que nem mesmo os fãs de Xuxa devem acompanhar. Eu sempre soube que Xuxa na Record não ia dar certo porque: 1) Se a Globo, que é a Globo, e sempre procura trazer qualidade ao que faz, não conseguiu, quanto mais a Record, que já tem dificuldade em fazer um bom entretenimento com seus outros programas? 2) Se na Globo ela já tinha dificuldade de marcar boa audiência, marcando menos que o Estrelas e que Luciano Huck, e muitas vezes perdendo para Pica-Pau, da própria Record, por que na Record, que é uma emissora de 2º/3º lugar e tem seu teto por causa disso, ela daria boa audiência?

A Record respondeu essas perguntas dizendo que o que Xuxa precisava era de um bom formato. Sim, concordo, a Globo não deu um bom formato para Xuxa. Mas hoje eu vejo, devido ao fracasso do programa de Xuxa na Record, que se a Globo, já conhecendo Xuxa de longa data, não tentou outros formatos de programa para ela, é porque sabia que não daria mais certo. A época de Xuxa passou. Tem apresentadoras melhores, e tão carismáticas quanto ela, e que ainda consegue ter um melhor domínio de palco, como Adriane Galisteu. Adriane Galisteu pode não ter o mesmo nome, fama e força que Xuxa, mas sairia mais barata, e poderia fazer um programa com a mesma audiência, e a Record ainda teria uma boa apresentadora nas mãos. Caso o programa não desse certo, teriam mais opções de tentativas, porque Galisteu é mais versátil que Xuxa, consegue apresentar bem em qualquer formato. Xuxa é mais limitada, por causa do seu estilo e personalidade. Galisteu poderia não faturar tanto quanto Xuxa, mas todos dizem que ela vende bem, e dado os custos menores, ela até poderia apresentar um melhor custo-benefício para a Record.

Mas a Record contratou Xuxa, com essa sua ilusão de sempre, de achar que só o fato de contratar um artista de nome e de peso lhe fará ter boa audiência. Artista não garante audiência, e não faz o programa ser bom. O conteúdo é que faz toda a diferença. O artista só fará diferença na apresentação do programa (de acordo com a preferência do público) se o programa for bom.

Depois da contratação e estreia de Xuxa, veio mais um motivo para eu achar que ia dar errado: 3) Ela ia apresentar um programa com sofá, no estilo Hebe, o que é um erro, porque Hebe quando ainda tinha programa no SBT estava dando 4 pontos de audiência, e com dificuldade. Hebe é outra que fez muito sucesso no passado, mas que não conseguiu se reinventar ao longo do tempo e viu sua audiência cair cada vez mais. Esse tipo de programa não agrada mais ao público, e isso já foi deixado claro na época de Hebe. Um programa que tem um estilo parecido com o dela é o Encontro com Fátima Bernardes, mas ele não é à noite. É pela manhã, tem apenas uma hora de duração, é rápido na discussão dos temas (às vezes até demais) e dinâmico. Por isso deu certo (além do fato de estar na Globo, porque se estivesse em outra emissora seria um traço). Era óbvio que Xuxa com esse formato não iria dar certo. A ideia do programa é boa? É sim, eu gosto, até mesmo para divulgar os atores da casa e as novelas, mas não dá mais certo. Ainda mais na segunda-feira.

Mas hoje o programa não está mais assim, e mudou de formato. De vez em quando dou uma rápida olhada para ver se teve mudanças. E desde o primeiro programa até o jeito que está agora, teve mudanças, mas que não melhoraram em nada. O sofá saiu e ela não está se vestindo tão parecida com Ellen Degeneres quanto no começo. Mas o que importa é o conteúdo. Um dia eu vi só música atrás de música (uma forma de se fazer programa bem preguiçosamente por não correr atrás de conteúdo de verdade). Outro dia vi um quadro de competição de casamento, que tinha a mesma ideia das competições do Quer Casar Comigo? de Eliana. Outro dia foi o especial dos anos 80, onde vi que ela não sabe dominar bem o palco e vi aquele problema que disse mais acima, sobre ela ficar calada e tudo ficar em silêncio. Enfim, o programa de Xuxa está bem vazio de conteúdo.

