Vida

Engraçado esse negócio de vida. Você vive a sua vida, e ela se torna o seu mundo. Você sai, vai para outro lugar, e a sua vida anda, continua, enquanto a de outra pessoa talvez não esteja movimentada assim, por ela estar em casa ou num hospital. Mas ninguém pensa nisso. Você pode estar num ônibus, cheio de gente, e todos indo trabalhar, mas você pensa só no seu trabalho, nas suas tarefas, nos seus colegas, no seu chefe. Você só pensa no seu mundo. Você pode conviver com uma pessoa, seja ela seus pais, filhos, esposa ou marido, e mesmo que você saiba tudo sobre eles, quando você se separa deles e cada um toma o seu destino para a sua rotina diária, cada um se volta para seu próprio mundo, sua própria vida, onde terão suas próprias experiências, diversões e problemas.

Era domingo, mais ou menos 7:30 da manhã e eu estava dentro do ônibus, indo ao meu destino. No meio do caminho passei por um campo de futebol que ficava dentro de uma praça. Tinha várias crianças lá, brincando. Eu fiquei me perguntando de que horas aqueles meninos se acordaram. Em pleno domingo, eles devem ter se acordado às 6h da manhã, talvez tenham tomado café, e então foram para o campinho, onde tinham marcado uns com os outros para estarem ali naquele dia e naquele horário (ou talvez esse encontro seja diário). Talvez eles fiquem tão ansiosos por isso, que não se importam em acordar cedo num domingo. Talvez eles já estejam acostumados a acordar cedo sempre. Talvez aquele encontro e aquela brincadeira sejam tratados como campeonatos, onde eles disputam uns com os outros e podem ter o gostinho de ser um grande jogador que acabou de ganhar o troféu, depois de ter vencido o jogo.

Vi um menino correndo atrás da bola. Enquanto o ônibus passava rapidamente por esse trecho, tentei me transportar para a mente dele, para o mundo dele. Então me vi correndo rapidamente atrás da bola, pronto para passar para outro, e depois fazer o gol. Fizemos o gol, gritamos, nos agarramos e comemoramos. Parei um pouco para descansar quando vi na pista vários carros e ônibus passando. Eles andavam bem rápido. Num dos ônibus, que era vermelho e estava cheio, consegui ver um rapaz bem magro em pé, se segurando com uma das mãos num ferro vertical do ônibus e com a outra num dos bancos. Ele parecia sério e com um olhar distante. Isso durou uns dois segundos só, enquanto o ônibus passou a toda velocidade. Depois ouvi alguém me chamando. Eram os meus amigos mandando eu voltar para a minha posição para retornamos o jogo.

————

Eu acho que isso é uma crônica. Sim, tive esses pensamentos quando passei pelo campo no ônibus no domingo de manhã, e assim que os tive pensei em escrevê-los e pensei que seria uma crônica. Pesquisei mais uma vez pelo conceito de crônica, dessa vez no YouTube, e parece que ficou mais claro para mim, mas não totalmente, porque cada um dá uma definição diferente. Por isso não tenho certeza se isso é ou não uma crônica, mas de qualquer forma vou considerar que sim para a marcação de categorias e tags desse post.

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