Programas de auditório da TV aberta estão em decadência

Hoje em dia a TV aberta é uma lástima em relação à programas de auditório e programas infantis (os que sobraram). Em relação aos programas de auditório, eles estão numa defasagem tão grande, que não me acho exagerado ao pensar que esse gênero está em decadência na TV aberta.

O que se vê nos últimos anos é um comodismo dos produtores, diretores e apresentadores em produzir novos conteúdos, e coisas que realmente entretam.

O caso de Eliana

Lembro que na época que Eliana fazia o Tudo é Possível eu assistia todos os domingos, porque o programa era muito bom. Depois que ela mudou para o SBT, passou por uma fase ruim, da qual o programa era muito feminino, na época que era dirigido por Leonor Correa. Depois que Ariel assumiu a direção, o programa ganhou novos ares. Voltou a ser um programa para a família, tinha novos quadros com constância e o revezamento entre eles era muito bom. Mas com um tempo as novidades pararam, o programa passou a ter quadros muito repetitivos, que eram os mesmos de sempre, que outrora eram as novidades e eram divertidos de assistir. Agora os programas chegavam a ter 3 quadros por programa, que tem 4 horas de duração. Isso não só deixou o programa repetitivo quanto também cansativo. Cito Eliana aqui, porque eu era fã dela desde criança, e lhe acompanhei até esse momento ao qual me refiro. Depois disso enjoei do programa e deixei de assistir, até hoje. De lá para cá a quantidade de vezes que parei para ver Eliana foram pouquíssimas, e geralmente por causa de algum quadro ou externa específica. Quando o programa Eliana ganha algum quadro novo, ele é de assistencialismo, para tentar pegar o público da Record.

Mas isso não é exclusividade de Eliana. O Domingo Legal, que eu já falei aqui há anos atrás, também está acabado, o Programa Raul Gil é a mesmice de sempre independente da emissora em que se encontra, e o Programa Silvio Santos, que já foi um ótimo e divertido programa para assistir em família, agora é uma vergonha alheia.

O caso de Silvio Santos

Aliás, falando em Silvio Santos, que é tão endeusado por fãs e outros artistas, devo dizer que ele está mesmo é perdendo a cabeça. Já faz anos que não acompanho o seu programa, porque ele passou a fazer piadas cada vez mais picantes e de teor sexual e piadas que ofendem a religião das pessoas. O Jogo dos Pontinhos, que era ótimo no começo, passou a ser um quadro de safadezas, só com piadas de duplo sentido, muitas vezes ditas abertamente, sem nenhum pudor. Aquilo é uma pornografia. Silvio, que viu que suas piadas estavam fazendo as pessoas rirem e viu que estavam sendo toleradas, foi abaixando o nível cada vez mais. Acha que só porque é idoso, é dono de uma emissora e chefe de vários funcionários, que pode falar o que quiser que todos deverão aceitar calados porque ele é o chefe. Com isso eu já vi ele ofendendo mulheres gordas (uma modelo plus size) e negras (ele falou mal do cabelo da atriz que faz Pata, de Chiquititas), e isso no palco do Teleton, que deveria ser o maior lugar de respeito às diferenças! Fora as “piadas” que ele sempre faz no seu programa, que ofende diversas pessoas, estejam elas no palco ou em casa. Mas ninguém está nem aí só porque ele é Silvio Santos, como se isso por si só pudesse lhe trazer alguma imunidade.

Recentemente veio a tona a polêmica envolvendo a participação de Maisa e Dudu Camargo no Programa Silvio Santos, que rendeu a semana inteira (e ainda rende). Enquanto as pessoas se dividiam entre achar Maisa grossa ou dizer que ela reagiu bem, e outras em rechaçar Dudu Camargo, não vi ninguém falar mal de Silvio Santos, que foi quem começou aquela “brincadeira”. Desde o momento que Silvio falou que levou os dois ali por estarem solteiros, já deu para ver que Maisa não gostou e a partir daí ficou visivelmente desconfortável e constrangida. Ela ainda tentou sorrir e parecer natural em alguns momentos, tentando manter a calma, mas a situação estava ruim e Silvio não deixava de forçar a barra. Depois o próprio Dudu resolveu entrar na “brincadeira”, o que só fez pesar ainda mais o clima. Eles não conhecem o que é limite.

Não estou defendo Dudu, só para deixar claro. Ele é muito inconveniente e fala merda o tempo todo e em todo o lugar. Mas como eu disse, ninguém falou mal de Silvio. Sabe o que é que aconteceu agora? Silvio chamou os dois de novo para gravar juntos, e dessa vez Maisa não aguentou e deixou o palco. Silvio Santos só quer mídia. Ele, assim como Dudu Camargo, é do tipo: “falem bem ou mal, mas falem de mim”. O problema é que eles estão envolvendo outra pessoa nesse seu joguinho de procura pela fama rápida. O negócio foi forte ao ponto de cortarem essa parte do programa, que não será exibido. Se fosse ao ar, com certeza Dudu Camargo seria mais uma vez amplamente criticado e pisado (mas ele gosta mesmo assim, porque ganha mais mídia), porque provavelmente deveria ter se comportado mal de novo, mas ninguém se ligaria que se Silvio não tivesse chamado eles dois de novo, eles não precisariam passar por isso novamente. Mas Silvio, que não quer saber de nada, a não ser fazer e falar o que quer porque é o dono e o chefe, vai lá manda chamar os dois e pronto. Isso é sensacionalismo, é desrespeito às pessoas, é imoral. É um nojo. Mas os endeusadores de Silvio custam a admitir isso. Descontam toda a sua raiva em Dudu Camargo, que sim, merece tal tratamento, mas se esquecem que o pivô de tudo é Silvio Santos, que está num nível cada vez mais baixo.