Agora está se falando em mudar o seu programa de dia, ou de lhe dar dois programas, um nas segundas à noite, que seria um formato de fora, e outro, um programa comum aos sábados à tarde. Eu acho essa ideia ruim, porque nem se quer conseguiram fazer um bom programa para ela, que é um só, então quanto mais dois? Pode terminar desgastando a imagem dela, principalmente se o novo programa não der certo. Mas se tiver que acontecer de qualquer jeito, que o seu programa dos sábados à tarde seja o seu atual reformulado, mantendo o mesmo nome. E que o programa das segundas tenha outro nome, para que o telespectador entenda que se trata de outro programa, e não do mesmo.

Se fala também em levar seu programa para São Paulo, porque aparentemente teriam mais controle assim. Não concordo muito com isso, porque se fosse assim a Record não teria controle sobre suas novelas. O importante não é o local onde o programa é gravado e sim seu conteúdo. Não adiantará nada se mudar para São Paulo e mudar o dia do programa, se ele continuar tão vazio daquele jeito. Xuxa prometeu no Programa do Porchat mudanças para o seu programa a partir de março de 2017, e disse que não gosta do seu programa atual. Mesmo assim não deu mais detalhes, e ninguém mais sabe o que estar por vir por aí. Só resta a torcida para que venha algo realmente bom, para fazer a contratação de Xuxa ter valido a pena, até porque ainda restam 2 anos aí pela frente. Se nada funcionar Xuxa já pode dar adeus à carreira de apresentadora da TV aberta.

Melhor planejamento na dramaturgia

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Um problema que a Record vem encontrando ultimamente é na questão do planejamento das novelas. Elas são escritas antecipadamente, mas na hora do projeto virar realidade empacam. O motivo deve ser a questão financeira. Fazer novelas bíblicas e de época não é barato. Requer pesquisas (e para isso pessoal especializado, como historiadores), gastos com figurino (estilistas, costureiras, tecidos, etc.), e com efeitos visuais. Os Dez Mandamentos, por exemplo, foi um enorme sucesso. Mas depois eles começaram a esticar a novela colocando reprises de cenas como lembranças dos personagens. Essa é uma tática usada pelo SBT nas suas novelas infantis, que fazem a novela inicialmente planejada para 1 ano, durar mais que isso (e 1 ano já é muito). Isso é ruim porque cria uma barriga na novela que lhe faz perder a qualidade do que já tinha sido feito antes. Tudo começa bem, e depois se perde no meio do caminho. O telespectador termina sendo obrigado a acompanhar o resto, porque já está totalmente envolvido na novela e sabe que ela está perto do final, mas isso não quer dizer que ele goste (e esse é o momento em que os executivos têm que parar de analisar só os números altos que se mantêm e passar a ver de um modo mais subjetivo).

A diferença entre o SBT e a Record, é que como no SBT a novela é infantil, e as crianças não ligam muito para isso mesmo, o erro termina sendo aceitável. Já a Record, como faz novelas adultas, fazer isso é inaceitável, principalmente sabendo do seu tamanho e sua estrutura de fazer algo melhor.

É necessário que a Record faça planejamentos da sua dramaturgia assim como a Globo faz: determina a quantidade de tempo que a novela ficará no ar, e quando esse tempo estiver chegando, a próxima começará a ser preparada, porque de forma alguma a novela que está no ar agora será esticada. E se a novela não estiver dando certo, ela deverá mudar as suas histórias, e se mesmo assim não funcionar, deverá ser encurtada para dar vez a outra.

