Preconceito com os tímidos

Eu acredito que exista preconceito com os tímidos, principalmente em se tratando de seleções de empresas. Acredito tanto nisso, e esse é um pensamento antigo meu, que pensei até que já tinha postado aqui um texto sobre isso. Mas procurei e não achei. Por que eu acho que as empresas, os recrutadores e entrevistadores que fazem as seleções de candidatos para emprego têm preconceito com tímidos? Baseado nas minhas próprias experiências, é claro.

Quando eu tinha 14 anos fiz a minha primeira entrevista. Foi para um estágio numa confecção, na época que eu tinha acabado de fazer o curso de Técnico em Têxtil do Senai. Esse estágio era para trabalhar na área de serigrafia, que é um tipo de estampa. Fiquei feliz porque dentre tantos alunos eu fui o escolhido pelo Senai para fazer a seleção. Algumas colegas de classe também conseguiram entrevistas para outras empresas, mas da minha turma, que tinha 20 pessoas, a minoria foi que conseguiu fazer entrevista. Fora a turma da tarde. Nessa empresa que eu fui, eu ia fazer a entrevista para estagiar de manhã, e um aluno que tinha feito o curso à tarde, fez a entrevista para estagiar à tarde. Ele ficou, e eu não. Eu tinha uma colega na minha sala que conhecia o menino da tarde, e ela pediu para ele perguntar ao chefe porque eu não tinha sido chamado. O que o chefe dele respondeu foi que eu não fiquei porque eu era muito tímido. Que eu saiba, o chefe não pediu para o Senai enviar outro aluno para fazer a entrevista, porque ninguém na minha sala comentou nada sobre fazer entrevista, e ninguém da turma da tarde mudou o horário da escola para conseguir conciliar com o horário do estágio que seria meu, que era pela manhã. Ele preferiu ficar só com um estagiário à tarde do que ter dois o dia todo, porque um deles era tímido demais. E tímidos, sabe como é né? Não prestam para nada.

Passaram os anos até que eu conseguisse fazer mais uma entrevista. A outra que eu fiz foi para outro estágio, só que dessa vez para a faculdade de Administração. No dia da entrevista eu fui o primeiro a chegar. O segundo a chegar, chegou só um pouco depois de mim, e puxou assunto comigo e começou a falar, falar e falar. Ele falava muito, mesmo sem me conhecer. Ele tinha 22 anos (e eu tinha 18), e disse que já tinha trabalhado de vendedor numa concessionária e tinha se formado em Gastronomia. Agora estava fazendo Administração e disse que queria abrir um restaurante um dia. Ele tinha cara de ser filho de rico. Então fui chamado para a entrevista e achei que me saí bem. Mas depois não fui chamado para ficar no estágio.

Um mês depois, quando eu já não tinha mais esperanças, o dono da empresa me ligou mandando eu ir lá no outro dia para começar o estágio. Fiquei muito feliz, porque finalmente tinha conseguido um estágio! Agora, como eu ganharia experiência, conseguiria arrumar um emprego depois, ou quem sabe ser aproveitado na própria empresa, depois que o tempo do estágio passasse! Doce ilusão. Mas não é disso que quero falar. Quando eu cheguei lá, descobri que não fui o primeiro a ser chamado (e por isso que demorou um mês para o dono da empresa me ligar), e que antes de mim já tinha vindo outro estagiário que só passou duas semanas e saiu porque não aguentou, segundo os funcionários. Os funcionários disseram que ele era legal, mas que falava muito, que ele parava de trabalhar para ficar conversando, que não conseguia se concentrar em nada. Eles deram outros detalhes que me fizeram confirmar que esse rapaz era o mesmo que tinha puxado assunto comigo no dia da entrevista. Aí, como ele saiu, me chamaram para ficar no lugar dele. Pois é, chamaram o extrovertido, o falante, aquele que conseguiu impressionar o dono da empresa com suas muitas palavras bonitas durante a entrevista. E eu, que só respondi as perguntas e não surpreendi em nada não fui chamado de primeira, fui a segunda opção, mas só porque o primeiro não deu certo. Daqui eu tiro uma lição: nem sempre o extrovertido é a melhor opção. Eles sempre falam mais, e aparentam ser mais espertos e desenrolados, mas olha aí esse caso. Eu, que era tímido, fiquei os 6 meses do estágio (na verdade, 7), e só saí porque o “treinador dos estagiários” não gostava de mim por algum motivo e ficava me ameaçando de que eu iria embora (o que o dono da empresa depois me disse que era mentira). Não aguentei essa pressão psicológica e saí. Mas o trabalho em si, eu fazia bem (tirando a parte que eu tinha que ir para o arquivo, que era todo empoeirado e me fazia espirrar muito, por causa da minha alergia). Mas os entrevistadores sempre são enganados e atraídos por quem fala mais alto e se mostra mais desinibido. Ser extrovertido é sempre sinônimo de ser desenrolado, de ser esperto, de ser ágil. E ser introvertido é sinônimo de ser enrolado, meio burro e lento. O detalhe é que o dono da empresa não parecia ser extrovertido. Ele era do tipo calmo e de poucas palavras.