O caso dos programas da Record

Os programas de auditório da Record não são melhores que os do SBT. Na Record todos os programas seguem a receita básica do sensacionalismo e do choro. E o pior é que dá audiência, e é por isso que eles continuam fazendo. É incrível como além de esticar uma reportagem de assistencialismo ao máximo, eles sempre têm que colocar uma trilha sonora de fundo que induza o telespectador ao choro, sempre deixam os finais de frases e finais de cenas em preto e branco e em câmera lenta, principalmente quando a pessoa está chorando, para passar a emoção ao telespectador. Tudo bem que ali exstem pessoas que estão sendo ajudadas, mas a forma que eles fazem isso é realmente deprimente, mostrando o seu desespero pela audiência. Parece que eles não ajudam porque querem ou porque gostam, e sim porque aquilo dá audiência, e por isso fazem aquela edição porca, que faz uma simples reportagem durar uma hora ou mais, e então seguram a audiência dessa forma. Em outras palavras, eles ganham em cima da desgraça alheia. Isso é muito baixo. No dia que esse tipo de pauta deixar de dar audiência, quero ver um artista ou emissora de televisão continuar ajudando essas pessoas que precisam. Pior é que o SBT também vem colocado emoção e assistencialismo nos seus programas, numa tentativa frustrada de pegar público da Record. O SBT não faz uma edição tão sensacionalista quanto a da Record, mas também estica ao máximo um quadro desse tipo.

Os programas da Globo

Não acompanho os programas de auditório da Globo, de um modo geral. Não gosto de Faustão e nem de Amor e Sexo. Assisto e gosto do Encontro, mas não sei se posso considerá-lo um programa na categoria “programa de auditório”. Nas últimas semanas dei uma olhada no Caldeirão do Huck. Faz tempo, muito tempo, que eu queria tirar um sábado para ver esse programa, mas nunca tinha coragem, porque programas de auditório em si já me desestimulam (prefiro programas mais curtos, de no máximo 1 hora, e preferencialmente de formato fechado). Voltando ao Caldeirão do Huck, assisti algumas semanas do programa, vi diferentes quadros e gostei do que vi. É um programa muito decente, e tem só 2h30min de duração. Lá tem assistencialismo, mas não tem sensacionalismo. A reportagem mostra apenas o que tem que mostrar. Nada de chororô ou de edição que fique contemplando isso. É um programa em que pessoas são ajudadas, mas as vemos felizes. É um programa em que seus quadros de assistencialismo fazem o que têm que fazer e ponto. Esse é um ótimo exemplo de programa, onde é mostrado que dá para fazer assistencialismo sem forçar a barra. E Luciano Huck, que vejo muita gente dizendo ser um apresentador ruim, acho um bom apresentador, tanto no palco quanto nas externas. O programa dele sempre tem reportagens legais e ele não é aquele tipo de apresentador metido que quase nunca sai para a rua, mesmo estando na Globo, que em teoria, é a emissora menos populista de todas. Tudo isso me fez gostar do Caldeirão e de Luciano Huck. Ele e sua equipe fazem um programa de qualidade. E está aí, mais uma vez, um ótimo exemplo de que é possível fazer um programa de auditório curto e de qualidade, já que os fãs do SBT teimam em dizer que o motivo do fracasso do Domingo Legal é a sua duração pequena (eles se esquecem que o Domingo Legal já era 3º lugar desde a estreia do Domingo Show, da Record). Na Globo nenhum programa, seja ele de qual tipo for, tem mais de 3 horas, e todos são bem feitos, seja tecnicamente ou em relação a conteúdos (ou as duas coisas). Então sim, é possível.

Mesmo assim, o Caldeirão do Huck é apenas um programa que considero bom dentre tantas emissoras e tantas programações. Outro programa que eu poderia dizer que se salva é o Programa da Sabrina, mais por causa das externas do que dos quadros feitos no palco, e mesmo ela não sendo lá essa coisa toda como apresentadora. Agora são dois, mas é só (e mesmo assim eu não os acompanho).