O caso de Os Dez Mandamentos foi apenas o primeiro. Os Dez Mandamentos – Nova Temporada foi uma forma que a Record encontrou de dar tempo para preparar uma substituta. E agora a novela Escrava Mãe já está acabando, mas Belaventura, que deveria ser sua sucessora, só está iniciando os seus trabalhos agora, fazendo com que a Record tomasse a decisão de reprisar A Escrava Isaura em horário nobre, até Belaventura ficar pronta. Reprisar novela em horário nobre é mais uma “moda” ruim do SBT que a Record pegou. É como se ao pegar as ideias do SBT de colocar flashbacks de lembranças na novela para esticá-la sem ter que escrever novas histórias, e em reprisar novela em horário nobre eles dissessem: “olha, o SBT fez e deu certo. Por que não fazemos também?”. O SBT consegue alta audiência com suas reprises, isso é fato, e a Record também pode conseguir, porque A Escrava Isaura é uma novela forte. Mas o problema disso é que a Record pode começar a se acomodar, e toda vez que tiver um atraso colocará uma reprise no lugar. Isso demonstra falta de profissionalismo e de planejamento. Uma emissora do porte da Record não precisa fazer isso, principalmente se seu objetivo é reconquistar a vice-liderança no PNT. A Record tem que criar no público duas coisas:

1º – Identificação com seu conteúdo variado e de qualidade;

2º – Criar o hábito no telespectador, com os horários e tipos de produtos que serão vistos nele;

A Record ainda precisa se diferenciar do SBT, como uma emissora que produz conteúdo e que tem planejamento.

Outra sugestão para a dramaturgia é não se apoiar muito nas novelas bíblicas e nas de época. Quer dizer, até aqui elas estão dando certo, mas em determinado momento o público pode começar a se cansar desses tipos de novela. Eles já vão fazer a novela Apocalipse, que se passará primeiro nos tempos bíblicos, e depois nos dias atuais, o que já dará uma mudada na cara da novela, mas seria bom também, se de vez em quando, no horário das novelas de época, que viesse uma novela atual, para ir preparando o público da emissora e acostumá-los a assistir essas novelas atuais, e reconhecê-las como novelas boas. Assim, se num momento as novelas de época e as bíblicas caírem, a Record já terá o público preparado para uma novela comum e não perderá muita audiência.

Outra ideia é no investimento de séries. Dia 4 de janeiro estreia Sem Volta, que virá no formato americano, o que já me animou muito, porque para mim isso é que é série de verdade.

Espero que a série dê certo, e que a Record continue investindo mais nesse gênero, que ainda não é bem desenvolvido no Brasil, e que pode integrar uma linha de shows depois do Jornal da Record. Aliás, é sobre isso que iremos falar agora.

Linhas de shows depois do Jornal da Record

A Record vem tido dificuldade em vencer Ratinho. Sem vencer Ratinho fica difícil vencer qualquer coisa que venha depois, porque ele entrega em alta e o impacto é sentido até o The Noite, enquanto o Programa do Porchat tem mais dificuldade em conseguir boa audiência. A Record passou um tempo cogitando fazer um programa diário com Geraldo Luiz, mas que depois foi para a gaveta. Eles não devem ter desistido do projeto, mas só deu um tempo para se planejar melhor e escolher um apresentador, já que Geraldo não aceitou (opções é o que não falta né? Jornalista querendo virar apresentador tem muitos na Record). O problema desse programa é que provavelmente ele virá com de 2h a 2h30 de duração. Isso é ruim, porque o programa começa às 22h30, depois do Jornal da Record, o que já é um horário avançado. As pessoas já estão cansadas e com sono, e um programa dessa duração é muito longo para o horário. O ideal nessa faixa é uma programação mais rápida e dinâmica. Então o ideal seria que esse programa diário tivesse de 1h a 1h30min no máximo, e depois viesse uma segunda faixa de shows. Essa é uma ideia do SBT que vale a pena ser copiada porque deu certo lá.

Na segunda faixa poderiam vir os realities, já que o público consegue se manter até tarde da noite assistindo esse tipo de programa, e revezando com os realities, séries nacionais. Colocar sessão de filmes e de séries estrangeiras, apenas um ou dois dias na semana, no máximo (até porque eles não teriam condições de ter uma produção diferente em cada dia). Sobre os realities, eles teriam que comprar mais formatos, para não ficar dependendo só do Batalha dos Confeiteiros, A Fazenda, Power Couple e Troca de Família. Poderia também ter um programa de outro formato, com algum tipo de jogo/competição envolvendo dinheiro entre os participantes (um tipo de programa que o SBT explora muito bem).

