E o preconceito com os tímidos nas entrevistas de emprego continua

Eu tô achando você um pouco fechado.

Eu tô tentando imaginar você no atendimento.

Foram essas as frases que ouvi do entrevistador numa entrevista de emprego que fiz há três semanas. Quando recebi a ligação fiquei muito feliz, porque já fazia três meses que tinha colocado currículo em várias lojas do shopping (inclusive nesta) e até aqui nada. Eu tinha deixado de colocar currículos faz tempo justamente por causa das decepções e porque eu tinha passado num concurso e por isso achei que o ideal seria esperar ele chamar. Mas chegou um momento que meus pais começaram a dizer que eu deveria voltar a procurar emprego. Estavam com medo por o tempo estar passando e a Prefeitura não ter chamado ainda (e ainda tem muita gente para ser chamada nesse concurso que eu fiz e o tempo está acabando). Eu já esperava que isso acontecesse durante esse ano de 2017 porque seria o ano que eu estaria completamente sem fazer nada, nem com faculdade eu estaria mais. Eu já tinha tentado outras vezes e eles sabem disso, e não deu certo. Mas, certo, vamos lá tentar de novo. 3 meses se passaram e nada. Já tinha perdido as esperanças quando recebi a ligação do gerente. Era um restaurante de fast food (que não vou dizer o nome para não expor demais, já que esse blog é um lugar público).

Quando cheguei lá tinha eu e mais 6. Ele fez uma entrevista individual com cada um depois mandou responder algumas questões de matemática básica (soma e subtração, com problemas de dinheiro e troco) e responder outras perguntas, algumas delas que ele já tinha feito na entrevista. Na entrevista ele me perguntou sobre minha formação e sobre o estágio que eu fiz. Em determinado momento ele disse: “Estou achando você um pouco fechado. É porque você está nervoso ou é porque você é assim mesmo? Porque às vezes a pessoa fica nervosa na entrevista…” Ele não disse isso num tom de crítica ou de reprovação, mas foi essa a mensagem que ele passou ao dizer essas palavras. Eu já sabia a partir dali que eu já estava desclassificado, que ele não gostou de mim. Engraçado é que eu não estava me achando fechado. Muito pelo contrário, estava me achando aberto. Falei mais do que costumo falar em outras entrevistas, dei explicações que ele nem perguntou e ainda expliquei com certo bom humor de onde veio o meu nome (que ele perguntou, coisa que nunca tinham me perguntado numa entrevista). Estava me esforçando e na minha avaliação eu me saí bem. Mas para ele não. Para ele eu estava fechado.

Depois fiquei pensando porque ele falou aquilo. Demorou muito até eu conseguir ter uma resposta para isso. Talvez tenha sido porque quando ele perguntou se eu gostei do estágio eu disse apenas que gostei, e também quando ele perguntou como era o meu dia a dia e eu disse que era “tranquilo, sou mais caseiro”. O que ele queria mais que eu respondesse? Eu respondi exatamente o que ele perguntou. Provavelmente ele queria que eu dissesse: “gostei do estágio, aprendi isso, isso e aquilo, foi muito bom, uma ótima experiência” e “no meu dia a dia costumo sair, me encontrar com os amigos, jogar bola, jogar vídeo game, etc.”. Fiz essa constatação depois que fiz uma associação entre as perguntas que ele fez e as perguntas que estavam no papel que respondi depois da entrevista. Nesse papel tinha duas perguntas assim: “Fale um pouco das suas experiências. Como elas podem contribuir para a sua entrada em outras empresas?” e “Caso você não tenha experiência, quais suas expectativas para o curto e longo prazo?”. Essa última pergunta inclusive eu já tinha respondido na entrevista. Como a minha única experiência é de um estágio, e que muitas vezes não é contada como experiência de verdade, por não ser na carteira, resolvi responder as duas perguntas. Aproveitei a oportunidade para me expressar melhor e escrever as respostas de forma mais completa do que as que eu tinha dado na entrevista. Mas não adianta. Você pode escrever uma linda redação, mas se a pessoa que está entrevistando não foi com a sua cara, você não vai passar. O que estava no papel era o que o entrevistador queria saber, mas que não perguntou. Quando ele me falou que estava me achando fechado, eu percebi que ele era um extrovertido. Extrovertidos gostam de extrovertidos. Até introvertidos gostam de extrovertidos. Os extrovertidos são demais. Os extrovertidos são os melhores. Os extrovertidos são os únicos capazes de fazer um antedimento atrás do caixa. Quem não for extrovertido não serve, é inútil.