Há décadas atrás, os programas de auditório eram mais comuns. Tinham mais conteúdos, maiores duração, mais variedades. Com o passar do tempo tudo isso foi diminuindo e se acabando. Os atuais programas que continuam no ar estão por insistência das emissoras, porque nos dias de hoje, não conheço mais ninguém que se sente no sofá para assistir um programa de auditório inteiro. Programas de 4h atualmente são considerados grandes demais, numa época em que tudo é cada vez mais veloz e prático, e ninguém tem mais paciência para assistir grandes programas. É por isso que vemos a Band, SBT e Record apostando cada vez mais em realities, porque são formatos fechados, programas sobre uma coisa só, com duração mais curta, e que dá para chamar atenção de um público específico para assistir. Mas os programas de auditório continuam, por insistência das emissoras, como eu disse, seja por motivo de conseguirem a audiência desejada por pior que o conteúdo seja, seja pelo faturamento ou pela falta de coisas melhores para colocar no lugar (ou as três coisas juntas). Mas não sei até quando isso vai durar. Olhando o histórico dos programas de auditório das últimas décadas até hoje vemos a sua decadência. Hoje a decadência não é só da quantidade dos programas e da sua duração no ar, mas também a decadência moral dos conteúdos, que é de passar vergonha ou tédio.

Programas de auditório da TV aberta estão em decadência

Assistir a programas policiais só lhe faz ter uma visão mais negativa da vida

Eu não gosto desses programas policiais e de sangue, como o Brasil Urgente, de Datena, o Cidade Alerta, de Marcelo Rezende, e outros parecidos. Eles só trazem notícia ruim. É morte, sequestro, assalto, estupro, abusos, tráfico… é só sangue, sangue, sangue e polícia, polícia, polícia. É muito sensacionalismo. Sabemos que o Brasil não é essas mil maravilhas, sabemos que aqui não é um exemplo de local seguro e desejamos que o governo tivesse um cuidado maior com essa área, mas quando você assiste a um programa desse tipo a sua ideia sobre o Brasil, o estado ou cidade onde vive fica ainda mais afetada. Você fica revoltado com o que vê, revoltado com a bandidagem e revoltado com o governo. Você fica com raiva de tudo e de todos, fica desgostoso e tem uma imagem negativa de tudo além da conta. Sabemos dos defeitos do Brasil, vivenciamos assaltos, sabemos do perigo que corremos nas ruas, mas mesmo assim você vive a sua vida normal. Agora quando você assiste a esse tipo de programa, a sua visão muda, e para pior. Isso não é saudável.

O negócio é que bandidagem nunca vai parar de existir. A segurança no Brasil pode melhorar o quanto for, mas sempre existirão notícias ruins para encher esses jornais sanguinários. E se você continua assistindo, mesmo que os níveis de segurança e violência melhorem, você ainda irá ver tudo com uma olhar negativo. Esse tipo de notícia sempre existirá, e ele mostra uma realidade, mas que muitas vezes nos faz acreditar que é muito pior do que realmente é. Ficamos alarmados e com medo de sair de casa depois de vermos um programa desses. Se existissem jornais e programas de televisão que só dessem notícias boas, de pessoas que fazem bem aos outros, que trabalham em causas sociais, que se respeitam e se ajudam, e se fosse sempre assim, cheio de conteúdos todos os dias, assim como esses jornais policiais, a nossa tendência seria não só admirar a atitude daquelas pessoas, como também nos sentiríamos mais felizes e leves, seríamos mais otimistas, e o melhor, faríamos aquilo que vimos os outros fazerem.

O que estou querendo dizer é que esses jornais policias, assim como todo o meio de comunicação, influencia as pessoas que assistem (ou leem, no caso das notícias de jornais impressos ou da internet). São programas que não têm bons conteúdos a oferecer, que têm baixa qualidade, que não nos acrescenta informação útil e que não faz aprendermos nada. Eles só estão ali alardeando aos quatro ventos casos de violência que nos fazem ficar apreensivos e revoltosos. Eles só trazem coisas negativas para quem assiste. Eles só fazem as pessoas se tornarem mais negativas.

Assistir a programas policiais só lhe faz ter uma visão mais negativa da vida

O que a Record precisa fazer para melhorar

 

recordtv-logo-2016

A Record mudou de nome e agora se chama “RecordTV”, e também mudou de slogan, que agora é “Reinventar é a nossa marca”. Claro que não podia faltar uma nova logomarca, como já é de praxe.

Sobre a logomarca, preferia a anterior. Eles poderiam ter tirado a marca do mapa do Brasil, e ter suavizado as cores para ficar mais minimalista. Apesar de num primeiro momento eu não ter gostado da nova logo, na tela ela ficou bem, e me acostumei rápido com ela. Espero que não mudem por outra nem tão cedo (ou será que estou sendo iludido? rs). O negócio é que a Record precisa de mudanças reais, e só nova logomarca, slogan, nome e cenários não vão mudar nada.

Já faz alguns meses que conheci alguns Recordistas simpáticos no Twitter (antes só seguia SBTistas, que eram da época que eu era fã do SBT, entre 2011 e 2012), e passei a segui-los porque eles não eram fanáticos, e tinham uma visão crítica da emissora. Gosto disso. Mais alguns meses depois fui adicionado num grupo do Twitter da Record, onde todos sempre dão sugestões e trocam ideias de uma grade ideal. Inspirado nisso resolvi escrever este texto com as minhas sugestões e opiniões sobre a atual situação da Record e o que ela precisa fazer para melhorar.