Eu tive uma professora na faculdade que era psicóloga (infelizmente, não para ensinar psicologia na minha turma), e perguntei a ela se as empresas tinham preconceito com os tímidos. Ela, que além de trabalhar em clínica e ser professora, também fazia seleções para empresas que contratassem a consultoria onde ela trabalhava, disse que não. Disse que o candidato só não se encaixa no perfil que a empresa pede. Ela disse que muitas vezes vê um candidato ótimo, mas que não se encaixa no perfil da empresa, e ela acha isso uma pena. Mas acho que o perfil que as empresas pedem é que as pessoas sejam extrovertidas. Claro que eles não vão usar essa palavra e deixar tudo tão claro desse jeito, mas as palavras e qualidades que eles exigem de um candidato são coisas que geralmente só os extrovertidos têm, ou que eles se saem melhor demonstrando isso numa entrevista. Por exemplo, uma empresa que diz que quer pessoas que saibam se comunicar, que sejam dinâmicas e que sejam proativas (vi muito disso quando procurava emprego na internet) é o mesmo que dizer: “queremos extrovertidos”.

Eu ainda cheguei a participar de duas seleções para uma grande loja de roupas, que está em todo o Brasil. Essa seleção tem 3 fases: a primeira é uma prova de raciocínio lógico e matemático, e uma redação; a segunda é uma dinâmica; e a terceira é uma entrevista com o gerente. Nas duas vezes que fiz seleção nessa loja (e para trabalhar como auxiliar de loja, arrumando as roupas lá), fui reprovado na dinâmica. Na segunda vez a dinâmica foi uma apresentação, onde a pessoa respondia algumas perguntas que estavam escritas no quadro. Nessa dinâmica não sei exatamente porque não passei, mas na dinâmica da primeira seleção ficou muito claro. A seleção foi assim: a recrutadora jogou no chão várias peças feitas com aquele papel emborrachado (pesquisei agora e descobri que o nome daquilo é EVA) que tinham a forma de círculos, quadrados e triângulos de várias cores. Cada um deveria pegar uma dessas peças. Depois, de acordo com a figura ou a cor que cada um pegou era formado um grupo de 4 pessoas (não lembro exatamente qual era o critério) para que com essas peças a gente pudesse formar uma figura. O objetivo era ver a criatividade de cada um. Aí eu pergunto: aonde que vou precisar ser criativo para ser um auxiliar de loja de roupas? Esse é um trabalho bem operacional, você vai passar o dia todo organizando a loja. Não precisa ser criativo para isso. Voltando alguns minutos antes da dinâmica, eu e os outros candidatos estávamos na sala de Atendimento ao Cliente, todos sentados esperando sermos chamados para ir para a sala interna da loja, onde é feita a seleção. Enquanto todo mundo esperava tinha um cara que não parava de falar. Eu estava do lado dele. Ele era engraçado e legal (como a maioria dos gays, sem querer estereotipar). Voltando à dinâmica, naquele momento ele se saiu muito bem. Ele era criativo, e falava alto, o que chamou a atenção da mulher do RH e do supervisor. Depois que cada um formou a sua figura e os recrutadores olharam, eles mandaram todo mundo juntar as peças para formar uma grande figura. Esse mesmo rapaz foi quem teve a ideia de fazer uma flor gigante e que saiu coordenando tudo, dizendo, “bota aqui, ali, isso, vai, aê!”. Depois a mulher do RH e o supervisor saíram da sala para escolher quem ia passar dessa fase e ir para a próxima. Esse rapaz ficou. Claro, eu não o julgo, ele fez por onde, se saiu bem nos testes, se mostrou criativo, se mostrou ser o que os recrutadores queriam. Mas eu (junto com a maior parte das pessoas que estavam lá) não fui escolhido. Não fui escolhido porque não falei alto para chamar a atenção, porque não tive boas ideias para montar uma figura, porque não me mostrei engraçado e nem criativo. Todas essas são características importantes para desempenhar o seu trabalho, mesmo que ele seja algo básico e operacional, e é por isso que as empresas fazem esse tipo de dinâmica, para saber quem é merecedor de trabalhar lá (estou sendo irônico). Se você não teve a “sorte” de nascer assim, ou se não for um bom ator, não conseguirá oportunidades na vida. Talvez se eu falasse mais alto para ver se chamava a atenção dos recrutadores, talvez se eu fosse mais criativo, talvez se eu fingisse ser engraçado e extrovertido eu conseguisse passar. Mas sabe, mesmo que eu tente, eu não consigo fingir ser quem eu não sou.

É por tudo isso que eu acredito firmemente que existe preconceito com os tímidos, um preconceito velado, que ninguém admite, mas que está lá. Não é que nenhum tímido não consiga um emprego ou não seja capaz de passar numa dinâmica. Tudo depende de pessoa para pessoa. Tem tímidos mais tímidos que outros. Tem testes mais fáceis que outros. Tem recrutadores que podem ser mais abertos que outros (quero acreditar nisso). Mas o preconceito, de um modo geral, existe. Ele existe na própria sociedade, e também nas empresas, que é onde eu mais venho sentido.