Veja, eu respondi as perguntas da forma que achava que deveriam ser respondidas, e não acho que fiz mal. Só percebi o que ele queria que eu falasse depois de muito pensar, recolhido com minha tristeza, porque até no momento que eu respondi as perguntas do papel eu ainda não tinha percebido isso. Mas aí é que fica: e por que ele não fez aquelas perguntas do papel para mim? Por que ao invés de perguntar “Você gostou do estágio?”, ele não perguntou “O que você aprendeu no estágio que pode trazer para a nossa empresa?”. Eu sei porquê. Porque os extrovertidos respondem a segunda pergunta quando ele faz a primeira. Como os extrovertidos gostam de falar e de se comunicar por natureza, responder uma pergunta que não foi feita mas que pode estar implícita não é nenhum problema. Mas para quem é tímido ou introvertido isso é um problema. Não é que eu só respondi o que ele exatamente perguntou de propósito. Como eu disse, para mim eu estava indo bem, e só percebi que estava indo mal quando ele falou que estava me achando fechado. E eu só percebi o que ele queria que eu respondesse depois de muito tempo e de muito pensar. Passei o caminho todo de volta para casa pensando, e quando cheguei em casa ainda pensei muito para chegar nessa conclusão. Não foi proposital. É porque eu entendo aquilo que é dito, fora o nervosismo da entrevista em si (apesar que eu não estava tão nervoso assim a ponto de me prejudicar por isso). A culpa é dos tímidos? NÃO! Claro que não. A culpa é dos recrutadores e entrevistadores, que têm preconceito com os tímidos, não lhes acham capazes e não sabem fazer uma entrevista com eles.

Se um dia esse post ficar bem visitado e algum entrevistador/recrutador/RH/gerente estiver lendo, quero deixar um recado: APRENDAM a fazer uma entrevista com quem é tímido ou introvertido, pelo amor de Deus! Não esperem que todos se comportem da mesma forma e respondam as perguntas com a mesma facilidade que os extrovertidos. Às vezes você está diante de uma pessoa talentosa, de muito conhecimento e potencial, mas que não lhe dá as respostas que você quer ouvir porque você não fez as perguntas certas. Todo o talento, conhecimento e potencial daquela pessoa podem estar escondidas dentro dela, mas ela não está fazendo isso de propósito, e sim porque ela não sabe se expressar, porque ela é assim, e cabe a VOCÊ, que é o profissional da história e que está trabalhando na área, saber lidar com os variados tipos de pessoas e conseguir tirar delas as respostas que você precisa. Só que é muito mais fácil apenas ignorar os tímidos e ficar com os extrovertidos que falam bonito não é mesmo? Eu já falei disso aqui.

Diante daquela pergunta que o entrevistador tinha me feito, o que mais eu poderia dizer? Não quis fingir e dizer que eu estava nervoso. Disse a verdade a ele: que eu era tímido, mas que com um tempo eu me abria mais. Isso é verdade e é algo que todo mundo que me conhece depois de um tempo sempre me diz. “Jóckisan tu era tão tímido, agora tu ‘melhorou’ muito”. Não meus queridos, eu ainda sou tímido, a diferença é que agora eu já conheço vocês muito bem e me abro mais. É algo natural. Disse ao entrevistador que apesar da minha timidez, ela não me atrapalhava em nada no trabalho. Se eu tiver que atender alguém, vou atender normalmente, e se eu tiver que falar com alguém do trabalho sobre alguma coisa, também vou falar, sem ter medo ou problema nenhum. Então ele disse: “É que a gente tá tendo problema no atendimento das lojas que a gente gerencia aqui no shopping e eu tô tentando imaginar você no atendimento”. Reafirmei o que eu disse. Atendimento não seria problema para mim.

FALA SÉRIO NÉ? Eles estão contratando gente extrovertida para fazer aquele trabalho que não exige nada demais da pessoa? É realmente necessário um extrovertido atrás do caixa para que o atendimento melhore? Você se lembra da última vez que foi a um restaurante fast food se foi atendido com muita atenção e com um sorrido no rosto do atendente? Você se lembra de ter visto ele sendo simpático com você? Não né? Porque o atendimento fica mecânico por causa da rotina do dia a dia e pela necessidade de atender todos os mais rápido possível. Eu posso fazer isso, posso fazer tranquilamente. Se não pudesse fazer, nem o currículo eu teria deixado lá, assim como nunca deixei currículo em empresas de telemarketing, porque sei que nessa área eu não me dou bem. Mas em atendimento presencial e simples, como são os dos fast foods, eu poderia fazer tranquilamente. Mas não, só os extrovertidos são capazes disso. No final ainda disse novamente que a timidez não seria problema, mas estava na cara que não fui convincente.

