O dia em que o português se adequará ao modo brasileiro de falar

Eu gostaria de ver o dia (se é que ele vai existir) em que no português vai se adaptar ao jeito brasileiro de falar. Nesses 516 anos de Brasil a língua portuguesa mudou muito por aqui por causa das influências dos indígenas e dos africanos. Hoje ele continua sofrendo influências de outras línguas, principalmente do inglês. Não só o nosso português de hoje é diferente do tempo em que o Brasil foi descoberto, ou ainda, diferente do português de 1 século atrás (basta ver a linguagem rebuscada dos nossos livros literários), como também é diferente do português de Portugal. Tanto é, que o nosso português é chamado de “Português Brasileiro” para diferenciar do de Portugal. Mas de vez de assumirmos as nossas diferenças e fazermos uma gramática independente da de Portugal e baseada na forma que falamos e na nossa cultura, fazemos acordos ortográficos, como o de 2009, para engessar ainda mais a língua, com o objetivo de deixá-la uniforme. Mas para que essa uniformidade? Isso não nos beneficia em nada, beneficia apenas os gramáticos, que são os únicos que devem falar corretamente o dia todo (imagine como deve ser chato falar com uma pessoa dessas). Só servem para encher os seus egos por terem o poder de dizerem o jeito “certo” de falar. Mas para a população em geral o Português é uma matéria chata com a sua grande quantidade de regras (claro que existem as pessoas que gostam) que não são usadas no dia a dia, e muitas vezes nem em comunicações escritas e formais, a não ser que passe por um revisor formado em Letras. São regras que não correspondem à realidade da língua falada. Até quando isso vai durar?

Nem preciso pegar um exemplo de regra gramatical para exemplificar o que estou dizendo. Vou pegar apenas um exemplo simples: o “vós”. Ninguém usa o vós. Então por que ele continua existindo? Ele deveria ser substituído pelo “vocês”. E a conjugação dos verbos com o pronome “tu”? Deveria ter uma alternativa de conjugação diferente, e ainda ser permitido o “você”. Mas o “vós” e a conjugação atual do “tu” não deveriam ser esquecidos para que quando as pessoas lessem textos antigos em que se usam essas conjugações, como a Bíblia, entendam o que está sendo dito. Mas eles devem ser ensinados como algo antigo, que não se usa mais hoje em dia, porque agora a forma de falar é outra. Para exemplificar, a conjugação dos verbos deveria ser assim:

Presente

Informal (e como devia ser) Formal (como é)
Eu faço Eu faço
Tu/Você faz Tu fazes
Ele faz Ele faz
A gente faz / Nós fazemos Nós fazemos
Vocês fazem / Vós fazeis Vós fazeis
Eles fazem Eles fazem

Pretérito imperfeito

Informal (e como devia ser) Formal (como é)
Eu fazia Eu fazia
Tu/Você fazia Tu fazias
Ele fazia Ele fazia
A gente fazia / Nós fazíamos Nós fazíamos
Vocês faziam / Vós fazíeis Vós fazíeis
Eles faziam Eles faziam

Certo, esses dois exemplos já bastam. Percebam que as conjugações da coluna esquerda mostram o jeito que a gente fala, que é um modo mais simples de falar, mais fácil de ensinar e aprender, e mais natural do que a que a gramática diz que é certa. Na semana passada ouvi dois professores de português dizerem que “a língua é viva”, e que ela se adéqua às mudanças no modo de falar das pessoas. Eu não acredito nisso, senão, não só a conjugação de verbos teria mudado, como também várias regras gramaticais de regência e concordância também já teriam. A gramática e os gramáticos só aceitam uma mudança quando eles querem, quando lhes é conveniente. Quando não, continua do jeito que está, se não pior. Não estou dizendo aqui que as regras devem ser tiradas de vez da gramática e que o nosso modo de falar deve ser simplório, mas sim que muitas regras são desnecessárias e não são usadas na prática, e essas sim deveriam desaparecer. Estou dizendo que a gramática deveria se adequar ao jeito brasileiro de falar português, se tornando assim, algo mais real para nós, brasileiros.