Tem também mais um caso, dessa vez de uma entrevista que fiz para um restaurante fast food, e não faz muito tempo, foi só há 3 semanas. Mas esse caso específico eu vou tratar no próximo post.

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Preconceito com os tímidos

Escrever ficção

Quando eu era criança não sabia exatamente o que queria ser quando crescer. Eu não conseguia pensar em nada, não me identificava com nada. Talvez já daquela época já estava dentro de mim o “não amar o que faço“. Às vezes me imaginava como motorista de kombi ou de ônibus, porque eu sempre saia com a minha mãe e via eles dirigindo. Por ironia do destino, hoje eu tenho minha carteira, mas não gosto de dirigir. Acho cansativo você ficar com os braços estendidos e apertando pedais com os pés (que também ficam meio doloridos) e ter que ter atenção em 1001 coisas ao mesmo tempo.

Mas eu sempre gostei de ler. Adorava ler as histórias infantis que vinham nos meus livros de português no primário. Meus pais nunca me estimularam a isso, e por isso eu nunca tinha lido um livro. A primeira vez que li um livro de ficção foi no Ensino Médio, e o livro foi Senhora, de José de Alencar, porque a professora de Literatura mandou (apesar que fui um dos únicos da turma que li o livro inteiro). Não foi uma ótima experiência, porque livros clássicos da literatura têm uma linguagem antiga e formal. Foi só depois de ler Senhora e Dom Casmurro, que fui na biblioteca e consegui pegar o livro Diário de um Banana, uma série de livros infanto-juvenis ilustrado que tava fazendo sucesso na escola porque todo mundo queria ler. É um livro bem legal (e engraçado também). Foi ele que me fez descobrir esse mundo de ficção dos livros, e saber que ler livro pode ser tão bom quanto assistir a uma novela ou um filme, porque ele provoca sentimentos e reações parecidas, como ansiedade pelo que vai acontecer, por exemplo. Depois de Diário de um Banana li A Menina Que Roubava Livros, que é um ótimo livro, por sinal. E dali em diante passei a ler mais livros (hoje infelizmente menos do que eu gostaria).

Quando eu tinha 12 anos e estava na 6ª série (atual 7º ano) disse para mim mesmo que queria ser escritor quando crescesse. Eu nunca tinha lido um livro nesse época, e não sabia qual tipo de livro eu gostaria de escrever. Um de ficção provavelmente, porque eu ainda gostava de ler aquelas histórias que vinham nos livros de português. Quando ganhei meu primeiro computador, com 13 anos, escrevi algumas histórias (que seriam “contos”, na linguagem certa), de 2, 3 e 4 páginas. Elas se perderam numa das várias vezes que o computador deu defeito e teve que ser formatado.

Passaram-se os anos e a vontade de escrever e o sonho de escrever um livro continuam. Às vezes penso que poderia escrever um livro de ficção, às vezes também penso em escrever um livro sobre um tema qualquer (que exigiria algum tipo de estudo aprofundado, que pode demorar anos, baseado nos livros que eu já li desse tipo). Eu espero que eles se tornem realidade um dia. O que eu consegui durante esse meio tempo foi ter blogs, onde posso compartilhar conhecimento, experiência e opiniões. Não é um livro, mas faz parte do “gostar de escrever”.

No caso do livro de ficção, o problema é que eu não tenho criatividade. Com 12 anos eu disse que queria ser escritor, mas percebia que tinha dificuldade em escrever redações narrativas quando a professora de Redação mandava. Eu não tinha ideias. E quando eu estava no 1º ano do Ensino Médio a professora de Redação/Português/Literatura mandou todo mundo escrever um livro, e esse foi um trabalho sofrível para mim (e foi aí que eu senti falta de nunca ter lido um livro de ficção antes).

Do fim do Ensino Médio para cá eu tentei escrever alguma coisa de ficção, seja contos ou quem sabe o início de um livro. Eu tenho ideias, e então começo a escrever, mas depois de umas 4 páginas, paro, porque não sei mais desenvolver a história. A ideia que eu tenho dela é só o começo e o fim, mas todo o meio não. O desenvolvimento de um primeiro capítulo longo e cheio de detalhes, não. Fico triste por isso, porque realmente gostaria de escrever algo de ficção. Talvez seja a minha personalidade muito racional que tira de mim a criatividade necessária para essa atividade. Mas vou continuar tentando. Posso começar com contos ou crônicas¹, até ganhar alguma consistência nelas, e quem sabe um dia eu consiga escrever um livro.