Sugestão de grade

Eu não entendo de programação, então não montei uma grade completa. Apenas falei dos pontos que acho que são os mais importantes e que precisam de mudança. Junto com os horários faço mais comentários.

09:40 – Hoje em Dia

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Hoje em Dia voltaria a começar de 09:40. Teria 20 minutos a mais, que seria dedicados ao jornalismo. A partir das 10:00 seria só entretenimento. O Hoje em Dia precisa voltar a ser aquela excelente revista eletrônica que foi no passado. Os apresentadores podem ir para a rua fazer reportagens especiais sobre temas específicos? Sim, mas também seria bom ter repórteres informais para fazer matérias e quadros (algo parecido com o Encontro). Assim o telespectador associaria sempre aquele repórter com determinado tipo de pauta ou quadro. Um exemplo é quando o Hoje em Dia tinha um repórter que fazia reportagens de aventuras, e ele também apresentava um game show bem legal. Isso poderia voltar.

Também é interessante voltar a falar sobre temas no palco, e ter especialistas falando disso com os apresentadores no sofá. Você pode dizer que seria uma cópia do Encontro, mas o Hoje em Dia fazia isso há muito tempo. Era diferente do Encontro porque não tinha artistas, e eles se concentravam num tema durante um tempo maior. Isso também poderia voltar.

Os apresentadores deveriam voltar a ficar no sofá, para que o telespectador se sinta mais à vontade com o programa, do que eles terem que ficar em pé e sozinhos fazendo chamadas de quadros e reportagens. Um sofá até daria para os apresentadores interagirem entre si, uma característica que o Hoje em Dia tinha, tanto no trio original, quanto no quarteto que veio depois e que era muito bom.

Outra coisa é que poderiam valorizar mais o elenco da Record. Agora que as novelas estão fazendo sucesso, se colocassem um sofá daria para trazer os atores das novelas, que falariam mais da novela e do seu papel. Essa seria uma forma de divulgar a novela e valorizar o elenco. É uma forma eficaz de fazer isso, ao invés de colocar almofadas e enfeites com o nome da novela (ou o nome dela no canto da tela, ou antes de ir para o comercial). Um programa que promova o elenco dessa forma não tem na Record, e faz falta. A Globo mesmo, está sempre convidando seus atores para participarem dos seus programas, e isso ajuda na divulgação da novela e do ator. Mas isso deve ser feito com moderação, para que o Hoje em Dia não vire um Vídeo Show da Record.

14:45 – Reprise de novela

O horário da tarde é complicado. A Record já tentou fazer programa e não deu certo. A Globo sempre se incomoda com a Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo, mas ainda não pensou em nada que pudesse fazer no horário e desse bons resultados. E o Vídeo Show está sempre com dificuldades. A Record não teve outra coisa para fazer a não ser também reprisar novelas, algo que o SBT faz e dá certo. No SBT demorou alguns anos para ter a alta audiência que eles têm hoje com as novelas mexicanas, mas eles insistiram porque era a única coisa que tinha, e conseguiram criar um público.

O problema é que a Record não tem um estoque tão grande de novelas quanto a Globo, e por isso um dia elas podem acabar. O SBT não tem essa preocupação porque exibe novelas da Televisa, que são muitas. A solução para a Record seria fazer algo parecido e fechar acordo com uma emissora estrangeira para passar suas novelas aqui. O @RafaelPotter_ sugeriu as novelas da Telemundo, e eu achei uma boa ideia, porque são em espanhol e daria a impressão que têm a mesma origem das novelas do SBT. Poderiam fazer uma boa concorrência.