Sugestões

Mudanças no jornalismo

jornal-da-record

Já faz muitos anos que a Record se consolidou como a emissora do jornalismo policial, sangrento e sensacionalista. Além de dedicar horas do seu dia para jornalísticos como o Balanço Geral e Cidade Alerta, esse tipo de jornalismo invadiu também o Domingo Espetacular, que até a última vez que assisti (faz tempo) tinha reportagens especiais longuíssimas com aquela trilha sonora de caso importante. Invadiu também o Hoje em Dia, que além de ser mais curto do que antigamente, passa de 1h a 1h30 só com César Filho sando notícias. O resto é o que sobra para ele e mais 3 apresentadoras disputarem a atenção do público e ter tempo de tela para a parte do entretenimento. Também invadiu o Jornal da Record, coisa desnecessária.

Antes de tudo isso, na época de ouro da Record, por volta de 2004 a 2008, a Record tinha conseguido se consolidar no jornalismo, mas com um jornalismo de qualidade. Aqui em casa todo mundo deixou de assistir ao Jornal Nacional para assistir ao Jornal da Record, de tão bom que era. E eu conhecia muita gente que também assistia ao Jornal da Record. Como é que de um momento para o outro (no modo de falar) as coisas mudaram tanto? Como é que o jornalismo que era tão bom passou a ser só notícias sobre bandidos? Quando foi que a qualidade de uma reportagem passou a ser medida pela sua duração no ar e pela trilha pesada que é colocada? Tudo isso prejudicou a grade da Record como um todo, tirou as características dos programas que gostávamos, deixou os programas ruins.

É extremamente necessário que a Record faça uma mudança no seu jornalismo. Já que ela se autodenomina a emissora que se reinventa, deveria começar daí, e trazer o bom jornalismo de volta, aquele é feito na medida, sem exageros, e sem invadir os espaços dos outros programas. Sensacionalismo pode dar muita audiência, mas tem prazo de validade. O Cidade Alerta, por exemplo, já mostra os seus primeiros sinais de desgaste. Ele ainda é vice-líder isolado, mas não tem mais a mesma potência de anos atrás. Hoje ele é incomodado por Chaves, pelas novelas mexicanas, e até o SBT Brasil cresceu a sua audiência e sempre está ali pertinho do Cidade Alerta (principalmente antes de Escrava Mãe, onde eles chegavam a concorrer). O sensacionalismo pode ter um prazo de validade até longo, mas depois que ele acaba, deixa o programa desgastado, e depois levantá-lo de novo pode se um desafio. Cidade Alerta chegava a marcar 10, 12 pontos de audiência, e hoje está na casa dos 7. Ainda na vice, mas como eu disse, não mais com a mesma força de antes.

Mudanças nos programas (entretenimento)

hora-do-faro

As mudanças nos programas de entretenimento são pelo mesmo motivo da necessidade da mudança do jornalismo: o sensacionalismo. A situação do jornalismo tomou proporções tão grandes que também invadiu os programas do entretenimento, chagando a passar programas inteiros para o setor do Jornalismo, como Gugu e Domingo Show. Outros programas, que ainda estão no setor do Entretenimento, como o Hora do Faro, usam as mesmas táticas de Gugu e Domingo Show. Os programas da Record estão todos com excesso de assistencialismo, e por isso criou-se um padrão de programas. Você assiste o mesmo programa sempre, mudando só o apresentador, o cenário, e o nome do programa, mas todos eles são muito parecidos. Até a abertura foi padronizada. Já percebi que vários programas da Record (não posso dizer todos porque não tive a oportunidade de checar todos) começam sempre com um resumo do que vai ter no programa, ou um resumo da primeira reportagem. Até Xuxa Meneghel, que ainda está conseguindo se manter na linha do entretenimento, eu já vi iniciando assim. Para que essa padronização? Cada programa tem que ter a sua identidade e características próprias. Talvez o único programa totalmente diferente dos outros é o Legendários, mas mesmo assim, um dia, mudando de canais, vi o Legendários fazendo assistencialismo.

Falando em assistencialismo, o problema não é o assistencialismo em si, mas a forma como ele é feito. A Record se aproveita ao máximo da desgraça alheia para subir a audiência, colocando os quadros de assistencialismo com durações longas, e com uma edição, também padronizada entre os programas, que evidencia todo o momento de dor da pessoa (colocar a imagem preto e branco com a pessoa chorando, ao mesmo tempo em câmera lenta, e com som triste no fundo para induzir o expectador ao choro. Eles sempre fazem isso, e é assim na reportagem inteira). Outro problema é a quantidade de quadros de assistencialismo. Além de precisarem ser mais curtos e de não terem edições sensacionalistas, o número de quadros desse tipo precisa diminuir em todos os programas, para que eles voltem a ser mais alegres do que tristes, e que provoquem mais risadas do que choro.