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O dia em que o português se adequará ao modo brasileiro de falar

Ter filhos traz felicidade? (Ou: A infelicidade vem das obrigações)

Eu tava lá pesquisando algo sobre os métodos educacionais, quando achei um texto do blog Escreva Lola Escreva, em que Lola, a autora do blog, comenta um estudo científico publicado na revista New York que fala que filhos não traz felicidade, muito pelo contrário, deixa as pessoas mais infelizes. No blog, Lola fala que é casada, não tem filhos e se sente feliz. Ela não diz em nenhum momento que você não deve ter filhos, apenas diz a sua opinião pessoal e comenta a pesquisa da revista. Como a reportagem da pesquisa está em inglês, recomendo que você leia o texto do blog dela, para ter uma ideia do que se trata e também conhecer a sua opinião:

Também aconselho a ler os comentários para você conhecer as opiniões das outras pessoas sobre o tema.

Depois que li os comentários percebi uma coisa: muita gente tem filhos por imposição. Pois é, aquela velha imposição da sociedade. Quando você está namorando há um bom tempo, as pessoas perguntam: “quando vocês vão noivar?”, quando estão noivas, perguntam: “quando vão casar?”, e quando casam, perguntam: “quando vão ter filhos?” e os pais perguntam: “quando vão me dar um neto?”. Elas não estão com más intenções em cima de você, mas isso termina lhe pressionando a fazer o que elas querem logo porque você não aguenta mais ouvir essas perguntas.

E a sociedade como um todo lhe pressiona, lhe olhando diferente se você não faz parte do padrão. Um exemplo disso é a questão do casamento. Você é obrigado a casar, senão é mal falado, ou no mínimo, as pessoas te olham diferente.

A sociedade também pressiona os adolescentes quando lhe perguntam se eles já sabem “o que quer fazer da vida”. Vish, isso chega a ser desesperador, porque é uma dúvida muito grande. Tem gente que decide mais rápido, mas tem gente que não.

É por causa dessas pressões das pessoas e da sociedade (que não é algo exclusivo do Brasil), que as pessoas são mais infelizes. Não é questão de ter filhos ou não, mas de ter que fazer alguma coisa porque todos cobram e porque é normal. Quando você faz uma coisa que não quer, ou que de certa forma quer, mas que foi imposto a você, quase como uma obrigação, você se torna infeliz. E é por isso que muitas pessoas ao terem filhos ficam mais estressadas e mais infelizes.

É claro que tem também a questão da qualidade de vida de um país. Na pesquisa é falada que na Dinamarca as pessoas não ficam mais infelizes ao ter filhos, elas ficam mais felizes, e o motivo é que lá as pessoas trabalham menos, largam mais cedo, passam mais tempo com os filhos, existem creches de qualidade, a licença maternidade é de um ano (UAU!!!), e o pai ainda tem direito a licença paternidade também. O governo ajuda ao fazer leis que beneficiem a família, ao invés do trabalho. Lá na Dinamarca a família vem em primeiro lugar. Já em países como os Estados Unidos, onde o trabalho é a prioridade, as pessoas ficam estressadas e sobrecarregadas com seus filhos. Na Dinamarca também tem a questão de que não existe a imposição dessas regrinhas sociais. As pessoas são livres para serem quem são e tomarem suas escolhas sem ninguém falar mal. Isso ajuda muito.

Mas também tem uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, se as leis fossem mudadas para que a família fosse priorizada, provavelmente não surtiria o efeito desejado por décadas. Só depois de algumas gerações é que a cultura do trabalho como prioridade poderia ser mudada.

De forma resumida, como uma das pessoas dos comentários de Lola disse, “filho não deve ser tratado como uma fonte de felicidade”, porque ele também lhe trará muitas dores de cabeça. Quando você sabe disso, e toma uma decisão consciente, sabendo do que passará pela frente, você terá mais chance de aproveitar a parte boa, se você se permitir isso, é claro, já que tem gente que só vê os aperreios e não aproveita as melhores fases da criança. Eu penso que quando você observa uma criança e aproveita seu tempo com ela de maneiras boas, você volta a ser criança e aprende a ser uma pessoa melhor, perdoando outras pessoas, rindo, sendo sincero, puro e feliz. Você (re)aprende ótimos valores que a vida nos tirou (e que permitimos que fossem tiradas) quando crescemos.

Ter filhos traz felicidade? (Ou: A infelicidade vem das obrigações)

Trabalho voluntário

Outra ideia que eu tive nos últimos meses (entre setembro e outubro) foi sobre trabalho voluntário. Meus pais não pareceram muito animados com a ideia, mas eu estava bem animado. Eu não estou conseguindo emprego de jeito nenhum, estou em casa sem fazer nada, tenho vontade de ajudar algumas ONGs e não tenho dinheiro. O que fazer? Doar meu tempo em forma de trabalho!