——

¹ Já pesquisei muito a diferença entre eles e não consigo entender bem. Às vezes quando tenho alguma ideia não sei em qual dos dois ela se enquadra, e aí eu só chamo de “narração” mesmo. 😛

Escrever ficção

O dia em que o português se adequará ao modo brasileiro de falar

Eu gostaria de ver o dia (se é que ele vai existir) em que no português vai se adaptar ao jeito brasileiro de falar. Nesses 516 anos de Brasil a língua portuguesa mudou muito por aqui por causa das influências dos indígenas e dos africanos. Hoje ele continua sofrendo influências de outras línguas, principalmente do inglês. Não só o nosso português de hoje é diferente do tempo em que o Brasil foi descoberto, ou ainda, diferente do português de 1 século atrás (basta ver a linguagem rebuscada dos nossos livros literários), como também é diferente do português de Portugal. Tanto é, que o nosso português é chamado de “Português Brasileiro” para diferenciar do de Portugal. Mas de vez de assumirmos as nossas diferenças e fazermos uma gramática independente da de Portugal e baseada na forma que falamos e na nossa cultura, fazemos acordos ortográficos, como o de 2009, para engessar ainda mais a língua, com o objetivo de deixá-la uniforme. Mas para que essa uniformidade? Isso não nos beneficia em nada, beneficia apenas os gramáticos, que são os únicos que devem falar corretamente o dia todo (imagine como deve ser chato falar com uma pessoa dessas). Só servem para encher os seus egos por terem o poder de dizerem o jeito “certo” de falar. Mas para a população em geral o Português é uma matéria chata com a sua grande quantidade de regras (claro que existem as pessoas que gostam) que não são usadas no dia a dia, e muitas vezes nem em comunicações escritas e formais, a não ser que passe por um revisor formado em Letras. São regras que não correspondem à realidade da língua falada. Até quando isso vai durar?

Nem preciso pegar um exemplo de regra gramatical para exemplificar o que estou dizendo. Vou pegar apenas um exemplo simples: o “vós”. Ninguém usa o vós. Então por que ele continua existindo? Ele deveria ser substituído pelo “vocês”. E a conjugação dos verbos com o pronome “tu”? Deveria ter uma alternativa de conjugação diferente, e ainda ser permitido o “você”. Mas o “vós” e a conjugação atual do “tu” não deveriam ser esquecidos para que quando as pessoas lessem textos antigos em que se usam essas conjugações, como a Bíblia, entendam o que está sendo dito. Mas eles devem ser ensinados como algo antigo, que não se usa mais hoje em dia, porque agora a forma de falar é outra. Para exemplificar, a conjugação dos verbos deveria ser assim:

Presente

Informal (e como devia ser) Formal (como é)
Eu faço Eu faço
Tu/Você faz Tu fazes
Ele faz Ele faz
A gente faz / Nós fazemos Nós fazemos
Vocês fazem / Vós fazeis Vós fazeis
Eles fazem Eles fazem

Pretérito imperfeito

Informal (e como devia ser) Formal (como é)
Eu fazia Eu fazia
Tu/Você fazia Tu fazias
Ele fazia Ele fazia
A gente fazia / Nós fazíamos Nós fazíamos
Vocês faziam / Vós fazíeis Vós fazíeis
Eles faziam Eles faziam

Certo, esses dois exemplos já bastam. Percebam que as conjugações da coluna esquerda mostram o jeito que a gente fala, que é um modo mais simples de falar, mais fácil de ensinar e aprender, e mais natural do que a que a gramática diz que é certa. Na semana passada ouvi dois professores de português dizerem que “a língua é viva”, e que ela se adéqua às mudanças no modo de falar das pessoas. Eu não acredito nisso, senão, não só a conjugação de verbos teria mudado, como também várias regras gramaticais de regência e concordância também já teriam. A gramática e os gramáticos só aceitam uma mudança quando eles querem, quando lhes é conveniente. Quando não, continua do jeito que está, se não pior. Não estou dizendo aqui que as regras devem ser tiradas de vez da gramática e que o nosso modo de falar deve ser simplório, mas sim que muitas regras são desnecessárias e não são usadas na prática, e essas sim deveriam desaparecer. Estou dizendo que a gramática deveria se adequar ao jeito brasileiro de falar português, se tornando assim, algo mais real para nós, brasileiros.

O dia em que o português se adequará ao modo brasileiro de falar

Ter filhos traz felicidade? (Ou: A infelicidade vem das obrigações)

Eu tava lá pesquisando algo sobre os métodos educacionais, quando achei um texto do blog Escreva Lola Escreva, em que Lola, a autora do blog, comenta um estudo científico publicado na revista New York que fala que filhos não traz felicidade, muito pelo contrário, deixa as pessoas mais infelizes. No blog, Lola fala que é casada, não tem filhos e se sente feliz. Ela não diz em nenhum momento que você não deve ter filhos, apenas diz a sua opinião pessoal e comenta a pesquisa da revista. Como a reportagem da pesquisa está em inglês, recomendo que você leia o texto do blog dela, para ter uma ideia do que se trata e também conhecer a sua opinião:

Também aconselho a ler os comentários para você conhecer as opiniões das outras pessoas sobre o tema.

