A verdadeira direita, que não conhecemos, ou: Não existe direita de verdade no Brasil

Já está convencionado no pensamento popular brasileiro que PT é esquerda e PSDB é direita, e eu também pensava assim. Até que certo dia, enquanto pesquisava sobre partidos políticos e outros temas de política terminei descobrindo pela Wikipédia que o PSDB é de centro-esquerda, e não de direita. E quando fui pesquisar mais sobre isso só tive mais confirmações. Até o próprio FHC já disse que o PSDB não tem nada a ver com direita e também disse que ele é de esquerda.

Então por que todos pensam que o PSDB é de direita? Graças ao PT e aos demais partidos da esquerda e extrema esquerda, que de tanto chamar o PSDB de partido de direita, numa tentativa de afrontá-lo e de fazer medo na população, terminou convencendo todo mundo de que isso é verdade. É como diz o ditado: uma mentira contada várias vezes se torna verdade.

Para o PT e demais partidos de esquerda, o PSDB pode ser considerado de direita, porque ele está mais ao centro do que os outros. Ele é um pouco mais flexível que os outros, mas ainda assim é de esquerda, e defende ideologias de esquerda.

Sobre o medo da direta que a esquerda colocou na população, é uma prova de como a esquerda manipula os nossos pensamentos até hoje. Eles sempre falam em privatização num tom de alerta e de medo, num tom de que isso é algo muito ruim, e as pessoas acreditam, mesmo já tendo vivenciado o contrário. Todas as privatizações que aconteceram no passado trouxeram mais benefícios do que problemas, e se mesmo assim reclamamos dos serviços hoje, é bom saber que antes eles eram muito piores, e poderiam continuar sendo ruins se ainda tivessem nas mãos do governo. Sem contar que a privatização dá mais liberdade, opções e democracia ao povo. O exemplo clássico é a privatização da telefonia. Hoje todos podem ter um celular (ou vários) facilmente. Isso não seria possível sem a privatização, onde antes, só os ricos podiam ter uma linha de telefone fixo (e ainda tinham que ficar numa longa fila de espera). Então, não existe o porquê de ter medo. A esquerda que coloca esse medo nas nossas cabeças e nos faz acreditar nelas. Ela nos manipula. É a mesma coisa que aconteceu nas últimas eleições presidenciais, de 2014: o PT na maior cara de pau dizia nos seus programas políticos da televisão que se o PSDB ganhasse, o Bolsa Família e outros benefícios sociais deixariam de existir. Não existe outra palavra para isso a não ser manipulação. É a forma mais baixa e nojenta de conseguir votos das pessoas e de se manterem no poder para continuar levando adiante os seus ideais de dominância do Estado, que fica cada vez mais inchado.

Voltando ao ponto de início, quando descobri que o PSDB não era de direita me perguntei: “Então quem é de direita? Quais são os verdadeiros partidos de direita e o que eles defendem?”. Foi pesquisando isso que achei uma série de 4 artigos do blog Direitas Já que explica o que seria um bom governo de direita. Ele fala o que um bom governo de direita faria (destacando o “bom”, porque não quer dizer que só porque a pessoa se diz de direita ou está num partido de direita que fará um bom governo), e assim dá para entender e ter um panorama geral sobre quais são os ideais dos políticos de direita e no que eles acreditam. Se você também tem essa dúvida recomendo que leia os posts, que são esses dos links abaixo:

As ideias são realmente boas, mas ninguém dá valor. Ideias como a privatização das estatais, privatização de presídios, bolsas de estudo para bons alunos em escolas particulares para diminuir a abrangência do Estado na educação pública são algumas das ideias que mais achei interessantes. Claro que tudo isso é só teoria, e na prática nem tudo funcionaria tão bem assim. Não concordo com todas as propostas faladas nesses posts, da mesma forma que também não concordo com tudo da esquerda, mas também acho que muitas ideias de esquerda são boas. É por isso que me considero centrista, porque concordo com ideias dos dois lados. Dá para unir o que cada um tem de melhor para fazer um bom governo, sem extremos de nenhum dos lados.

O problema é que poucas pessoas conhecem a verdadeira direita e suas propostas. Quando descobri que o PSDB era de esquerda percebi que não conhecia a direita de verdade, e infelizmente essa é a situação da grande maioria dos brasileiros. Percebi que estamos doutrinados e acostumados com a esquerda, apenas mudando o partido e o representante. É por isso que acho que se os brasileiros ouvissem as propostas da verdadeira direita, eles achariam estranho e não aceitariam bem, porque já estão muito acostumados com a esquerda. Como já falado, ninguém aceita bem a privatização, por exemplo, porque a esquerda já colocou na cabeça de todo mundo que é algo ruim. Isso também acontece com outras propostas da direita.

Em recente pesquisa do Ibope, de dezembro de 2016, foi constatado que o brasileiro está mais conservador. Mas isso se refere à comportamentos e questões sociais, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e redução da maioridade penal. Quando se refere a economia, os brasileiros estão bem mais alinhados à esquerda. O motivo, além da manipulação, é que no Brasil não existe uma grande representatividade de direita. Depois de ter lido a série “Como seria um bom governo de direita?” dos links acima, fui pesquisar quais eram os partidos de direita, e para a minha decepção, não existe nenhum grande partido de direita que possa rivalizar cara a cara com os grandes partidos de esquerda como PT e PSDB (claro, porque se existisse nós conheceríamos). Todos os partidos que se declaram de direita, ou os que não se declaram, mas que tem as ideologias de direita, são partidos pequenos e de pouca expressividade. O partido que tem maior expressividade, e ainda assim é um partido pequeno, é o PSC.