Adoraria fazer isso em áreas administrativas, porque é a minha área, mas estava olhando as vagas e áreas que algumas ONGs tinham disponíveis, e todas elas eram mais para trabalhar com o público, seja interno ou externo. Só algumas ONGs grandes que tem a possibilidade de voluntariado em áreas administrativas. Eu queria ser voluntário em um abrigo, para ver como são as crianças de lá, como se comportam, como pensam, quais são seus medos, etc. Isso me ajudaria a pegar mais informações sobre adoção, que é algo que pretendo fazer no futuro. Mas não sei trabalhar com crianças, por isso preferiria que fosse em área administrativa. Por outro lado, sei que preciso aprender, e seria ótimo se a ONG me treinasse para isso. Também toparia ser voluntário em outras ONGs que ajudassem crianças e/ou famílias carentes, ou pessoas em questão de saúde. Se não fosse em área administrativa, poderia ser em atendimento ao público presencial, ou numa loja.

Mas o maior problema não é nenhum desses. É a questão da passagem. Pesquisei e achei informações que as ONGs não são obrigadas a dar passagem aos voluntários. Pesquisei pelos próprios voluntários dizendo algo do tipo, e só achei respostas de dois fóruns de anos atrás, e os dois diziam que não ganhavam nada. Isso me desanimou, porque estou desempregado, e não tenho como arcar com os custos de passagem. Quero ajudar, quero fazer alguma coisa, mas precisaria que a ONG se dispusesse a pagar a minha passagem, o que parece ser difícil acontecer.

O que posso fazer, então, é esperar para um dia que eu trabalhar, tiver carro e ver se sobra um tempo para fazer trabalho voluntário. Aí, quem sabe?

Trabalho voluntário

Adoção

Uma coisa que quero ter independente de casar ou não é um filho. Filho no singular rs. Se eu casar, acho difícil ter um só, porque a mulher sempre quer pelo menos dois. É difícil alguma mulher querer ter um só filho. Se eu não casar, adotarei um filho. Será um menino, porque eu não saberia criar uma menina sozinho. Na verdade, adoção é um tema que eu gosto. Se eu casar, dependendo da esposa, eu adotaria também. Se ficar solteiro, o que é provável, eu farei isso com certeza.

Eu não queria demorar muito, porque não quero ser pai velho. Acho que o ideal seria ser pai até os 30 anos, mas já estou com 20, e tenho a impressão que esses 10 anos se passarão rápido. Eu tenho algumas coisas que gostaria de fazer antes de ter um filho, como estudar mais e fazer um intercâmbio. Não daria para fazer isso tranquilamente tendo um filho. É muito normal os pais trabalharem de dia e estudarem à noite, mas eu não quero fazer isso. Se eu vou adotar, a responsabilidade terá que ser minha, e não da vó, babá ou creche. Filho é uma responsabilidade muito grande e eu penso que se é para fazer, que faça direito. Por outro lado, se eu adiar a paternidade para a realização desses projetos, seria pai velho, o que acho ruim (nada contra quem é) porque as energias vão embora quando você vai ficando mais velho, e eu queria aproveitar a infância do meu filho. Não sei realmente o que vai acontecer primeiro, mas o que vier, me fará abrir mão de outra coisa.

Mas antes de adotar eu tenho algumas coisas para fazer. Primeiro eu já teria que estar trabalhando há alguns anos, já ter um apartamento e ser independente. Eu já teria que saber como é viver sozinho e como cuidar de mim mesmo para poder cuidar de outra pessoa.

Percebi  que o porquê que quero ter um filho é que eu quero ter uma companhia, alguém a quem passar os meus valores e pensamentos, alguém que poderia passar adiante o que aprendi com meus pais.

Mas voltando ao tema de adoção, essa é uma coisa que eu quero fazer. Nos últimos meses (entre setembro e outubro), eu pesquisei muito na internet sobre isso. Li dicas em sites, li artigos científicos e monografias sobre os temas de adoção e adoção tardia, peguei dicas de quem já adotou e disse como é a fase de adaptação. Foram muitas informações, e acho até que foi precipitado, já que isso não vai acontecer agora. Mas eu realmente estava interessado nessas pesquisas, e então aproveitei o ânimo para pegar o máximo de informações possível.