Depois que li os comentários percebi uma coisa: muita gente tem filhos por imposição. Pois é, aquela velha imposição da sociedade. Quando você está namorando há um bom tempo, as pessoas perguntam: “quando vocês vão noivar?”, quando estão noivas, perguntam: “quando vão casar?”, e quando casam, perguntam: “quando vão ter filhos?” e os pais perguntam: “quando vão me dar um neto?”. Elas não estão com más intenções em cima de você, mas isso termina lhe pressionando a fazer o que elas querem logo porque você não aguenta mais ouvir essas perguntas.

E a sociedade como um todo lhe pressiona, lhe olhando diferente se você não faz parte do padrão. Um exemplo disso é a questão do casamento. Você é obrigado a casar, senão é mal falado, ou no mínimo, as pessoas te olham diferente.

A sociedade também pressiona os adolescentes quando lhe perguntam se eles já sabem “o que quer fazer da vida”. Vish, isso chega a ser desesperador, porque é uma dúvida muito grande. Tem gente que decide mais rápido, mas tem gente que não.

É por causa dessas pressões das pessoas e da sociedade (que não é algo exclusivo do Brasil), que as pessoas são mais infelizes. Não é questão de ter filhos ou não, mas de ter que fazer alguma coisa porque todos cobram e porque é normal. Quando você faz uma coisa que não quer, ou que de certa forma quer, mas que foi imposto a você, quase como uma obrigação, você se torna infeliz. E é por isso que muitas pessoas ao terem filhos ficam mais estressadas e mais infelizes.

É claro que tem também a questão da qualidade de vida de um país. Na pesquisa é falada que na Dinamarca as pessoas não ficam mais infelizes ao ter filhos, elas ficam mais felizes, e o motivo é que lá as pessoas trabalham menos, largam mais cedo, passam mais tempo com os filhos, existem creches de qualidade, a licença maternidade é de um ano (UAU!!!), e o pai ainda tem direito a licença paternidade também. O governo ajuda ao fazer leis que beneficiem a família, ao invés do trabalho. Lá na Dinamarca a família vem em primeiro lugar. Já em países como os Estados Unidos, onde o trabalho é a prioridade, as pessoas ficam estressadas e sobrecarregadas com seus filhos. Na Dinamarca também tem a questão de que não existe a imposição dessas regrinhas sociais. As pessoas são livres para serem quem são e tomarem suas escolhas sem ninguém falar mal. Isso ajuda muito.

Mas também tem uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, se as leis fossem mudadas para que a família fosse priorizada, provavelmente não surtiria o efeito desejado por décadas. Só depois de algumas gerações é que a cultura do trabalho como prioridade poderia ser mudada.

De forma resumida, como uma das pessoas dos comentários de Lola disse, “filho não deve ser tratado como uma fonte de felicidade”, porque ele também lhe trará muitas dores de cabeça. Quando você sabe disso, e toma uma decisão consciente, sabendo do que passará pela frente, você terá mais chance de aproveitar a parte boa, se você se permitir isso, é claro, já que tem gente que só vê os aperreios e não aproveita as melhores fases da criança. Eu penso que quando você observa uma criança e aproveita seu tempo com ela de maneiras boas, você volta a ser criança e aprende a ser uma pessoa melhor, perdoando outras pessoas, rindo, sendo sincero, puro e feliz. Você (re)aprende ótimos valores que a vida nos tirou (e que permitimos que fossem tiradas) quando crescemos.

Ter filhos traz felicidade? (Ou: A infelicidade vem das obrigações)

Trabalho voluntário

Outra ideia que eu tive nos últimos meses (entre setembro e outubro) foi sobre trabalho voluntário. Meus pais não pareceram muito animados com a ideia, mas eu estava bem animado. Eu não estou conseguindo emprego de jeito nenhum, estou em casa sem fazer nada, tenho vontade de ajudar algumas ONGs e não tenho dinheiro. O que fazer? Doar meu tempo em forma de trabalho!

Adoraria fazer isso em áreas administrativas, porque é a minha área, mas estava olhando as vagas e áreas que algumas ONGs tinham disponíveis, e todas elas eram mais para trabalhar com o público, seja interno ou externo. Só algumas ONGs grandes que tem a possibilidade de voluntariado em áreas administrativas. Eu queria ser voluntário em um abrigo, para ver como são as crianças de lá, como se comportam, como pensam, quais são seus medos, etc. Isso me ajudaria a pegar mais informações sobre adoção, que é algo que pretendo fazer no futuro. Mas não sei trabalhar com crianças, por isso preferiria que fosse em área administrativa. Por outro lado, sei que preciso aprender, e seria ótimo se a ONG me treinasse para isso. Também toparia ser voluntário em outras ONGs que ajudassem crianças e/ou famílias carentes, ou pessoas em questão de saúde. Se não fosse em área administrativa, poderia ser em atendimento ao público presencial, ou numa loja.