Falando sobre o PSC, em 2010 ele não teve um candidato a presidência e apoiou a chapa de Dilma. Em 2014 tiveram um candidato próprio, que foi o Pr. Everaldo, que se mostrou bem despreparado e pouco aprofundado nas questões políticas (além de já ser desprezado por natureza pelos outros candidatos em debates por ser um candidato menor). Então quer dizer, o maior partido de direita que temos não nos apresenta um bom candidato, e quando não apresenta, apoia a esquerda (sinceramente, antes apoiasse o PSDB do que o PT, que está mais à esquerda). Nas eleições municipais de 2016 o PSC se juntou com partidos de esquerda em diversos municípios de alguns estados. É até por causa dessas alianças que Bolsonaro vai sair do PSC e está procurando outro partido para se filiar, porque ele não aceita que seu partido de direita faça coligações com partidos de esquerda. E sim, isso é mesmo muito contraditório, e isso prova que a direita não existe no Brasil. Me diga, quando foi a última vez que vimos algum político de direita defender os seus ideais? Quando foi que vimos políticos de direita lutarem por aquilo que acreditam? Eu não me lembro. Os partidos de direita não se unem para formar uma força contra os partidos de esquerda. Ao invés disso eles se unem à esquerda para satisfazer os seus próprios interesses. Isso é jogo político, e que existe dos dois lados, esquerda e direita. A “direita” sabendo que não tem força no Brasil, não quer se sustentar em si só, e por isso procura apoio na esquerda. Além disso, perceba mais uma coisa, caro leitor: os direitistas brasileiros geralmente só defendem o conservadorismo social, e isso é só o que vemos eles falando contra e se pronunciando. Mas quando se trata de economia e outras questões políticas ninguém fala mais nada, aceitando tudo o que a esquerda propõe, ou então não tendo coragem de defender abertamente o que pensam ou não apresentando tanta profundidade. É mais confortável assim, até porque depois fica mais fácil pegar apoio para conseguir eleger mais candidatos nas eleições. E isso não é algo exclusivo do PSC, mas também de outros partidos de “direita” (mesmo aquelas que não se consideram de direita), como o PP, PR e PRB que apoiaram Dilma em 2014 (o PR e o PRB também apoiaram em 2010).

Temos também o DEM, que tem algumas ideologias de direita e foi oposição ao PT, mas ele mesmo não se considera de direita por medo do peso negativo que essa palavra pode trazer. Ele se considera centrista, e ainda diz que tem pessoas de seu partido que estão mais à direta e outros que estão mais à esquerda. Esse é outro problema dos partidos de “direita” no Brasil: eles têm medo de se assumir assim, parte por medo do negativismo da palavra, e parte para ter a facilidade de se aliar à esquerda quando lhe for conveniente.

O negócio é que se Bolsonaro estiver procurando um partido de direita de verdade que nunca tenha feito coligação ou apoiado um partido de esquerda, deveria não se candidatar à presidência em 2018, porque esse partido não existe.

Além de não existir um partido de direita forte para defender os seus princípios, também não existe um político de direita forte. Quer dizer, hoje temos Bolsonaro, que diz que quer ser candidato em 2018, e eu vejo muita gente lhe apoiando, mas a única coisa que eu vejo ele fazendo é polêmica, e em todas as entrevistas que ele dá na televisão é só se defendendo dessas polêmicas e fazendo outros comentários que até fogem da pergunta inicial do entrevistador. Sinceramente, acho ele fraco e acho que ele não está preparado para isso. Também acho que ele não representa bem os ideais da direita. Se daqui para lá ele mudar e apresentar bons planos para o Brasil e que represente a direita eu até posso mudar de ideia quanto a ele. Mas se não, ele é só mais um candidato que estará nos debates para cutucar os maiores e não dar contribuição real nenhuma. O perigo é ele ter chances reais de ganhar estando apenas nessa situação de polêmicas e sem um plano forte e bem definido de como seria o seu governo.

Pior é que eu sempre vejo gente apoiando ele, pelo menos por enquanto, então acho que ele tem chances de no mínimo ser bem votado e incomodar os maiores candidatos. Se ele pode ganhar? Poder pode, ainda mais no atual momento, em que estamos vivenciando uma tendência nacionalista no mundo, onde os povos estão pensando cada vez mais no seu próprio país, nos seus próprios interesses, e menos em outras questões externas. Temos como exemplo a eleição de Mauricio Macri na Argentina (que é de direita), o Brexit, a eleição de Trump, o plesbicito da Colômbia que disse “não” ao fim da guerra com as FARC. Se essa onda conservadora e nacionalista chegar aqui (e de certa forma já está chegando com todo esse apoio a Bolsonaro), e se vier com essa força que está tendo nesses outros países, não é impossível Bolsonaro ser eleito. Seria bom um governo de direita no comando do país para trazer novos ares e ver se conseguem dar jeito à questões que a esquerda não está conseguindo. Mas eu falo de um bom governo de direita, bem planejado e bem fundamentado, e não sei de Bolsonaro se enquadra nisso.

Enfim, nós não temos muitas opções. A esquerda domina os partidos e os políticos, e a direita existe só de nome, mas não atua, não é presente, não faz diferença, não tem força. E ainda se alia à esquerda quando lhe convém. A direita no Brasil não existe, infelizmente, porque isso quer dizer que estaremos sempre reféns de apenas um estilo e uma forma de governo, mudando apenas os partidos. Tudo bem que cada partido pensa diferente, mas uma diferença grande mesmo seria com um governo de direita de verdade.

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