A adoção que eu faria não seria de um bebê, porque eu não teria como cuidar de um, mas de uma criança com uns 3, 4 ou 5 anos. Não sei ainda a idade mínima que vou querer, porque quanto menor a criança, menos tem como saber sobre sua personalidade, e isso é algo que eu quero saber sobre ela, porque será um fator decisivo pra mim. Eu queria um menino mais parecido comigo, introvertido e organizado. Dessa forma seria mais fácil nos darmos bem quando ele crescesse, e quando ele tivesse algum problema, eu poderia entendê-lo melhor. Claro que isso não deixaria tudo perfeito, ou me afastaria de problemas com ele. Eu tenho consciência disso. Mas eu acharia mais fácil lidar com alguém assim do que com um extrovertido, com quem geralmente não me relaciono bem. Quando ele crescesse, chegaria um momento que eu não conseguiria mais lhe segurar e lhe controlar. Isso parece ser algo que acontece com todos os adolescentes, mas acredito que com um extrovertido seria pior.

Descobrir a personalidade de uma criança pequena não é fácil, porque ela ainda está em formação. Com as crianças grandes seria mais fácil de saber, mas em compensação, elas viriam com uma bagagem ainda maior, e a sua educação seria mais difícil. Ela não mudaria alguns comportamentos e não se adaptaria a tudo da sua nova vida. Por isso a minha preferência é que a criança tenha no máximo 5 anos, para eu possa influenciar na sua criação e construir as suas bases.

Por isso, também andei pesquisando sobre testes de personalidade para crianças na internet. Achei alguns, mas não sei se teriam resultados em crianças tão pequenas. Achei outros testes, mas que só podem ser usados por psicólogos.

Falando em psicólogos, uma coisa é certa: antes de adotar uma criança vou me consultar com um para aprender a lidar com crianças. Sou sério e não sei falar com uma criança. Não gosto dessa característica minha (principalmente quando me lembro que o livro O Pequeno Príncipe faz essa crítica sobre os adultos), por isso vou procurar ajuda. Não quero ter uma relação fria e distante com o meu filho. Tenho esses defeitos, mas não quero continuar assim. Quero melhorar. Quero ser um amigo e companheiro para ele. Quero ser o seu exemplo de pessoa.

Pesquisei casos de pais adotivos solteiros e a situação não é nada fácil, e é nessas horas que uma esposa faria falta. E eu não quero ter um filho para lhe deixar com a vó ou com a babá. Se for assim é melhor nem adotar. Quero ter um filho para passar o dia com ele, para criá-lo de verdade (e não só sustentá-lo). Quero ver o seu crescimento. Por isso, o ideal seria que nessa época eu já tivesse o meu negócio próprio, porque aí teria o horário mais flexível. Mas não sei se isso vai ser possível. Provavelmente não.

Outra solução seria eu conseguir ser transferido para um setor da prefeitura onde eu trabalhe meio expediente. Largaria às 1h da tarde, mas o que a criança faria das 11h30, hora que largaria da escola, até a hora que eu largasse do trabalho? Esse é um problema que ainda não achei a solução.

Uma possibilidade que seria muito boa para mim, mas que é totalmente improvável de acontecer, é um home office. Infelizmente o governo não investe nisso.

Mas para tudo se dá um jeito não é mesmo? Com certeza daqui pra lá eu vou conseguir dar um.

Atualizado em 10/04/2016.
Adoção

Porque eu prefiro não casar e planos para o futuro

Casamento não é uma prioridade para a minha vida. O projeto de vida de muita gente é se casar e ter uma família. Eu não quero só isso, eu quero mais. Tem gente que se não se casar não se realiza. Geralmente são as mulheres. Não estou generalizando, é claro, mas elas ligam mais para isso do que os homens. As mulheres têm medo de morrerem sem casar. Existem homens com esse objetivo e pensamento também. Mas eu não fico desesperado quando penso em ficar solteiro. Eu não penso: “ah não, vou morrer solteiro!”, como muita gente que não consegue uma namorada/namorado pensa.