Mas o maior problema não é nenhum desses. É a questão da passagem. Pesquisei e achei informações que as ONGs não são obrigadas a dar passagem aos voluntários. Pesquisei pelos próprios voluntários dizendo algo do tipo, e só achei respostas de dois fóruns de anos atrás, e os dois diziam que não ganhavam nada. Isso me desanimou, porque estou desempregado, e não tenho como arcar com os custos de passagem. Quero ajudar, quero fazer alguma coisa, mas precisaria que a ONG se dispusesse a pagar a minha passagem, o que parece ser difícil acontecer.

O que posso fazer, então, é esperar para um dia que eu trabalhar, tiver carro e ver se sobra um tempo para fazer trabalho voluntário. Aí, quem sabe?

Trabalho voluntário

Adoção

Uma coisa que quero ter independente de casar ou não é um filho. Filho no singular rs. Se eu casar, acho difícil ter um só, porque a mulher sempre quer pelo menos dois. É difícil alguma mulher querer ter um só filho. Se eu não casar, adotarei um filho. Será um menino, porque eu não saberia criar uma menina sozinho. Na verdade, adoção é um tema que eu gosto. Se eu casar, dependendo da esposa, eu adotaria também. Se ficar solteiro, o que é provável, eu farei isso com certeza.

Eu não queria demorar muito, porque não quero ser pai velho. Acho que o ideal seria ser pai até os 30 anos, mas já estou com 20, e tenho a impressão que esses 10 anos se passarão rápido. Eu tenho algumas coisas que gostaria de fazer antes de ter um filho, como estudar mais e fazer um intercâmbio. Não daria para fazer isso tranquilamente tendo um filho. É muito normal os pais trabalharem de dia e estudarem à noite, mas eu não quero fazer isso. Se eu vou adotar, a responsabilidade terá que ser minha, e não da vó, babá ou creche. Filho é uma responsabilidade muito grande e eu penso que se é para fazer, que faça direito. Por outro lado, se eu adiar a paternidade para a realização desses projetos, seria pai velho, o que acho ruim (nada contra quem é) porque as energias vão embora quando você vai ficando mais velho, e eu queria aproveitar a infância do meu filho. Não sei realmente o que vai acontecer primeiro, mas o que vier, me fará abrir mão de outra coisa.

Mas antes de adotar eu tenho algumas coisas para fazer. Primeiro eu já teria que estar trabalhando há alguns anos, já ter um apartamento e ser independente. Eu já teria que saber como é viver sozinho e como cuidar de mim mesmo para poder cuidar de outra pessoa.

Percebi  que o porquê que quero ter um filho é que eu quero ter uma companhia, alguém a quem passar os meus valores e pensamentos, alguém que poderia passar adiante o que aprendi com meus pais.

Mas voltando ao tema de adoção, essa é uma coisa que eu quero fazer. Nos últimos meses (entre setembro e outubro), eu pesquisei muito na internet sobre isso. Li dicas em sites, li artigos científicos e monografias sobre os temas de adoção e adoção tardia, peguei dicas de quem já adotou e disse como é a fase de adaptação. Foram muitas informações, e acho até que foi precipitado, já que isso não vai acontecer agora. Mas eu realmente estava interessado nessas pesquisas, e então aproveitei o ânimo para pegar o máximo de informações possível.

A adoção que eu faria não seria de um bebê, porque eu não teria como cuidar de um, mas de uma criança com uns 3, 4 ou 5 anos. Não sei ainda a idade mínima que vou querer, porque quanto menor a criança, menos tem como saber sobre sua personalidade, e isso é algo que eu quero saber sobre ela, porque será um fator decisivo pra mim. Eu queria um menino mais parecido comigo, introvertido e organizado. Dessa forma seria mais fácil nos darmos bem quando ele crescesse, e quando ele tivesse algum problema, eu poderia entendê-lo melhor. Claro que isso não deixaria tudo perfeito, ou me afastaria de problemas com ele. Eu tenho consciência disso. Mas eu acharia mais fácil lidar com alguém assim do que com um extrovertido, com quem geralmente não me relaciono bem. Quando ele crescesse, chegaria um momento que eu não conseguiria mais lhe segurar e lhe controlar. Isso parece ser algo que acontece com todos os adolescentes, mas acredito que com um extrovertido seria pior.

Descobrir a personalidade de uma criança pequena não é fácil, porque ela ainda está em formação. Com as crianças grandes seria mais fácil de saber, mas em compensação, elas viriam com uma bagagem ainda maior, e a sua educação seria mais difícil. Ela não mudaria alguns comportamentos e não se adaptaria a tudo da sua nova vida. Por isso a minha preferência é que a criança tenha no máximo 5 anos, para eu possa influenciar na sua criação e construir as suas bases.

Por isso, também andei pesquisando sobre testes de personalidade para crianças na internet. Achei alguns, mas não sei se teriam resultados em crianças tão pequenas. Achei outros testes, mas que só podem ser usados por psicólogos.