Fui feliz por finalmente ter aparecido uma entrevista, porque é horrível você espalhar dezenas de currículos nas mais diversas empresas e não receber uma ligação, mas saí triste porque sabia que o entrevistador não tinha gostado de mim e que eu já tinha sido eliminado por causa da minha personalidade. Minha personalidade… Personalidade não é algo que você consegue mudar. Você consegue melhorar os seus defeitos e consegue desenvolver novas habilidades, mas a sua essência continua a mesma. E é a minha personalidade, um dos motivos de eu não conseguir passar numa entrevista ou dinâmica (o outro motivo é falta de experiência). Eu não fico me culpando ou perguntando: “Por que eu sou assim?” ou “Deus, porque o Senhor me fez assim?”, porque sei que não sou anormal. Sei que não sou o único tímido/introvertido da Terra. Sei que existem vários tipos de personalidade. O problema é do mundo, que tem em sua cultura “o ideal da extroversão” (pegando aqui emprestado o termo usado por Susan Cain em O Poder dos Quietos), o que quer dizer que se pensa que as melhores pessoas são os extrovertidos. O problema disso tudo é que se eu depender de emprego, nessa situação nunca vou conseguir. Se eu dependesse apenas de emprego para sobreviver, hoje estaria passando fome e morando na rua (ainda bem que tenho os meus pais hehehe). Ainda bem que eu passei num concurso. Foi graças a Deus que isso aconteceu, porque eu tenho dificuldade de estudar leis, tenho dificuldade em matemática, e já estou de saco cheio de estudar português (achava que só iria ver essas matérias até o Ensino Médio). Ganhando pouco ou não, é isso o que consegui e dou graças a Deus, até porque não estou conseguindo passar em outros concursos. Demorando para ser chamado ou não, eu tento manter a esperança e a fé de que eles irão me chamar. E tem que ser assim mesmo, porque se for depender de emprego em empresa privada… estou atolado, porque o preconceito com os tímidos nas entrevistas de emprego continua.

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E o preconceito com os tímidos nas entrevistas de emprego continua

Resumo de domingo

As provas

Ontem fui fazer o concurso pela qual tanto me preparei. A sensação é que eu não me preparei em nada. As provas (fiz duas, uma de nível médio e uma de superior) estavam difíceis. Nos últimos meses eu estava estudando em casa com umas vídeo-aulas que um colega passou para mim (que outra colega dele tinha comprado e baixado). Alguns assuntos que caíram na prova eu não vi nesses vídeos, e outros eu vi, mas não no nível de detalhes que a pergunta queria. Estudar Direito é um mundo de coisas que parece não ter fim, e por mais que você estude, ainda vai ter coisas que não sabe, e coisas que os professores não dizem porque eles falam apenas o que mais costuma cair em prova (o que já é muita informação por si só). Acho que não tenho chance, e isso é desanimador.

Atualização 17/10/2017: saíram os gabaritos e eu acertei só 19 questões de cada prova (que tinha 50). A pontuação mínima era de 50%, então já estou desclassificado. :/

O caminho de ida

No caminho, vi uns meninos jogando bola num campinho, e então tive um pensamento sobre a vida. Eu fiz um post específico sobre isso.

Fortes emoções

Na prova da manhã vivi fortes emoções nos últimos dois minutos, quando eu ainda tinha as 50 questões para marcar no gabarito. Esse gabarito não era de círculos, como costuma ser, mas sim de retângulos. Eu consegui marcar apenas 7 questões quando acabou o tempo. Me perdi no tempo. Isso nunca tinha acontecido antes, nem mesmo no Enem, que é cheio de questões que são bem longas.

Olhei na sala e só tinha eu e mais dois. Um deles entregou e ficou só eu e outro. Eu olhei para a moça e perguntei se eu não podia apenas marcar o gabarito. Ela olhou para a porta e disse: “Eita, a coordenadora acabou de passar ali. Não precisa preencher tudo não, faz só um traço, rápido!”. Aí eu disse: “Mas a máquina vai conseguir pegar se for só traço?” e ela disse que sim. Então fiz, e enquanto fazia os traços ela ia dizendo “isso, isso, vai, vai!”. Fortes emoções mesmo! Só tenho minhas dúvidas se esses traços serão considerados pela máquina na hora da leitura, porque pelo que sei, não pode. Os quadrados (ou círculos) devem ser totalmente preenchidos. Acho que já posso me considerar desclassificado dessa prova da manhã. Mas mesmo assim fiquei agradecido pela fiscal ter sido legal comigo e ainda ter me dado essa chance, que foi melhor do que entregar o gabarito só com 7 questões marcadas, e aí sim, ter a total certeza de que fui desclassificado (e agradeci a ela no final, claro).

Na prova da tarde me orientei e tomei juízo, e marquei o gabarito antes de começar a redação. Pela contagem do tempo que a fiscal (outra fiscal, porque essa prova foi em outro lugar) dizia, eu demorei meia hora só marcando os quadradinhos. Negócio demorado, viu! A redação consegui acabar faltando dois minutos, em cima da hora, mas dessa vez não foi um vexame como de manhã. Apesar que fiz com pressa, senão não teria dado tempo de novo.

Resumo de domingo

Tirinha - Charles Schulz - Peanuts

Fonte: Depósito de Tirinhas (por Charles Schulz www.peanuts.com/)

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Comentário 1: Às vezes é só o que nos falta né? Um elogio ou um amor…

Comentário 2: Esses dois primeiros quadrinhos representam o meu ânimo de vida ultimamente. É ruim quando tudo o que você faz parece não dar certo.

Comentário 3: Essa tirinha é beeem antiga. Olha os traços dos personagens como eram diferentes dos de hoje! (para quem não reconheceu esse aí é Charlie Brown, o personagem principal de Peanuts, junto com Snoopy).