Os motivos para eu não ter o casamento como prioridade são muitos. Tenho planos e sonhos e quero que eles se tornem realidade. Quando você se casa, outros planos surgem, e deles, outras prioridades. As duas pessoas têm que sacrificar alguns de seus desejos pessoais para atingir os objetivos do casamento. É como numa empresa, todos tem que se sacrificar, inclusive alguns de seus desejos pessoais, em prol do grupo e da empresa. E sinceramente, eu não queria abrir mão desses meus desejos para o futuro. Eles poderiam ser realizados mesmo se eu estivesse casado? Talvez, mas seria mais difícil, com certeza, porque eu não teria só a mim como responsabilidade, e sim mais uma ou duas pessoas, e isso dificulta as coisas.

Um exemplo: eu vou ser funcionário público (se Deus quiser), mas gostaria de ter um negócio próprio. Isso exige tempo e dedicação, e por isso eu teria que deixar o meu emprego garantido para me aventurar nesse mar de incertezas, que é o empreendedorismo. Tanto faz dar certo como não dar. Ou então você se mata de tanto trabalhar e o quanto ganha é o mesmo que você ganhava no seu emprego, onde o trabalho e estresse eram menores.

Por enquanto esse é o meu plano. Claro que isso não vai acontecer agora, porque tenho que ter dinheiro. E daqui para que eu consiga juntar uma boa quantia, já vai se passar muitos anos, anos suficientes para eu amadurecer mais como pessoa e como profissional. Por mais que eu faça planos e imagine o meu futuro, não tem como ter certeza de nada. O futuro é como olhar para o mar à noite. Você não vê nada. Sabe que ele existe, mas não o vê. (Essa frase acabou de sair da minha cabeça e adorei!). Então não sei dizer como vou estar daqui pra lá. Talvez esteja satisfeito com meu trabalho e salário e não queira arriscar. Talvez até tenha vontade, mas me sinta cansado para isso. Talvez esteja num momento de muitas responsabilidades financeiras, e por isso, talvez não seja um momento pertinente para sair de um emprego seguro e correr o risco de ficar numa situação ruim.

São muitas as possibilidades. Mas independente disso, se eu tenho um plano de montar um negócio próprio no futuro, e esse é hoje um dos meus maiores desejos, não daria certo se eu estivesse casado. Provavelmente a minha esposa me aconselharia a ficar no emprego, porque é melhor o certo do que o duvidoso. E eu, é claro, pensaria duas vezes, porque não iria querer comprometer o orçamento familiar com as minhas aventuranças.

Sozinho eu teria mais liberdade para fazer o que quisesse. Eu poderia fazer um planejamento financeiro mais fácil porque estaria sozinho, o que representa menos gastos. E também não teria ninguém para dar satisfação do que estou fazendo ou deixei de fazer. Isso não quer dizer que eu vou ser uma pessoa imprudente. Não, de jeito nenhum. Isso é uma questão de prioridades, porque, como disse acima, com o casamento surgem outras prioridades no lugar das suas pessoais. E essa ideia de montar um negócio próprio não é a única. Eu quero estudar mais, quero fazer um intercâmbio, quero viajar. Eu ainda tenho outras ideias, planos e vontades, mas essas são umas das principais.

Outro motivo é que não sou uma pessoa fácil de lidar numa convivência diária, e reconheço isso. Reclamo muito, sou exigente, chato… Venho me esforçado para me tornar uma pessoa melhor desde os últimos 5 anos, e venho tido mudanças para melhor. Espero melhorar ainda mais no futuro, mas não sei se eu daria certo num casamento. Em todo casal existem desentendimentos e brigas, e é isso o que eu quero evitar. Eu quero fazer as coisas do meu jeito.

Esses são motivos que você pode me ver como egoísta. Não acho isso bonito e nem tenho orgulho, mas, sim, talvez eu seja.

Tem também uma outra questão: ainda não achei uma menina que eu realmente gostasse. Primeiro, antes de tudo, eu tenho que lhe achar bonita. Muitas meninas são consideradas bonitas, mas eu não acho. Eu não acho, porque os rapazes geralmente olham peitos e bunda, enquanto eu olho o rosto e cabelo. Eles olham o corpo, e eu olho a personalidade. Não quero namorar uma menina só porque lhe achei bonita e depois começar a conhecê-la. Quero lhe conhecer antes, saber quem é ela, quais seus costumes, seus pensamentos, ideias e planos para o futuro. Quero saber se ela tem pensamentos, ideias e planos compatíveis com os meus, se os valores dela são os mesmos que os meus. Ela tem que ter a mesma religião que eu, ter a mesma fé, a mesma crença. Já disse aqui o quanto sou exigente em relação a meninas (veja o ponto 14 dessa postagem). Só depois de saber esses detalhes é que posso ver se vale a pena investir num relacionamento ou não.

