É errado a educação sexual a adolescentes de 13 anos?

Hoje eu li uma notícia que dizia que 150 pais de Rondônia acionaram o Ministério Público para que o livro de Ciências do 8º ano (antiga 7ª série) usado pelas escolas do estado, deixasse de ser usado, porque contém imagens de órgãos sexuais. A queixa é que essas imagens estão muito explícitas.

Na reportagem do link acima você pode ver as imagens do livro. Tem as imagens em melhor qualidade aqui.

Quando eu li essa notícia fiquei meio em dúvida sobre qual era o meu posicionamento sobre esse caso em específico. Eu já disse aqui a minha opinião em outro post sobre o absurdo das cartilhas e livros infantis de educação sexual distribuídos pelo governo à crianças a partir de 6 anos. Mas depois pensei, que nesse caso, os alunos do 8º ano estão na faixa dos 13 anos, e venhamos e convenhamos, adolescentes com 13 anos já não são mais inocentes, não é mesmo? Eu entendo a preocupação desses pais. Existe um desejo de manter a inocência dos filhos pela maior quantidade de tempo possível, mas com 13 anos essa época já passou. Eu não me lembro de ter visto imagens como as desse livro quando eu estava na 7ª série, mas vi algumas bem parecidas quando estava no 1º ano do Ensino Médio, ou seja, só dois anos depois. No meu livro só não tinha a imagem do pênis ereto e nem a parte que ensinam as meninas a examinar as mamas, mas as outras tinha. E no meu livro a 7ª série tinha também.

Existe a preocupação de que essas imagens e ensinamentos possam estimular esses adolescentes ao sexo precoce. Mas sabe, acho que nessa idade não há mais o que esconder, eles já sabem de tudo. Lembro que aprendi (e com certeza hoje em dia ainda deve ser assim) como se gera um bebê na 4ª série (hoje 5º ano). Não demora muito até que essa criança, que já está com 10 anos, comece a puberdade e todos os hormônios e desejos venham à tona. Quando eu estava no final da 5ª série os meninos começaram a ver e compartilhar entre si vídeos pornográficos. Ainda eram coisas leves, mas as pesadas mesmo foi no ano seguinte, na 6ª série, com todos tendo “apenas” 12 anos. O que a sociedade ainda vê como uma criança de 12 anos, na verdade já é um pré-adolescente. Os primeiros hormônios já fazem efeito sobre o corpo e sobre o comportamento. Até os 13 eles ainda têm um comportamento mais infantilizado, mas já não são mais propriamente crianças. Então esses pais estão reclamando que seus filhos de 13 anos estão vendo essas imagens no seu livro de ciências, mas nem devem saber que eles veem coisas piores escondidos. Os pais acharam ruim a imagem de um pênis ereto no livro, mas não devem saber que seus filhos de 13 anos se masturbam e veem o próprio pênis ereto. Parece que esses pais nunca passaram pela adolescência e não sabem como é.

Mas também não adianta dizer que a educação sexual vinda da escola e dos pais resolve tudo. Eu não acredito nisso. Não acredito em quem diz que hoje temos cada vez mais adolescentes grávidas porque elas não tiveram informação, e aí a curiosidade falou mais alto. Oh, coitadinhas! O negócio é o seguinte: com ou sem educação sexual na escola e com ou sem os pais tendo conversas abertas e francas com os seus filhos, a sua curiosidade e o seu instinto de descoberta continuará o mesmo. Eles poderão ouvir várias explicações e ver várias imagens em livros didáticos, mas ainda assim poderão querer ver fotos e vídeos pornográficos. E quanto à gravidez, a única coisa que a educação sexual nas escolas pode ajudar é dizendo que têm que usar preservativo para não pegar doenças sexualmente transmissíveis e não ter uma gravidez indesejada ou antes do tempo. Mas isso não vai impedir que eles vão lá e façam. E também acho ridículo as escolas darem camisinhas aos alunos, porque isso é um estímulo. A educação sexual deve vir de orientações, e não de estímulo. Ao dar camisinha à adolescentes é o mesmo que você estar dizendo: “pode fazer, é bom! Não tem problema, desde que use camisinha”. Isso deturpa os bons valores da sociedade, que infelizmente vão se perdendo a cada ano que se passa.

Já vi também muita gente dizer que os adolescentes engravidam porque não conseguem aguentar, não conseguem se segurar. E eles mesmo ainda justificam que “são os hormônios”. Antigamente quando não tinha esse papo de hormônios, e nem a mesma quantidade de informação que temos hoje, isso não acontecia. Pode perceber que na época dos nossos pais e avós o sexo era feito com responsabilidade e só dentro do casamento. Todos eles passaram pela adolescência e conseguiram segurar as suas vontades, então porque essa geração atual não consegue? É simples: porque não são os hormônios, e sim a liberalização cada vez maior no modo de viver e de pensar da sociedade, que provoca essas mudanças e faz todo mundo ver tudo como coisas normais.