Imagem

Eu não estava exagerando

Há 2 anos atrás escrevi uma postagem sobre como o sexo é visto como algo comum hoje em dia, e como essa palavra é usada na mídia sem nenhum problema, como se fosse algo corriqueiro e normal, que faz parte do dia a dia, como tomar banho, por exemplo. Eu fiz comparações com o passado e algumas previsões sobre o futuro, e disse que tinha medo do futuro pelo que ele pode nos reservar. E de vez em quando eu venho usado a frase “eu tenho medo do futuro” em outras postagens, porque o que vejo é que o futuro que nos espera e a “evolução” da sociedade caminham para um estado de cada vez mais imoralidade e depravação. É como se estivéssemos caminhando para a beira de um precipício. O post em questão é esse aqui:

Escrevi esse post na época que esse blog ainda era um Tumblr, e depois que vim para o WordPress e revisei todos os posts, resolvi deixar ele como privado (o único privado), porque achei que as previsões que fiz eram fortes e fantasiosas, que talvez fosse só coisa da minha cabeça, e que eu é que estava com a mente poluída. Pois bem, agora ele está público de novo, porque saiu anteontem uma notícia que me fez perceber que eu não estava exagerando sobre minhas ideias em relação a como o sexo será apresentado às crianças no futuro. Não sei se me sinto aliviado por isso, por perceber que essa não foi uma ideia poluída minha, ou preocupado. Acho que é um misto dos dois.

A notícia é a seguinte:

E tem mais algumas fotos aqui.

Ao ler a notícia você vê que:

  1. Museus do Brasil estão trazendo uma apresentação em que um homem fica completamente nu e onde a platéia pode interagir com ele, tocando-o e movendo-o.
  2. A apresentação é livre para todos os públicos, e a única coisa que o museu faz é avisar que tem nudez na peça.
  3. Isso quer dizer que crianças também podiam ir e interagir com o homem nu, tocando nele.
  4. Isso está sendo feito com dinheiro público.
  5. O museu se defendeu, dizendo que as pessoas estão deturpando a peça, que nada tem a ver com pedofilia. Para o museu isso é arte.

Essa é a segunda polêmica recente sobre o conteúdo de exposição de “arte” em museus. O outro foi a Queermuseu, exposição promovida pelo Santander, que mostrou quadros de zoofilia, pedofilia e de zombaria ao Cristianismo (veja os quadros polêmicos aqui e aqui).

Essa apresentação não é exatamente o que eu disse que poderia acontecer no outro post, mas já pode ser considerado um primeiro passo. Se hoje já existem livros infantis que ensinam o que é sexo e como se faz, e que é cheio de desenhos, que são bem explícitos, e se agora também existem apresentações em que as pessoas se apresentam nuas e o público é variado, tendo até crianças, não seria uma completa surpresa se um dia vermos vídeos e/ou apresentações ensinando na prática para as crianças como se faz sexo. E eu não sou o único e pensar assim. Os tweets que vou colocar abaixo é de um perfil que eu sigo no Twitter, de Álison Theodoro, e ele ficou revoltado com essa apresentação (não é para menos):

Agora, olhando sob um outro ponto de vista, aquela “modernidade” que eu falei na outra postagem influencia as famílias a verem coisas como essa como normais. Se tinha crianças lá, é porque a mãe tinha levado, como a notícia diz. Com certeza a mãe tem um pensamento liberal quanto a esse assunto e por isso levou a sua filha e deixou ela tocar o homem nu. Nesse caso, falar mal da apresentação e do museu não vai adiantar, porque pessoas como essa mãe estão cada vez mais comuns, e essa maneira de pensar, em que tudo é normal está cada vez mais normal na sociedade. É uma viagem sem volta. Acho que se alguém quisesse assistir a uma peça ou exposição desse tipo, que fosse, ele tem esse direito, mas que fosse um evento para adultos, e não para crianças. Mas se o jeito “moderno” é justamente criar essas crianças para terem uma visão diferente das coisas (como o corpo nu, as relações sexuais, a homossexualidade, etc.), o que essa mãe fez foi algo normal para ela. Um exemplo: hoje em dia você vê que existem famílias que praticam nudismo/naturismo. Com uma rápida pesquisa na internet você encontra esses relatos, e todos fazendo isso como algo normal, libertador e benéfico para a criança. Você vê pais que dizem que ficam nus em casa com os filhos, que tomam banho com eles, que frequentam praias e clubes de naturismo. E pelos relatos, me parece que as crianças não ligam para a nudez, e até gostam. Gostam porque não tem nenhuma espécie de abuso, porque é um programa diferente e divertido para elas. Por serem criadas com essa prática desde pequenas, elas passam a ver o corpo nu como algo normal e que não precisa de vergonha. Os naturistas dizem que as pessoas não devem sentir vergonha do seu corpo, porque é só um corpo e todos são iguais. Dizem que essa prática ajuda as pessoas a vencerem seus medos e preconceitos sobre o corpo, e que a criança não crescerá com vergonha porque desde pequena já foi acostumada assim. Na teoria é tudo bonito, mas eu tenho minhas dúvidas sobre como isso pode afetar ou desenvolver precocemente a sexualidade da criança. Apesar dessa ser uma prática estranha, devemos considerar que se uma família tem esse costume, ela vê isso como normal. Supondo que as crianças que estiveram nesse evento do museu sejam de uma família que pratica nudismo ou naturismo, ou que talvez nem tenham essa prática, mas que venha de uma família mais liberal nesse quesito, aquilo não foi considerado pedofilia por elas, muito pelo contrário, foi uma forma de educar.