Acho que uma grande parte do motivo de eu dizer que prefiro ficar solteiro é justamente o fato de não ter achado ninguém. Quando você não acha ninguém fica difícil imaginar um futuro casado. Quando você passou a sua vida inteira tendo dificuldade de se relacionar com as pessoas e sofrendo bullying na escola, você não se sente autoconfiante para o casamento, que é um passo importante, e que muda a sua vida inteira. Quando você é exigente demais na escolha, na tentativa de se prevenir de uma crise ou separação no futuro por ter escolhido a pessoa errada, fica mais difícil ainda.

Enquanto escrevia o parágrafo anterior, me lembrei de uma coisa: foi no Ensino Médio que começou a minha revolta sobre casamento. Eu dizia para os meus pais: “EU NÃO QUERO CASAR!”, e a minha justificativa era: “porque casar só traz problemas”. Mas nem eu mesmo sabia porque estava revoltado daquela forma, e nem porque tinha tomado aquela decisão. Hoje, quando olho para trás percebo que isso foi consequência do que eu vivi. Como uma pessoa que não tinha nenhum amigo e que todos se afastavam dela, poderia ter um namoro e casamento bem sucedido? Como uma pessoa cheia de problemas psicológicos que nem dos pais recebia apoio, e que o pai sempre dizia que ela é que era o problema, poderia ser uma pessoa que confiasse em si mesmo? Na época eu não conseguia ver esses problemas como motivos para não querer casar, porque eram problemas psicológicos, e problemas psicológicos são assim, inconscientes. Eles entram na sua mente silenciosamente, muda o seu comportamento e sua forma de pensar, e você nem percebe.

Hoje os meus motivos são outros, são mais racionais, mas a ideia é a mesma. E as causas também. Ainda acho que casamento trás muitos problemas, mas também reconheço os seus pontos positivos, que se eu não casar, perderei.

Hoje mudei um pouco mais de pensamento. O casamento não é mais aquela coisa que eu digo: “eu não quero casar”. Pode acontecer? Sim, pode. Se eu achar alguém que eu realmente goste, provavelmente o casamento vai acontecer e eu nem vou mais pensar em problema nenhum que o casamento poderá me trazer no futuro. Mas o que eu vejo é que já estou com 20 anos. Me acho velho, não tenho nada, e ainda não tenho emprego, e quanto mais tempo vai passando, mais difícil é de se arranjar alguém. A disponibilidade maior é na época da adolescência. Por isso trabalho mais com a possibilidade de futuro em que estarei solteiro.

A minha vida de solteiro será perfeita? Claro que não. Vou sentir falta de alguém? Sim. Apesar de todos os problemas que eu vejo num casamento, eu sentiria falta de alguém. Alguém para dividir os meus problemas, para conversar, para me ajudar quando estiver doente, alguém que eu posso contar para tudo. Alguém que criaria os meus filhos sem que eu ficasse preocupado no trabalho por ter que fazer isso sozinho. Vou sentir falta de tudo isso.

Mas em toda a escolha que fazemos na vida, saímos perdendo e ganhando alguma coisa. É sempre assim.

Porque eu prefiro não casar e planos para o futuro

Maioridade penal: lados positivos e negativos

Há duas semanas o Fantástico exibiu uma matéria que falava de uma ONG em Rondônia que dá um tratamento diferenciado aos presos. Na verdade, é um tratamento tão bom que nem eu e você temos. Eles têm massagens, meditação, banho de lama, tudo para tirar o estresse, e fazê-los se sentir em paz e bem consigo mesmos. Essas atividades são apenas algumas das que são feitas lá.

Os detentos passam o dia lá, e voltam à noite para a prisão. O percurso da ONG para a prisão é feito por carros da própria ONG, e não existe vigilância nenhuma. Ou seja, os presos têm tudo nas mãos para fugirem, mas não fogem (com exceção de apenas um que fugiu e foi recapturado). Como bem diz na matéria, a consciência é a única forma de vigilância. Os presos sabem que erraram, e sabem que têm que melhorar, e é para isso que esse projeto serve.