Agora só uma coisa: educação sexual na escola aos 13 anos é aceitável, e diria que é até importante (desde que não se distribua camisinhas ou se faça outros estímulos), mas antes disso não. Ainda continuo com a mesma opinião sobre aquelas cartilhas que o governo chegou a distribuir no passado para crianças, porque aquilo sim é um completo absurdo (e estímulo a algo que as crianças não precisam saber ainda).

É errado a educação sexual a adolescentes de 13 anos?

Uma geração sem criatividade

Algumas vezes a televisão do curso fica ligada no SBT, e então fica aparecendo desenhos. O que venho observado é que alguns desses desenhos são feitos em formato de brinquedos. Exemplos são os desenhos da Barbie, Polly (os desenhos, não os filmes) e Doutora Brinquedos. Todos eles são brinquedos. Se antes a televisão já deixava a criança presa o dia inteiro, e ela já nem sabia mais o que era brincar com seus brinquedos, agora para que brincar se a televisão já mostra brinquedos “brincando” sozinhos? Eles interagem sozinhos, eles criam suas próprias histórias e entregam tudo pronto às crianças. Essas crianças já não precisam mais se dar ao trabalho de usar sua imaginação para criar suas próprias brincadeiras com seus brinquedos.

Essa será uma geração sem criatividade. Porque se já nascemos criativos e vamos perdendo essa criatividade ao longo dos anos enquanto crescemos para nos adequarmos às regras da vida e da sociedade, ao que é feio e bonito, ao que é certo ou errado, ao que é sério ou besteira, agora essas crianças perderão a criatividade mais cedo, porque até o momento da brincadeira, onde ela poderia exercitar a sua imaginação, está sendo tirada. Mas a culpa não é só da televisão, e sim dos pais, que não impõem limites para a quantidade de tempo da televisão, jogos e computador. Muito pelo contrário, eles lhes estimulam a isso para que fiquem quietos e possam ter sossego. Ou então, se colocam limites, deixam a criança sem fazer nada e não estimulam atividades saudáveis para seu crescimento e desenvolvimento. Não sei porque esse povo ainda quer ter filhos, se não querem e não sabem cuidar deles, e se não têm paciência.

Enfim, vejo que o futuro da sociedade está sendo construído de forma errada com as crianças de hoje, graças aos seus pais cada vez mais consumistas, materialistas e egoístas. As bases estão ruins. Os valores não têm importância. Como será a futura geração de adultos que cuidarão do mundo? Medo disso. Acho que não será bom. Mas isso é tema para outra postagem.

Uma geração sem criatividade

Com tanta facilidade e modernidade está difícil controlar o que os filhos assistem

Um dia desses eu estava voltando para casa no ônibus lotado ao meio dia. Fiquei em pé do lado de um menino de aparentemente 11 ou 12 anos que voltava da escola e que conversava com sua mãe, que estava em pé na frente dele. Ele falava sobre séries. Não ouvi a conversa toda, mas ouvi ele falando com muita animação sobre The Walking Dead. Na hora eu pensei que ele era muito novo para assistir essa série, mas o que me surpreendeu mesmo veio depois.

Conversa vai, conversa vem, e ele exclamou:

– GTA? GTA não! Porque GTA é feito Game of Thrones, tem algumas coisas em primeira pessoa.

A mãe dele deu um meio sorriso com uma cara de como se estivesse surpresa e balançou a cabeça negativamente, e perguntou se ele estava assistindo Game of Thrones. Ele sorriu (aquele sorriso de desconfiado e de safadinho) e disse:

– Não! (rápida pausa) Não, eu não tô assistindo não! (rápida pausa) É sério!

E a mãe continuou com a mesma cara. E eu fiquei surpreso com aquilo, porque como pode um menino de 12 anos assistir The Walking Dead e Game of Thrones, que são séries não recomendadas para menores de 16 anos devido à sua violência e cenas picantes de sexo? Nem eu assisto essas séries! A minha reação foi essa (para mim mesmo, é claro):

What - How I Met Your Mother
WHAAAT? COMO ASSIM ESSE MENINO ASSISTE GAME OF THRONES?!

A mãe pode ter feito uma cara de reprovação, mas também não parecia muito disposta a fazer mais nada além disso. É como se ela entendesse que sua parte era apenas dizer: “isso você não pode assistir”, mas caso ele assista, fazer o que né, não tem como evitar. Os pais de hoje em dia estão muito liberais, deixam os filhos fazerem de tudo e não estão nem aí.