Teve uma época que a Record tinha ótimos programas (Tudo é Possível com Eliana, O Melhor do Brasil com Márcio Garcia e Rodrigo Faro, por exemplo). Por que precisaram chegar nesse ponto e nesse estilo? Mais uma vez, tudo por audiência. O projeto “A Caminho da Liderança” começou a dar errado, e o caminho que eles usavam era o do entretenimento alegre e do bom jornalismo, além das novelas de qualidade. Então mudaram completamente a cara e o estilo da emissora, apostando em sensacionalismo em tudo, para conseguir audiência. Sabe qual foi o problema do projeto “A Caminho da Liderança”? A pressa em chegar na liderança de qualquer jeito. A pressa em tirar da Globo e SBT os melhores. A ganância de chegar lá, sendo que só tinham conseguido a vice-liderança isolada, e precisavam solidificar ainda mais ela, antes de dar o próximo passo.

Para a Record que quer se reinventar, gostaria de voltar a ver bons programas novamente. O SBT é quem segue essa linha, e seu exemplo deve ser seguido. A diferença é que hoje os programas de auditório do SBT estão em crise porque caíram na mesmice a na falta de investimento. Se a Record fizer bons programas e não cair nesse erro do SBT, pode se dar bem. Se não fizerem isso, o caminho dos programas a longo prazo será o mesmo da do jornalismo: queda de audiência, como no exemplo que eu citei do Cidade Alerta. Os primeiros sintomas já podem ser vistos: Domingo Show ainda tem uma audiência altíssima, massacrou o Domingo Legal, e chega a minutos de liderança, mas ele também não marca mais a mesma audiência que marcava no começo.

Xuxa

xuxa-record

E no meio de tudo isso está Xuxa, que é um caso à parte. Eu particularmente nunca vi Xuxa como essa Coca-Cola toda, nunca lhe achei uma excelente apresentadora. Não posso negar, porém, que ela tem carisma. Ela consegue atrair as atenções para ela, porque fala o que pensa e não segue roteiro. O problema é que apesar desse carisma, ela não tem domínio de palco. Às vezes ela fala demais, ofuscando os convidados. E às vezes fica calada e você sente falta da apresentadora. Xuxa fez sucesso no passado nos seus programas infantis e tem uma legião de fãs que sentem carinho por ela, porque ela fez parte das suas infâncias, mas esses fãs não dão audiência. O grande público é que dá. Muitas vezes o programa é tão ruim e chato, que nem mesmo os fãs de Xuxa devem acompanhar. Eu sempre soube que Xuxa na Record não ia dar certo porque: 1) Se a Globo, que é a Globo, e sempre procura trazer qualidade ao que faz, não conseguiu, quanto mais a Record, que já tem dificuldade em fazer um bom entretenimento com seus outros programas? 2) Se na Globo ela já tinha dificuldade de marcar boa audiência, marcando menos que o Estrelas e que Luciano Huck, e muitas vezes perdendo para Pica-Pau, da própria Record, por que na Record, que é uma emissora de 2º/3º lugar e tem seu teto por causa disso, ela daria boa audiência?

A Record respondeu essas perguntas dizendo que o que Xuxa precisava era de um bom formato. Sim, concordo, a Globo não deu um bom formato para Xuxa. Mas hoje eu vejo, devido ao fracasso do programa de Xuxa na Record, que se a Globo, já conhecendo Xuxa de longa data, não tentou outros formatos de programa para ela, é porque sabia que não daria mais certo. A época de Xuxa passou. Tem apresentadoras melhores, e tão carismáticas quanto ela, e que ainda consegue ter um melhor domínio de palco, como Adriane Galisteu. Adriane Galisteu pode não ter o mesmo nome, fama e força que Xuxa, mas sairia mais barata, e poderia fazer um programa com a mesma audiência, e a Record ainda teria uma boa apresentadora nas mãos. Caso o programa não desse certo, teriam mais opções de tentativas, porque Galisteu é mais versátil que Xuxa, consegue apresentar bem em qualquer formato. Xuxa é mais limitada, por causa do seu estilo e personalidade. Galisteu poderia não faturar tanto quanto Xuxa, mas todos dizem que ela vende bem, e dado os custos menores, ela até poderia apresentar um melhor custo-benefício para a Record.

Mas a Record contratou Xuxa, com essa sua ilusão de sempre, de achar que só o fato de contratar um artista de nome e de peso lhe fará ter boa audiência. Artista não garante audiência, e não faz o programa ser bom. O conteúdo é que faz toda a diferença. O artista só fará diferença na apresentação do programa (de acordo com a preferência do público) se o programa for bom.

Depois da contratação e estreia de Xuxa, veio mais um motivo para eu achar que ia dar errado: 3) Ela ia apresentar um programa com sofá, no estilo Hebe, o que é um erro, porque Hebe quando ainda tinha programa no SBT estava dando 4 pontos de audiência, e com dificuldade. Hebe é outra que fez muito sucesso no passado, mas que não conseguiu se reinventar ao longo do tempo e viu sua audiência cair cada vez mais. Esse tipo de programa não agrada mais ao público, e isso já foi deixado claro na época de Hebe. Um programa que tem um estilo parecido com o dela é o Encontro com Fátima Bernardes, mas ele não é à noite. É pela manhã, tem apenas uma hora de duração, é rápido na discussão dos temas (às vezes até demais) e dinâmico. Por isso deu certo (além do fato de estar na Globo, porque se estivesse em outra emissora seria um traço). Era óbvio que Xuxa com esse formato não iria dar certo. A ideia do programa é boa? É sim, eu gosto, até mesmo para divulgar os atores da casa e as novelas, mas não dá mais certo. Ainda mais na segunda-feira.