A matéria mostra os dois lados da moeda: do trabalho que é feito pela ONG, do bons resultados que ela vem conseguindo, e o lado das famílias que tiveram seus entes queridos mortos por esses bandidos que hoje estão recebendo esse tratamento especial.

Como você já deve ter percebido essa é uma ideia bem polêmica, e divide opiniões. Eu recomendo muitíssimo que você assista a matéria, clicando aqui.

Depois de ver essa reportagem eu me lembrei da questão da maioridade penal, outro tema bastante polêmico. Algumas pessoas defendem a punição aos adolescentes, já que eles já sabem o que é certo e errado, e as consequências de seus atos. Eu, inclusive costumava pensar assim. Hoje não tenho mais uma opinião formada. Estou dividido pelos dois lados.

Outras pessoas falam que isso seria ruim para o Brasil porque o presídio é uma escola de criminosos, e o adolescente que entrasse lá, sairia pior ainda, e a própria sociedade perderia. Por outro lado, se fosse investido em educação para esses adolescentes, é bem provável que eles saíssem como um cidadão do bem, e não voltassem mais para o mundo da criminalidade.

E eu concordo com esses dois pensamentos. Adolescente não é mais criança, ele sabe o que faz, sabe o que é certo e errado, sabe as consequências dos seus atos. Então, se errou, vá para a cadeia pagar pelo que fez! Já vi até na televisão um menor infrator que disse que não podiam fazer nada com ele, porque era de menor. Ou seja, ele não só sabe que fez algo errado, como também sabe da sua impunidade, e por isso continua fazendo as mesmas coisas. E esse não é um pensamento que se restringe apenas a ele, mas a todos os adolescentes infratores.

Fonte da imagem: Tribuna da Internet

Fonte da imagem: Humor Político

O lado negativo de prender o adolescente é que, como já foi dito, o adolescente vai sair do presídio pior do que entrou. Vai ser um bandido muito pior.

Fonte da imagem: 18 Razões

Fonte da imagem: Nani Humor

O outro lado da história é que a educação, aliada ao amor e atenção, é a chave para combater as criminalidades cometidas por adolescentes. Na prática funcionaria. Mas aí é que está o problema: essa é só uma teoria. Na prática não é feito dessa maneira como é divulgado que seria o ideal. Essas medidas socioeducativas já existem desde muito tempo. Antes chamado de FEBEM, e hoje de Fundação Casa (em outros estados existem outras nomenclaturas), esse projeto do governo não dá resultado nenhum. E o tratamento não é bom como os defensores da educação acham que deveria ser. Para isso basta assistir ao filme O Contador de Histórias. Do tempo em que o filme se passa, até hoje não mudou nada.

A teoria é linda, e se fosse aplicada na prática como dizem que é para ser feito, funcionaria, com certeza. É claro que para toda a regra existe uma exceção, o que quer dizer que mesmo assim não funcionaria com todos, mas, pelo menos, seria, sem dúvidas, muito melhor do que o jeito que está sendo feito hoje. Mas o problema, como eu disse no parágrafo anterior, é que esse não é um problema de hoje, e esse tempo todo ninguém nunca fez nada para melhorar a situação dos adolescentes infratores. Por que agora isso iria mudar? Por que agora isso iria melhorar? Tenho certeza que se a maioridade penal for reprovada, esses políticos que defendem a educação como solução não vão mover uma palha para melhorar a punição dos adolescentes e realmente investir em educação, e num tratamento de dignidade, e não de violência e humilhação.

É por causa desse tratamento dado aos presos de Rondônia que eles vêm melhorando. O tratamento ruim não melhora em nada uma pessoa. O tratamento bom é que lhe deixa melhor. É aquela história, já ensinada na Bíblia há milênios: vença o mal com o bem.

Isso com certeza funcionaria se o governo quisesse investir nos adolescentes dessa forma. Mas isso é ilusão. Por enquanto só daria certo se todos esses trabalhos fossem feitos por ONGs.

Infelizmente isso é só uma utopia. Enquanto isso, voltando à realidade, estamos discutindo a maioridade penal, onde, se o adolescente for preso, um dia será um bandido pior do que já foi, e se for depender das atividades socioeducativas que o governo dá atualmente, nada também mudará e fará diferença. Então, qual é a melhor opção? Ou, refazendo a pergunta: qual a menos pior? Ou ainda: isso realmente fará alguma diferença em longo prazo?