Não estou defendendo a família das crianças que estiveram presentes no museu, não de jeito nenhum. Acho que esse é um jeito errado de criar os filhos, é um estímulo a curiosidade de coisas que geralmente eles não teriam na sua idade, e um estímulo a sexualidade. Mas o que quero dizer é que a culpa não é só do museu e da apresentação, mas também dos pais que levaram seus filhos para ver essa exposição, mesmo sabendo que tinha nudez. Os pais também são responsáveis, porque eles é que devem cuidar da educação das crianças e determinar o que ela pode e não pode ver. Mas se os pais levaram essas crianças, é porque eles quiseram, é porque eles concordam, e é porque eles acham que a nudez é normal e isso é algo que eles querem passar para os seus filhos. É por isso que levantei essas hipóteses sobre os pais, porque o “jeito certo” ou “normal” das coisas é muito relativo, depende de cada um, e esse liberalismo vem da “modernidade” dos tempos.

O que fazer então? Nada. Não tem o que fazer. Esse texto foi só para dizer duas coisas: 1) eu percebi que a minha previsão não foi um exagero, como pensei durante esses 2 anos, e que estamos caminhando para que um dia ela se torne realidade. O futuro é sombrio. E a tendência é só piorar, porque hoje ainda existe uma parcela de pessoas que não aceita exposições como essa e a do Santander, mas que acho provável as próximas gerações (os que são as crianças e adolescentes de hoje) aceitarem no futuro. 2) não adianta culpar só as instituições. A culpa é da própria sociedade, que está mudando seu jeito de pensar e de se comportar sobre determinados temas. A base da sociedade é a família, que está criando seus filhos para terem esses pensamentos liberais, e esses filhos de hoje é que serão os adultos de amanhã, que darão continuidade ao ciclo.

É triste ver o que estão fazendo com as crianças. É triste ver os rumos da sociedade. Não é como se nunca tivesse existido imoralidade no mundo. Não, eles existem desde que mundo é mundo, mas parece que as coisas estão ficando piores agora. E se alguém discordar desse jeito novo, é criticado, como eu já falei nesse post. Criança é criança, e deveria ser mais como as de antigamente: apenas brincar, se divertir, não se preocupar com mais nada e não ser estimulada à sexualidade. Ao invés de querer dar essa “educação” precoce, os pais e professores deveriam ensinar às crianças valores importantíssimos como amar uns aos outros, ajudar uns aos outros, não roubar, ser honesto, ter respeito um pelo outro, mesmo que não concordem (porque a tolerância que é ensinada às crianças hoje é só em relação a cor de pele e orientação sexual, mas não em relação a opinião) e tantos outros. Mas não é isso o que está acontecendo hoje. Está acontecendo exatamente o oposto do que descrevi nesse parágrafo. A educação é só em relação à sexualidade, esse é o item mais importante da educação de hoje. E em todo o resto as crianças são criadas como reizinhos que recebem tudo o que querem, que o mundo gira ao seu redor, ficando cada vez mais individualistas e egoístas. Imagine como serão essas crianças quando forem pais, imagine a sociedade do amanhã. Mais uma vez, dá medo do futuro, e a culpa é da deturpação e “modernização” da sociedade de hoje, que inverte os valores fundamentais.

Tirinhas sobre os valores ensinados às crianças:

Tirinha valores ensinados as crianças

Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (1)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (2)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (3)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (4)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (5)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (6)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (7)Tirinha - Valores ensinados as crianças - Quino (8)

Fonte das tirinhas: Mentirinhas e Thiago Pena
Eu não estava exagerando

A ditadura do politicamente correto (Ou: os gays podem fazer tratamento se quiserem)

Politicamente Correto

Certo, esse é um tema polêmico, muito polêmico, e bem sensível de ser falado nos dias de hoje, onde o politicamente correto domina e você não pode dizer um “a”, que se alguém se sentir ofendido já é motivo para problematizar e criar longas discussões sobre o que é certo e o que não é.

Recentemente saiu a notícia de que um juiz federal deu permissão aos psicólogos para que pudessem tratar os homossexuais que lhe procurassem. É a famosa “cura gay”. Isso, como já era de se esperar, gerou aquela polêmica, e as pessoas logo começaram a dizer: “isso é um absurdo!”, “ser gay não é doença!”, “estamos regredindo!”“estamos de volta aos anos 1800!”, “já estou vendo as caravelas de Pedro Álvares Cabral daqui!”, “daqui a pouco teremos a volta da escravidão!”, etc. Mas o que esses desinformados barulhentos parecem não saber, talvez porque não queiram ver ou talvez porque não queiram saber, porque as matérias que eu li, como essa do link acima está bem claro, é que o juiz não disse que a homossexualidade (ou homossexualismo, dane-se) é uma doença. Em momento nenhum ele disse isso. O que ele disse é que se o homossexual VOLUNTARIAMENTE procurar um psicólogo para tratar disso, ele poderia, e o psicólogo poderia fazer isso sem ter medo de ser descoberto e punido, porque desde 1999 que esse tratamento é proibido no Brasil.