Falando em psicólogos, uma coisa é certa: antes de adotar uma criança vou me consultar com um para aprender a lidar com crianças. Sou sério e não sei falar com uma criança. Não gosto dessa característica minha (principalmente quando me lembro que o livro O Pequeno Príncipe faz essa crítica sobre os adultos), por isso vou procurar ajuda. Não quero ter uma relação fria e distante com o meu filho. Tenho esses defeitos, mas não quero continuar assim. Quero melhorar. Quero ser um amigo e companheiro para ele. Quero ser o seu exemplo de pessoa.

Pesquisei casos de pais adotivos solteiros e a situação não é nada fácil, e é nessas horas que uma esposa faria falta. E eu não quero ter um filho para lhe deixar com a vó ou com a babá. Se for assim é melhor nem adotar. Quero ter um filho para passar o dia com ele, para criá-lo de verdade (e não só sustentá-lo). Quero ver o seu crescimento. Por isso, o ideal seria que nessa época eu já tivesse o meu negócio próprio, porque aí teria o horário mais flexível. Mas não sei se isso vai ser possível. Provavelmente não.

Outra solução seria eu conseguir ser transferido para um setor da prefeitura onde eu trabalhe meio expediente. Largaria às 1h da tarde, mas o que a criança faria das 11h30, hora que largaria da escola, até a hora que eu largasse do trabalho? Esse é um problema que ainda não achei a solução.

Uma possibilidade que seria muito boa para mim, mas que é totalmente improvável de acontecer, é um home office. Infelizmente o governo não investe nisso.

Mas para tudo se dá um jeito não é mesmo? Com certeza daqui pra lá eu vou conseguir dar um.

Atualizado em 10/04/2016.
Adoção

Porque eu prefiro não casar e planos para o futuro

Casamento não é uma prioridade para a minha vida. O projeto de vida de muita gente é se casar e ter uma família. Eu não quero só isso, eu quero mais. Tem gente que se não se casar não se realiza. Geralmente são as mulheres. Não estou generalizando, é claro, mas elas ligam mais para isso do que os homens. As mulheres têm medo de morrerem sem casar. Existem homens com esse objetivo e pensamento também. Mas eu não fico desesperado quando penso em ficar solteiro. Eu não penso: “ah não, vou morrer solteiro!”, como muita gente que não consegue uma namorada/namorado pensa.

Os motivos para eu não ter o casamento como prioridade são muitos. Tenho planos e sonhos e quero que eles se tornem realidade. Quando você se casa, outros planos surgem, e deles, outras prioridades. As duas pessoas têm que sacrificar alguns de seus desejos pessoais para atingir os objetivos do casamento. É como numa empresa, todos tem que se sacrificar, inclusive alguns de seus desejos pessoais, em prol do grupo e da empresa. E sinceramente, eu não queria abrir mão desses meus desejos para o futuro. Eles poderiam ser realizados mesmo se eu estivesse casado? Talvez, mas seria mais difícil, com certeza, porque eu não teria só a mim como responsabilidade, e sim mais uma ou duas pessoas, e isso dificulta as coisas.

Um exemplo: eu vou ser funcionário público (se Deus quiser), mas gostaria de ter um negócio próprio. Isso exige tempo e dedicação, e por isso eu teria que deixar o meu emprego garantido para me aventurar nesse mar de incertezas, que é o empreendedorismo. Tanto faz dar certo como não dar. Ou então você se mata de tanto trabalhar e o quanto ganha é o mesmo que você ganhava no seu emprego, onde o trabalho e estresse eram menores.

Por enquanto esse é o meu plano. Claro que isso não vai acontecer agora, porque tenho que ter dinheiro. E daqui para que eu consiga juntar uma boa quantia, já vai se passar muitos anos, anos suficientes para eu amadurecer mais como pessoa e como profissional. Por mais que eu faça planos e imagine o meu futuro, não tem como ter certeza de nada. O futuro é como olhar para o mar à noite. Você não vê nada. Sabe que ele existe, mas não o vê. (Essa frase acabou de sair da minha cabeça e adorei!). Então não sei dizer como vou estar daqui pra lá. Talvez esteja satisfeito com meu trabalho e salário e não queira arriscar. Talvez até tenha vontade, mas me sinta cansado para isso. Talvez esteja num momento de muitas responsabilidades financeiras, e por isso, talvez não seja um momento pertinente para sair de um emprego seguro e correr o risco de ficar numa situação ruim.

São muitas as possibilidades. Mas independente disso, se eu tenho um plano de montar um negócio próprio no futuro, e esse é hoje um dos meus maiores desejos, não daria certo se eu estivesse casado. Provavelmente a minha esposa me aconselharia a ficar no emprego, porque é melhor o certo do que o duvidoso. E eu, é claro, pensaria duas vezes, porque não iria querer comprometer o orçamento familiar com as minhas aventuranças.

Sozinho eu teria mais liberdade para fazer o que quisesse. Eu poderia fazer um planejamento financeiro mais fácil porque estaria sozinho, o que representa menos gastos. E também não teria ninguém para dar satisfação do que estou fazendo ou deixei de fazer. Isso não quer dizer que eu vou ser uma pessoa imprudente. Não, de jeito nenhum. Isso é uma questão de prioridades, porque, como disse acima, com o casamento surgem outras prioridades no lugar das suas pessoais. E essa ideia de montar um negócio próprio não é a única. Eu quero estudar mais, quero fazer um intercâmbio, quero viajar. Eu ainda tenho outras ideias, planos e vontades, mas essas são umas das principais.