Mas hoje o programa não está mais assim, e mudou de formato. De vez em quando dou uma rápida olhada para ver se teve mudanças. E desde o primeiro programa até o jeito que está agora, teve mudanças, mas que não melhoraram em nada. O sofá saiu e ela não está se vestindo tão parecida com Ellen Degeneres quanto no começo. Mas o que importa é o conteúdo. Um dia eu vi só música atrás de música (uma forma de se fazer programa bem preguiçosamente por não correr atrás de conteúdo de verdade). Outro dia vi um quadro de competição de casamento, que tinha a mesma ideia das competições do Quer Casar Comigo? de Eliana. Outro dia foi o especial dos anos 80, onde vi que ela não sabe dominar bem o palco e vi aquele problema que disse mais acima, sobre ela ficar calada e tudo ficar em silêncio. Enfim, o programa de Xuxa está bem vazio de conteúdo.

Agora está se falando em mudar o seu programa de dia, ou de lhe dar dois programas, um nas segundas à noite, que seria um formato de fora, e outro, um programa comum aos sábados à tarde. Eu acho essa ideia ruim, porque nem se quer conseguiram fazer um bom programa para ela, que é um só, então quanto mais dois? Pode terminar desgastando a imagem dela, principalmente se o novo programa não der certo. Mas se tiver que acontecer de qualquer jeito, que o seu programa dos sábados à tarde seja o seu atual reformulado, mantendo o mesmo nome. E que o programa das segundas tenha outro nome, para que o telespectador entenda que se trata de outro programa, e não do mesmo.

Se fala também em levar seu programa para São Paulo, porque aparentemente teriam mais controle assim. Não concordo muito com isso, porque se fosse assim a Record não teria controle sobre suas novelas. O importante não é o local onde o programa é gravado e sim seu conteúdo. Não adiantará nada se mudar para São Paulo e mudar o dia do programa, se ele continuar tão vazio daquele jeito. Xuxa prometeu no Programa do Porchat mudanças para o seu programa a partir de março de 2017, e disse que não gosta do seu programa atual. Mesmo assim não deu mais detalhes, e ninguém mais sabe o que estar por vir por aí. Só resta a torcida para que venha algo realmente bom, para fazer a contratação de Xuxa ter valido a pena, até porque ainda restam 2 anos aí pela frente. Se nada funcionar Xuxa já pode dar adeus à carreira de apresentadora da TV aberta.

Melhor planejamento na dramaturgia

os-dez-mandamentos-record

Um problema que a Record vem encontrando ultimamente é na questão do planejamento das novelas. Elas são escritas antecipadamente, mas na hora do projeto virar realidade empacam. O motivo deve ser a questão financeira. Fazer novelas bíblicas e de época não é barato. Requer pesquisas (e para isso pessoal especializado, como historiadores), gastos com figurino (estilistas, costureiras, tecidos, etc.), e com efeitos visuais. Os Dez Mandamentos, por exemplo, foi um enorme sucesso. Mas depois eles começaram a esticar a novela colocando reprises de cenas como lembranças dos personagens. Essa é uma tática usada pelo SBT nas suas novelas infantis, que fazem a novela inicialmente planejada para 1 ano, durar mais que isso (e 1 ano já é muito). Isso é ruim porque cria uma barriga na novela que lhe faz perder a qualidade do que já tinha sido feito antes. Tudo começa bem, e depois se perde no meio do caminho. O telespectador termina sendo obrigado a acompanhar o resto, porque já está totalmente envolvido na novela e sabe que ela está perto do final, mas isso não quer dizer que ele goste (e esse é o momento em que os executivos têm que parar de analisar só os números altos que se mantêm e passar a ver de um modo mais subjetivo).

A diferença entre o SBT e a Record, é que como no SBT a novela é infantil, e as crianças não ligam muito para isso mesmo, o erro termina sendo aceitável. Já a Record, como faz novelas adultas, fazer isso é inaceitável, principalmente sabendo do seu tamanho e sua estrutura de fazer algo melhor.

É necessário que a Record faça planejamentos da sua dramaturgia assim como a Globo faz: determina a quantidade de tempo que a novela ficará no ar, e quando esse tempo estiver chegando, a próxima começará a ser preparada, porque de forma alguma a novela que está no ar agora será esticada. E se a novela não estiver dando certo, ela deverá mudar as suas histórias, e se mesmo assim não funcionar, deverá ser encurtada para dar vez a outra.