Mas o Conselho Federal de Psicologia (CFP) não gostou da decisão e disse que vai recorrer, porque homossexualidade não é doença, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera assim desde 1990.

É interessante notar que o grupo LGBT luta para ter direitos iguais, se dizem uma minoria e buscam respeito e igualdade. Até aí tudo bem. O problema é que a forma que eles querem que as coisas aconteçam é criando preconceitos com os conservadores e religiosos, querendo leis que beneficiem o seu grupo em detrimento de outros, e que punam até as pessoas que eles achem que estão olhando torto para eles. Eles querem combater o preconceito criando mais preconceito, eles querem combater a intolerância, criando mais intolerância, sendo que do outro lado da moeda. Eles querem ter suas liberdades, mas querem oprimir os que têm opiniões diferentes das deles. Você não pode mais discordar de qualquer coisa considerada “moderna” que logo é taxado de conservador num sentido pejorativo, de preconceituoso ou de homofóbico.

Politicamente correto - tirinha

Os ativistas gays não aceitam que a homossexualidade é uma doença. Ok, eles tem o direito de pensar assim. O CFP e a OMS também. Mas e quanto aos homossexuais que não acham que ser gay é normal? E quanto aos homossexuais que querem fazer um tratamento? Para o grupo LGBT, para o CFP e a OMS, eles devem ser proibidos não só do tratamento, mas também até de ter essa ideia passando pela sua cabeça. O que esses grupos “modernos” querem é fazer uma ditadura. Uma ditadura de ideais, que só vale as pessoas que pensam como eles. Eles pregam a liberdade, mas desde que seja dentro dos seus moldes. Eles querem que todos deixem de ofendê-los, mas eles podem ofender os outros, se quiserem. Eles querem ter direitos, mas para os que discordarem, os direitos devem ser retirados. Isso é uma ditadura, é a ditadura do politicamente correto.

O negócio é que não vivemos numa ditadura, e sim numa democracia, e com liberdade de opinião. Desde que não se ofenda ninguém, a opinião é válida e deve ser respeitada. Daqui a pouco, graças a essa ditadura do politicamente correto, você não poderá emitir as suas opiniões sem escandalizar alguém a ponto de ser preso. Você não poderá mais ser livre para falar o que quiser, mesmo que não ofenda ninguém, porque a única liberdade que restará serão aquelas que concordarem com os rumos da humanidade.

Exatamente o que eu disse nos tweets acima: democracia. Se alguém for gay e achar que precisa de ajuda, por que impedir? O grupo LGBT, o CFP, a OMS e companhia limitada vão querer obrigar todo mundo a pensar que ser gay é normal? Vão querer obrigar até os próprios gays que acham que precisam de ajuda a pensar assim? Será que eles não têm o direito de procurar ajuda se quiser?

Ninguém tá dizendo que ser gay é uma doença. Ninguém tá dizendo que a decisão da Justiça obrigará os gays a se tratarem, e ninguém tá dizendo que os gays serão internados a força, como loucos. O que a Justiça fez foi garantir as liberdades individuais, foi garantir o direito de escolha, a democracia. SE o gay QUISER poderá procurar ajuda. Não tem porque impedir isso. A escolha é dele. Então porque toda essa briga para obrigar todos a pensarem igual? Porque essa ditadura de pensamentos e ideias, do politicamente correto? O juiz tomou uma decisão sensata, e espero que as próximas instâncias a jugarem esse caso também sejam.

Fonte das imagens: Instituto Liberal e Acerto de Contas.
A ditadura do politicamente correto (Ou: os gays podem fazer tratamento se quiserem)

“É muito bom fazer o que gosta”

Essa frase foi dita pelos pais do namorado da minha irmã em conversa com os meus pais. Eles se referiam ao seu filho, namorado da minha irmã, que está fazendo Teologia, e disseram que ele está gostando muito. O namorado da minha irmã não dava para nada. Era ruim em estudos, já tinha sido reprovado duas vezes na escola em séries diferentes, e sempre tirava notas baixas. Ele não consegue se concentrar em nada, e nada interessava ele. É por isso que ele estava fazendo o 3º ano do Ensino Médio com 19 anos. E para completar, ele reprovou de novo. Aí foi fazer um supletivo. Em compensação, na igreja ele era muito dedicado. Realmente gostava de tudo o que fazia. Lia a Bíblia, lia outros livros bíblicos, tinha bons conhecimentos doutrinários, cantava, pregava, e ainda sabia tocar alguns instrumentos. Quando uma igreja nova abriu em outra cidade, ele foi lá ensinar aos jovens a tocar os instrumentos e ajudar a organizar a banda. Ele sabe lidar com as pessoas, é simpático, puxa assunto com todo mundo (apesar que eu acho que ele fala demais e é extrovertido ao extremo). Ele e seus pais já tinham percebido essa sua vocação para a igreja, mas preferiam que ele fizesse alguma faculdade antes de Teologia, para que no futuro ele não dependesse só da igreja para o seu sustento. Mas não teve jeito, ele não conseguia. Então decidiram que o melhor à fazer era mandá-lo para a faculdade de Teologia, em Goiás. E ele está gostando.