Maioridade penal: lados positivos e negativos

O direito de greve deveria ser regulamentado

Já estou cansado de tanto ver greve de ônibus sendo feito. Não sei em outros locais do Brasil, mas aqui em Recife isso vem acontecendo com frequência. Antes, uma paralisação acontecia no máximo uma vez por ano. Agora temos várias paralisações ao longo do ano. Tudo bem os trabalhadores correrem atrás dos seus diretos, mas, e quando isso prejudica muitas outras pessoas? E quando se torna frequente, o que fazer?

O direito de greve deveria ser regulamentado. Proibido não, senão o governo iria se aproveitar dos trabalhadores, mas sim regulamentado para colocar limites. A minha lógica é simples: se você quer ser professor, faz um concurso e passa, por que fazer greve? Muitos alunos ficam prejudicados em seu ano letivo por causa disso. Ao ler o edital do concurso, você vê o salário, benefícios, quantidade de horas semanais de trabalho e outros detalhes. Quando você se inscreve está concordando com o edital, como se estivesse assinando um contrato. As condições de trabalho todo mundo já conhece, e sabe que não são das melhores. Aí depois do professor passar e começar a trabalhar começa a fazer greve? Isso não é errado? Ele não já tinha todas as informações sobre o trabalho dele ao se inscrever no concurso?

E quanto aos motoristas de ônibus, então? Tudo bem que eles têm um trabalho estressante e têm que se sujeitar a muitas coisas ruins, desde gente mal educada, até assaltos e descontos no salário por coisas que quebraram no ônibus. Mas eles ganham quase 2 mil reais. Enquanto isso tem muita gente fazendo faculdade para trabalhar como auxiliar ganhando apenas 800 reais (essa é a realidade da área de Administração). Então os motoristas ganham muito melhor do que muita gente, e nem por isso todo mundo fica fazendo greve.

E se não estão gostando do trabalho, saiam, e procurem outro. Mas nem saem (porque precisam se sustentar e sustentar as suas famílias), nem gostam do trabalho, e ainda ficam prejudicando muitas pessoas. Se isso acontecesse só de vez em quando, tudo bem, estão correndo atrás dos seus direitos, mas direto não dá. A população fica mais prejudicada do que os motoristas.

Se o professor não gosta da escola do governo, então saia e procure emprego numa escola particular. Mas prejudicar os alunos não dá. Tem várias pessoas querendo emprego por aí.

Professores e motoristas foram apenas dois exemplos. Mas esse meu pensamento serve para todos os órgãos do governo e empresas que fazem greves e prejudicam as pessoas. Tem gente que quanto mais tem, mais quer. Mas tem gente que não tem metade do que os concursados têm, e vivem. Esses profissionais, qualquer coisinha é motivo para parar de trabalhar. Mas sair, deixar o seu emprego, e dar para quem realmente quer e precisa… Isso ninguém faz.

Por isso eu acho que a greve deveria ser regulamentada. Deveria ter um limite da quantidade do seu uso, e também ser estabelecido casos específicos para que pudesse ser usado, para que os trabalhadores não fizessem por qualquer motivo e não abusassem desse direito.

E fazer greve para aumentar o salário não é motivo (a não ser quando ele realmente ficou desvalorizado). Você já sabe quanto vai ganhar antes de entrar na empresa. Se não tá gostando saia e procure algo melhor. Ou se contente com o que ganha porque a vida não é fácil para ninguém, e tenha certeza de uma coisa: tem gente vivendo numa situação pior do que a sua.

Com uma regulamentação a população sairia ganhando porque a quantidade de greves diminuiria e ninguém seria prejudicado. Ao mesmo tempo, os trabalhadores também não seriam prejudicados porque quando quisessem (e tivessem motivo) poderiam fazer a greve, mas de forma mais limitada.

E se mesmo assim os funcionários chegarem na empresa, baterem o ponto, mas não quiserem trabalhar (assim eles não perdem dinheiro e continuam com a greve), então outra atitude do governo deveria ser tomada, com mais firmeza. Claro, que isso só quando não tiverem motivos, ou quando eles forem de besteiras. Mas quando for coisas sérias e realmente necessárias, que o governo seja justo e faça o que estão pedindo para a desordem acabar logo e todos serem felizes.

O direito de greve deveria ser regulamentado