O caso de Os Dez Mandamentos foi apenas o primeiro. Os Dez Mandamentos – Nova Temporada foi uma forma que a Record encontrou de dar tempo para preparar uma substituta. E agora a novela Escrava Mãe já está acabando, mas Belaventura, que deveria ser sua sucessora, só está iniciando os seus trabalhos agora, fazendo com que a Record tomasse a decisão de reprisar A Escrava Isaura em horário nobre, até Belaventura ficar pronta. Reprisar novela em horário nobre é mais uma “moda” ruim do SBT que a Record pegou. É como se ao pegar as ideias do SBT de colocar flashbacks de lembranças na novela para esticá-la sem ter que escrever novas histórias, e em reprisar novela em horário nobre eles dissessem: “olha, o SBT fez e deu certo. Por que não fazemos também?”. O SBT consegue alta audiência com suas reprises, isso é fato, e a Record também pode conseguir, porque A Escrava Isaura é uma novela forte. Mas o problema disso é que a Record pode começar a se acomodar, e toda vez que tiver um atraso colocará uma reprise no lugar. Isso demonstra falta de profissionalismo e de planejamento. Uma emissora do porte da Record não precisa fazer isso, principalmente se seu objetivo é reconquistar a vice-liderança no PNT. A Record tem que criar no público duas coisas:

1º – Identificação com seu conteúdo variado e de qualidade;

2º – Criar o hábito no telespectador, com os horários e tipos de produtos que serão vistos nele;

A Record ainda precisa se diferenciar do SBT, como uma emissora que produz conteúdo e que tem planejamento.

Outra sugestão para a dramaturgia é não se apoiar muito nas novelas bíblicas e nas de época. Quer dizer, até aqui elas estão dando certo, mas em determinado momento o público pode começar a se cansar desses tipos de novela. Eles já vão fazer a novela Apocalipse, que se passará primeiro nos tempos bíblicos, e depois nos dias atuais, o que já dará uma mudada na cara da novela, mas seria bom também, se de vez em quando, no horário das novelas de época, que viesse uma novela atual, para ir preparando o público da emissora e acostumá-los a assistir essas novelas atuais, e reconhecê-las como novelas boas. Assim, se num momento as novelas de época e as bíblicas caírem, a Record já terá o público preparado para uma novela comum e não perderá muita audiência.

Outra ideia é no investimento de séries. Dia 4 de janeiro estreia Sem Volta, que virá no formato americano, o que já me animou muito, porque para mim isso é que é série de verdade.

Espero que a série dê certo, e que a Record continue investindo mais nesse gênero, que ainda não é bem desenvolvido no Brasil, e que pode integrar uma linha de shows depois do Jornal da Record. Aliás, é sobre isso que iremos falar agora.

Linhas de shows depois do Jornal da Record

A Record vem tido dificuldade em vencer Ratinho. Sem vencer Ratinho fica difícil vencer qualquer coisa que venha depois, porque ele entrega em alta e o impacto é sentido até o The Noite, enquanto o Programa do Porchat tem mais dificuldade em conseguir boa audiência. A Record passou um tempo cogitando fazer um programa diário com Geraldo Luiz, mas que depois foi para a gaveta. Eles não devem ter desistido do projeto, mas só deu um tempo para se planejar melhor e escolher um apresentador, já que Geraldo não aceitou (opções é o que não falta né? Jornalista querendo virar apresentador tem muitos na Record). O problema desse programa é que provavelmente ele virá com de 2h a 2h30 de duração. Isso é ruim, porque o programa começa às 22h30, depois do Jornal da Record, o que já é um horário avançado. As pessoas já estão cansadas e com sono, e um programa dessa duração é muito longo para o horário. O ideal nessa faixa é uma programação mais rápida e dinâmica. Então o ideal seria que esse programa diário tivesse de 1h a 1h30min no máximo, e depois viesse uma segunda faixa de shows. Essa é uma ideia do SBT que vale a pena ser copiada porque deu certo lá.

Na segunda faixa poderiam vir os realities, já que o público consegue se manter até tarde da noite assistindo esse tipo de programa, e revezando com os realities, séries nacionais. Colocar sessão de filmes e de séries estrangeiras, apenas um ou dois dias na semana, no máximo (até porque eles não teriam condições de ter uma produção diferente em cada dia). Sobre os realities, eles teriam que comprar mais formatos, para não ficar dependendo só do Batalha dos Confeiteiros, A Fazenda, Power Couple e Troca de Família. Poderia também ter um programa de outro formato, com algum tipo de jogo/competição envolvendo dinheiro entre os participantes (um tipo de programa que o SBT explora muito bem).

Sugestão de grade

Eu não entendo de programação, então não montei uma grade completa. Apenas falei dos pontos que acho que são os mais importantes e que precisam de mudança. Junto com os horários faço mais comentários.

09:40 – Hoje em Dia

hoje-em-dia-2016

Hoje em Dia voltaria a começar de 09:40. Teria 20 minutos a mais, que seria dedicados ao jornalismo. A partir das 10:00 seria só entretenimento. O Hoje em Dia precisa voltar a ser aquela excelente revista eletrônica que foi no passado. Os apresentadores podem ir para a rua fazer reportagens especiais sobre temas específicos? Sim, mas também seria bom ter repórteres informais para fazer matérias e quadros (algo parecido com o Encontro). Assim o telespectador associaria sempre aquele repórter com determinado tipo de pauta ou quadro. Um exemplo é quando o Hoje em Dia tinha um repórter que fazia reportagens de aventuras, e ele também apresentava um game show bem legal. Isso poderia voltar.