Que bom para ele, porque eu nunca fiz nada que realmente gostasse. Escolhi fazer Administração por causa de um curso de 1 ano que eu tinha feito e tinha gostado. O nome do curso era “Administração Prática”, e realmente o negócio era prático. Os professores não ficavam falando de teorias e teorias que não iríamos precisar. Era tudo concentrado em casos que poderiam acontecer na prática. O curso era dividido em 3 módulos: RH (que por incrível que pareça, eu não dei na faculdade, mas sei que se tivesse dado não seria tão prático assim), Contabilidade (dei na faculdade, mas foi muito básico. Arrisco a dizer que aprendi mais nesse curso do que na faculdade) e Marketing (dei na faculdade, mas foi muito teórico). Eu gostei muito desse curso, então por isso escolhi fazer Administração na faculdade. Era a melhor escolha que eu tinha para fazer, porque não me identificava com nenhuma outra profissão. Eu não era bom em matemática para tentar algo de Exatas, como Engenharia, e também não queria ser professor, para tentar algo de Humanas. Então o que fazer? Administração. E como eu já disse aqui, a faculdade é muito teórica. Vemos muitas coisas que são desnecessárias para a prática. Você estuda, por exemplo, teorias de Estoque, Logística e Administração de Materiais, que eu achei bem chatas, porque sabia que se entrasse numa empresa para trabalhar num estoque ou num almoxarifado, eu iria ser treinado e teria um computador para eu acessar o sistema e conferir tudo. Não precisaria saber daquelas teorias e me lembrar de cada conceito em cada coisa que fosse fazer no trabalho.

E também teve o estágio que eu fiz, que apesar de curto, me deu uma boa visão sobre como funciona uma empresa e como é a rotina administrativa. Hoje posso dizer que com certeza, trabalhar no escritório, com um computador e papéis é o trabalho que mais combina comigo e com a qual eu mais me identifico, mas eu não chego a dizer “eu amo o que eu faço” ou “eu faço o que gosto”. Eu não amo. Eu não gosto GOSTO realmente do que faço. É só o trabalho que mais me identifico. Na verdade acho que o trabalho de auxiliar administrativo é bem operacional e monótono, mas também não é que eu prefira trabalhar em algo mais perigoso ou que me faça ter que resolver problemas diferentes todos os dias. O negócio é que se trabalho fosse bom ele não teria esse nome.

Mas sem querer parecer prepotente, às vezes acho que eu nasci para ser chefe. Não tenho voz ativa dentro de um grupo de trabalho de escola ou faculdade, e é difícil eu conseguir convencer alguém, mas quando eu consigo, e quando as coisas saem do jeito que eu planejei, geralmente o resultado sai muito bom. Pode parecer que estou me gabando, mas conheço e reconheço os meus defeitos, mas também as minhas qualidades. Acho que essa sinceridade é importante para você se conhecer melhor e poder tirar o maior proveito das suas habilidades e poder melhorar nas deficiências. Vou dar um exemplo: na época do Ensino Médio era bem difícil eu conseguir convencer as pessoas sobre as minhas ideias (na faculdade, apesar de todos os problemas, principalmente na fase do TCC, tive a sorte de ter um bom grupo, que eram boas pessoas, e por isso conseguia conversar mais com o grupo e tomar decisões em conjunto). Em trabalhos de escola nada do que eu falava ou sugeria era aproveitado. Teve apenas duas vezes que consegui fazer duas apresentações de Geografia do jeito que eu queria, e elas ficaram tão boas que depois o professor me elogiou. De todas as outras vezes que tinha apresentação de Geografia (e tinham muitas) eu não tinha tomado decisão nenhuma, e o resultado era ruim. Todo mundo lia o papel ou o slide.

Outro exemplo que eu posso dar, também no Ensino Médio, foi quando eu tentei falar algo uma vez na questão da formatura e ninguém quis dar bola. Eu tinha uma colega extrovertida e que falava alto (o tipo que todo mundo sempre ouve e considera suas opiniões, ao contrário de pessoas introvertidas, caladas e que geralmente falam baixo), e eu disse a minha ideia a ela. Então ela falou bem alto e todos não só escutaram, como pareceram considerar o que ela disse, sendo que eu já tinha dito aquilo e ninguém ligou (eu não falei bem alto para todos ouvir, mas falei com os representantes, que eram quem tomavam as decisões).