Depois desse episódio, num outro dia, uma amiga da faculdade estava com uma sacola da Piticas, uma loja que vende camisas nerds e está se tornando conhecida no Brasil graças aos seus anúncios frequentes no Omeleteve. Ela disse que era para o filho dela, que tem 9 anos, e então ela tirou a camisa da bolsa para nos mostrar, e era uma camisa do Deadpool dos quadrinhos. Eu adverti ela para não deixar o menino assistir ao filme porque tinha classificação de 16 anos, e ela respondeu com um tom de que isso fosse besteira:

– Menino, ele já joga GTA!

Ou seja, se ele já joga GTA, não tem problema nenhum ver um filme com censura mais alta. Provavelmente ele já tinha ouvido falar do filme, já tinha visto os trailers e até mesmo já visto o filme para querer a camisa com a estampa do personagem.

Para os pais que não ligam, tudo bem, mas e para os pais que ligam e ficam de olho no que os filhos estão assistindo? Com a modernidade e facilidade de hoje, fica cada vez mais difícil ter esse controle. Essa geração já nasceu numa época em que ter computador em casa é comum, e as gerações que são ainda mais novas, estão nascendo numa geração em que é normal ter celulares toushscreen de 5 polegadas e tablets. Os pais querem se livrar do aperreio que a criança dá e lhe entrega aos cuidados dos jogos eletrônicos, antes mesmo delas aprenderem a falar. Até onde vai a sociedade no futuro? Como será a sociedade do futuro formada por essas pessoas que foram alienadas desde bebês por seus pais também alienados?

Nascendo com a tecnologia nas mãos, literalmente, a crianças aprendem desde cedo a como usar o computador, e consequentemente aprendem mais rápido os macetes da internet e passam para os seus colegas da escola, o local que constrói e destrói as crianças e adolescentes. Eu por exemplo, aprendi a baixar filmes em torrent com uns 15 anos. Hoje crianças já sabem disso, e sabem também que podem assistir qualquer coisa pela internet, qualquer filme ou série, mesmo que seja inapropriado para ela.

Num mundo tão facilitado para a criança, como controlar? Se você não ensina como fazer, o colega da escola ensina. Se você diz que não vai assistir aquele filme no cinema ou comprar o DVD porque não pode para a idade dele, ele acessa o site e vê. O que fazer? Proibir, bloquear, fazer seu filho ser uma ilha? Acho que essas são opções que trarão os resultados desejados, mas também trarão alguns problemas sociais e emocionais para o seu filho.

Acontece muito da criança ou pré-adolescente nem ter ligado para aquele filme ou série, mas os colegas da escola (sempre uma má influência) falam tanto que ele fica curioso e quer ver também, para poder conversar sobre aquilo com os outros, e fazer parte do todo. Se ele não faz isso, pode sentir-se excluído.

É uma questão complicada. Penso que o ideal é ter uma conversa franca com seu filho falando que não pode assistir determinados conteúdos e explicar o porquê, de forma que ele entenda. Se a educação tiver tido base em valores fortes, como a da religião, isso irá ajudar, com certeza. Mas claro, isso só se o pai ou a mãe ligar, porque se não, não faz diferença. O resultado dessa conversa também não vai ser bom e o filho não a respeitará se o pai ou mãe não for tão presente na vida do filho (leia-se trabalhar o dia todo e deixar ele com a vó, tia, babá, na creche ou com qualquer outra pessoa). Também tem chances de não funcionar se você nunca controlou isso antes no seu filho, que mesmo criança, já tem certa idade. Ele não vai se acostumar fácil com essa mudança brusca, o que também não quer dizer que o pai/mãe não deva sempre tentar.

Com tanta facilidade e modernidade está difícil controlar o que os filhos assistem

Pensamentos inconscientes para o futuro

Às vezes eu tenho a impressão que vou ser um pai atencioso, amigo e carinhoso no futuro. Não sei porque tenho essa impressão e pensamentos, porque hoje eu não sou muito chegado à criança. Não sei me comunicar com elas, não sei que assunto falar, e também não tenho muita paciência. O que eu quero mesmo é ser um pai presente, que sempre estará lá, e também um pai amigo, que tem um bom relacionamento com os filhos.

Talvez essas impressões que eu tenho e que surgem do nada na minha cabeça sejam só a manifestação de um desejo que eu tenho para o futuro, mas que está escondido nas mais profundas partes da mente, de forma que nem eu sei (conscientemente) que quero isso do meu futuro, e de forma que me surpreendo quando me pego pensando assim.

Pensamentos inconscientes para o futuro