15:45 – Filmes ou séries

Para não ficar preso só em novela, o horário que hoje é da segunda reprise poderia ser de uma sessão de filmes ou séries. No caso de filmes, novos acordos teriam que ser fechados com os estúdios, para que tivesse uma boa quantidade para passar diariamente. Hoje a Record só possui contrato exclusivo com a Universal. No lugar dos filmes poderiam vir séries, mas seria bom se comprassem mais séries, para não ficar só com Todo Mundo Odeia o Chris. Como a Disney já está com o SBT (pelo Mundo Disney), sobra os da Nickelodeon. Infelizmente a Record perdeu duas oportunidades de comprar: uma quando acabou o TV Globinho, e a Band comprou os direitos, e outra quando o contrato com a Band acabou e o SBT comprou.

16:30 – Tudo a Ver

Com o formato original, quando tinha Paulo Henrique Amorim no comando e Edu Guedes fazendo receitas. Era uma ótima revista eletrônica.

18:00 – Cidade Alerta

No horário local, para que cada estado faça o seu jornalístico. 1h30 já é suficiente para o Cidade Alerta. Eu preferiria o Tudo a Ver nesse horário, como era antigamente, mas ele poderia ser atrapalhado pelos horários locais. Fora que o horário das 18h e 19h já é tradicionalmente de jornal local, então o Cidade Alerta se encaixaria bem nesse horário.

19:30 – 1º horário de novelas (novelas de época e algumas vezes novelas atuais para acostumar o público)

Atualmente ele começa de 19:40, mas acho que não faz diferença esses 10 minutos.

20:30 – Jornal da Record

Com 50 minutos de duração já é mais do que suficiente. E com o bom jornalismo de volta, com menos sangue e bandidos, e mais notícias do Brasil e do mundo (assim como faz o Jornal Nacional e Jornal da Band).

Ele ficaria agora entre as duas novelas. Apesar de ter lógica em novela entregar para novela, e de fugir do Jornal Nacional, seria melhor com o Jornal da Record no meio das duas novelas para que as pessoas que só assistem uma delas possam assistir também o jornal da própria emissora colado com a novela, de vez de ter que mudar de canal. Mas isso só poderá ser feito quando a dramaturgia estiver totalmente estabilizada, e sem aqueles erros de planejamento já falados, e quando o jornalismo for bom o suficiente para bater de frente com o Jornal Nacional.

21:20 – 2º horário de novelas (bíblicas, mas já estando preparados para se um dia esse estilo não der mais certo)

22:20 – 1º horário de shows

O 1º horário de shows deverá ser feito com um programa diário de 1h. Tem que ser um programa divertido, e sem assistencialismo. Ratinho dá certo nesse horário não porque a Record não tem nada de melhor nesse horário (apesar que isso contribui), mas porque ele tem um programa leve e divertido. Gugu é a prova de que programas sensacionalistas não agradam o público. Ele não se saiu bem nas terças e quintas, e começou a perder para Ratinho. Ele só vai bem nas quartas por causa do futebol da Globo, mas mesmo assim já está começando a apresentar os primeiros sinais de desgaste, pois sua audiência já não é mais tão alta quanto antigamente, e a diferença de audiência entre ele e Ratinho está menor.

23:30 – 2º horário de shows (realities, filmes e séries)

Nos dias que tiver filme pode acabar mais tarde e Porchat começar mais tarde também. Séries e realities devem ter no máximo 1h para manter o dinamismo (não fazer como a Band faz com o MasterChef, que suga até a última gota).

00:30 – Programa do Porchat

——

Bem, e essas são minhas críticas e sugestões à Record. Ultimamente venho estado mais animado com as notícias que vem saindo da Record do que as do SBT. A Record tem dinheiro e estrutura para mudar. Fazer isso acontecer é só questão de administração, assim também como é questão de administração e planejamento aplicar as sugestões faladas nesse (longo) texto. Se a Record fosse assim, com certeza voltaria a ser uma TV de primeira, e a ser mais competitiva. Talvez eu até voltasse a assistir com mais frequência e voltasse a ser fã, como eu fui lá na época de 2004-2008.

Obrigado se você leu até aqui. Se concorda ou não com algo que eu disse deixe sua opinião nos comentários logo abaixo!

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