Outro exemplo que posso destacar é sobre o próprio TCC: eu era meticuloso com os detalhes, porque o professor exigia que esses detalhes fossem colocados, ou então mandava refazer. Acontece que às vezes a preguiça e pressa tomava conta do grupo e elas não queriam colocar. Era preciso eu insistir muito para que escrevêssemos um pouco mais. Quando o professor via, dizia que estava bom, e quase nunca mandava reescrever. Eu vi muitos grupos que perdiam muito tempo e ficavam com raiva do professor porque quando mostravam a ele, ele mandava fazer de novo. Aconteceu isso com a gente também, mas não na mesma quantidade que eu via acontecendo com os outros grupos. E quando eu queria escrever algo que só eu tinha entendido ser daquela forma e todo mundo tinha entendido o contrário, quando perguntávamos ao professor ele confirmava que o jeito que ele queria e tinha falado foi aquele que eu tinha dito e que era a forma que já estava escrito no TCC, novamente por insistência minha.

Isso me faz pensar que sou bom em organizar, planejar, delegar e cobrar resultados. Isso é liderança. Mas na faculdade eu não era líder do grupo, porque ninguém me reconhecia como tal. Era só um membro, como todos. Numa empresa, tendo um cargo de chefia, talvez esse reconhecimento aparecesse e eu pudesse desempenhar essa função melhor do que na época da faculdade.

Mas é claro, ninguém começa por cima. Você tem que começar por baixo, e esse é o certo. Eu mesmo não desejo começar por cima. Quero começar por baixo, conhecer a empresa, as operações, ganhar conhecimento prático e experiência para poder merecer um cargo, até porque se chegasse lá em cima logo de cara não saberia fazer nada e iria ser um desastre. Esse é um motivo por eu ter sonhado tantas vezes por um emprego na McDonald’s ou outras redes de fast food, porque elas dão chance de crescimento. Além de pegarem pessoas sem experiência, você ainda teria um emprego numa grande empresa que aproveita os profissionais. Melhor que trabalhar de auxiliar administrativo numa empresa pequena ou média e morrer naquela mesma função (porque em setor administrativo em empresas pequenas ou médias é difícil crescer, já que muitas vezes o seu chefe já é o próprio dono, como no caso da empresa em que estagiei, que era de médio porte e o dono era o diretor do setor financeiro, onde eu ficava com os outros funcionários). Mas infelizmente eu não consegui emprego nem na McDonald’s e nem em outras empresas de fast food e do comércio, e não foi por falta de tentativas.

Por outro lado, tudo o que eu disse foi uma idealização, algo que eu penso como um sonho que poderia dar certo. Mas a verdade é que sou muito inseguro, e essa é uma característica que um chefe não pode ter. Talvez eu seja inseguro pela minha falta de experiência, ou talvez essa seja uma característica minha que precise ser trabalhada (ou as duas coisas).

Agora só me resta esperar para que o concurso que eu passei finalmente me chame. Estou tentando manter as esperanças, porque o tempo está passando e ainda faltam muitas pessoas para serem chamadas. Esse concurso não é grande coisa, mas agradeço a Deus por essa porta aberta, e que com certeza será um ótimo início, para que quem sabe eu possa melhorar um dia (tendo um negócio próprio, porque onde vou trabalhar não tem plano de cargos e carreiras, infelizmente, então se eu ficar lá, vou me aposentar lá, no mesmo cargo).

Eu só espero que um dia eu consiga ter um negócio próprio bem sucedido, ou pelo menos ter um emprego que eu possa dizer que goste dele (ou as duas coisas, se for possível rs).

“É muito bom fazer o que gosta”

Medos de coisas que podem virar realidade

Confesso, eu tenho medo de agulha. Não gosto de levar injeção e nem de tirar sangue. Dizem que é só uma picadinha, mas o que eu sinto é dor. Fico mal quando tenho que fazer uma dessas duas coisas. Esses dias fui no laboratório levar meu mijo minha urina para um exame, e só de entrar lá e sentir aquele cheio de vacina, seringa e álcool já me senti mal. No outro dia, quando fui pegar o resultado, tive que aguardar, e a pessoa que chamava para entregar o resultado, era a mesma que chamava para fazer exame de sangue (e na mesma sala). Eu fiquei um pouco nervoso com isso. Mesmo sabendo que eu não estava ali para fazer exame de sangue, parecia que estava, porque tinha todos os elementos: o laboratório, aquele cheiro característico no ar, a chamada naquela sala e a espera. Quando finalmente peguei o meu exame, fui embora e me senti aliviado.

Se tenho medo de agulha, também não gostaria de nunca ter que fazer uma cirurgia na minha vida. A minha mãe disse “cuidado não!”, e disse que as coisas que a gente mais tem medo é o que termina acontecendo. Ela deu o exemplo da minha avó, sua mãe, dizendo que o maior medo que ela tinha era de câncer. Ela nem sequer dizia essa palavra e sempre se referia a ela como “aquela doença incuravi” (antigamente a crença popular dizia que quem dissesse a palavra “câncer” poderia contrair a doença). O que aconteceu é que ela terminou tendo câncer e morrendo disso.

Eu acho que às vezes acontecem sim essas coincidências nas nossas vidas, de o que temos mais medo na vida se concretizar, mas acredito que não deve ser sempre. De qualquer forma, eu disse a minha mãe: “então vou passar a ter medo de ter que ir trabalhar. Quem sabe assim eu não consigo um emprego?”.

Medos de coisas que podem virar realidade