Outro motivo é que não sou uma pessoa fácil de lidar numa convivência diária, e reconheço isso. Reclamo muito, sou exigente, chato… Venho me esforçado para me tornar uma pessoa melhor desde os últimos 5 anos, e venho tido mudanças para melhor. Espero melhorar ainda mais no futuro, mas não sei se eu daria certo num casamento. Em todo casal existem desentendimentos e brigas, e é isso o que eu quero evitar. Eu quero fazer as coisas do meu jeito.

Esses são motivos que você pode me ver como egoísta. Não acho isso bonito e nem tenho orgulho, mas, sim, talvez eu seja.

Tem também uma outra questão: ainda não achei uma menina que eu realmente gostasse. Primeiro, antes de tudo, eu tenho que lhe achar bonita. Muitas meninas são consideradas bonitas, mas eu não acho. Eu não acho, porque os rapazes geralmente olham peitos e bunda, enquanto eu olho o rosto e cabelo. Eles olham o corpo, e eu olho a personalidade. Não quero namorar uma menina só porque lhe achei bonita e depois começar a conhecê-la. Quero lhe conhecer antes, saber quem é ela, quais seus costumes, seus pensamentos, ideias e planos para o futuro. Quero saber se ela tem pensamentos, ideias e planos compatíveis com os meus, se os valores dela são os mesmos que os meus. Ela tem que ter a mesma religião que eu, ter a mesma fé, a mesma crença. Já disse aqui o quanto sou exigente em relação a meninas (veja o ponto 14 dessa postagem). Só depois de saber esses detalhes é que posso ver se vale a pena investir num relacionamento ou não.

Acho que uma grande parte do motivo de eu dizer que prefiro ficar solteiro é justamente o fato de não ter achado ninguém. Quando você não acha ninguém fica difícil imaginar um futuro casado. Quando você passou a sua vida inteira tendo dificuldade de se relacionar com as pessoas e sofrendo bullying na escola, você não se sente autoconfiante para o casamento, que é um passo importante, e que muda a sua vida inteira. Quando você é exigente demais na escolha, na tentativa de se prevenir de uma crise ou separação no futuro por ter escolhido a pessoa errada, fica mais difícil ainda.

Enquanto escrevia o parágrafo anterior, me lembrei de uma coisa: foi no Ensino Médio que começou a minha revolta sobre casamento. Eu dizia para os meus pais: “EU NÃO QUERO CASAR!”, e a minha justificativa era: “porque casar só traz problemas”. Mas nem eu mesmo sabia porque estava revoltado daquela forma, e nem porque tinha tomado aquela decisão. Hoje, quando olho para trás percebo que isso foi consequência do que eu vivi. Como uma pessoa que não tinha nenhum amigo e que todos se afastavam dela, poderia ter um namoro e casamento bem sucedido? Como uma pessoa cheia de problemas psicológicos que nem dos pais recebia apoio, e que o pai sempre dizia que ela é que era o problema, poderia ser uma pessoa que confiasse em si mesmo? Na época eu não conseguia ver esses problemas como motivos para não querer casar, porque eram problemas psicológicos, e problemas psicológicos são assim, inconscientes. Eles entram na sua mente silenciosamente, muda o seu comportamento e sua forma de pensar, e você nem percebe.

Hoje os meus motivos são outros, são mais racionais, mas a ideia é a mesma. E as causas também. Ainda acho que casamento trás muitos problemas, mas também reconheço os seus pontos positivos, que se eu não casar, perderei.

Hoje mudei um pouco mais de pensamento. O casamento não é mais aquela coisa que eu digo: “eu não quero casar”. Pode acontecer? Sim, pode. Se eu achar alguém que eu realmente goste, provavelmente o casamento vai acontecer e eu nem vou mais pensar em problema nenhum que o casamento poderá me trazer no futuro. Mas o que eu vejo é que já estou com 20 anos. Me acho velho, não tenho nada, e ainda não tenho emprego, e quanto mais tempo vai passando, mais difícil é de se arranjar alguém. A disponibilidade maior é na época da adolescência. Por isso trabalho mais com a possibilidade de futuro em que estarei solteiro.

A minha vida de solteiro será perfeita? Claro que não. Vou sentir falta de alguém? Sim. Apesar de todos os problemas que eu vejo num casamento, eu sentiria falta de alguém. Alguém para dividir os meus problemas, para conversar, para me ajudar quando estiver doente, alguém que eu posso contar para tudo. Alguém que criaria os meus filhos sem que eu ficasse preocupado no trabalho por ter que fazer isso sozinho. Vou sentir falta de tudo isso.

Mas em toda a escolha que fazemos na vida, saímos perdendo e ganhando alguma coisa. É sempre assim.

Porque eu prefiro não casar e planos para o futuro