Também é interessante voltar a falar sobre temas no palco, e ter especialistas falando disso com os apresentadores no sofá. Você pode dizer que seria uma cópia do Encontro, mas o Hoje em Dia fazia isso há muito tempo. Era diferente do Encontro porque não tinha artistas, e eles se concentravam num tema durante um tempo maior. Isso também poderia voltar.

Os apresentadores deveriam voltar a ficar no sofá, para que o telespectador se sinta mais à vontade com o programa, do que eles terem que ficar em pé e sozinhos fazendo chamadas de quadros e reportagens. Um sofá até daria para os apresentadores interagirem entre si, uma característica que o Hoje em Dia tinha, tanto no trio original, quanto no quarteto que veio depois e que era muito bom.

Outra coisa é que poderiam valorizar mais o elenco da Record. Agora que as novelas estão fazendo sucesso, se colocassem um sofá daria para trazer os atores das novelas, que falariam mais da novela e do seu papel. Essa seria uma forma de divulgar a novela e valorizar o elenco. É uma forma eficaz de fazer isso, ao invés de colocar almofadas e enfeites com o nome da novela (ou o nome dela no canto da tela, ou antes de ir para o comercial). Um programa que promova o elenco dessa forma não tem na Record, e faz falta. A Globo mesmo, está sempre convidando seus atores para participarem dos seus programas, e isso ajuda na divulgação da novela e do ator. Mas isso deve ser feito com moderação, para que o Hoje em Dia não vire um Vídeo Show da Record.

14:45 – Reprise de novela

O horário da tarde é complicado. A Record já tentou fazer programa e não deu certo. A Globo sempre se incomoda com a Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo, mas ainda não pensou em nada que pudesse fazer no horário e desse bons resultados. E o Vídeo Show está sempre com dificuldades. A Record não teve outra coisa para fazer a não ser também reprisar novelas, algo que o SBT faz e dá certo. No SBT demorou alguns anos para ter a alta audiência que eles têm hoje com as novelas mexicanas, mas eles insistiram porque era a única coisa que tinha, e conseguiram criar um público.

O problema é que a Record não tem um estoque tão grande de novelas quanto a Globo, e por isso um dia elas podem acabar. O SBT não tem essa preocupação porque exibe novelas da Televisa, que são muitas. A solução para a Record seria fazer algo parecido e fechar acordo com uma emissora estrangeira para passar suas novelas aqui. O @RafaelPotter_ sugeriu as novelas da Telemundo, e eu achei uma boa ideia, porque são em espanhol e daria a impressão que têm a mesma origem das novelas do SBT. Poderiam fazer uma boa concorrência.

15:45 – Filmes ou séries

Para não ficar preso só em novela, o horário que hoje é da segunda reprise poderia ser de uma sessão de filmes ou séries. No caso de filmes, novos acordos teriam que ser fechados com os estúdios, para que tivesse uma boa quantidade para passar diariamente. Hoje a Record só possui contrato exclusivo com a Universal. No lugar dos filmes poderiam vir séries, mas seria bom se comprassem mais séries, para não ficar só com Todo Mundo Odeia o Chris. Como a Disney já está com o SBT (pelo Mundo Disney), sobra os da Nickelodeon. Infelizmente a Record perdeu duas oportunidades de comprar: uma quando acabou o TV Globinho, e a Band comprou os direitos, e outra quando o contrato com a Band acabou e o SBT comprou.

16:30 – Tudo a Ver

Com o formato original, quando tinha Paulo Henrique Amorim no comando e Edu Guedes fazendo receitas. Era uma ótima revista eletrônica.

18:00 – Cidade Alerta

No horário local, para que cada estado faça o seu jornalístico. 1h30 já é suficiente para o Cidade Alerta. Eu preferiria o Tudo a Ver nesse horário, como era antigamente, mas ele poderia ser atrapalhado pelos horários locais. Fora que o horário das 18h e 19h já é tradicionalmente de jornal local, então o Cidade Alerta se encaixaria bem nesse horário.

19:30 – 1º horário de novelas (novelas de época e algumas vezes novelas atuais para acostumar o público)

Atualmente ele começa de 19:40, mas acho que não faz diferença esses 10 minutos.

20:30 – Jornal da Record

Com 50 minutos de duração já é mais do que suficiente. E com o bom jornalismo de volta, com menos sangue e bandidos, e mais notícias do Brasil e do mundo (assim como faz o Jornal Nacional e Jornal da Band).

Ele ficaria agora entre as duas novelas. Apesar de ter lógica em novela entregar para novela, e de fugir do Jornal Nacional, seria melhor com o Jornal da Record no meio das duas novelas para que as pessoas que só assistem uma delas possam assistir também o jornal da própria emissora colado com a novela, de vez de ter que mudar de canal. Mas isso só poderá ser feito quando a dramaturgia estiver totalmente estabilizada, e sem aqueles erros de planejamento já falados, e quando o jornalismo for bom o suficiente para bater de frente com o Jornal Nacional.

21:20 – 2º horário de novelas (bíblicas, mas já estando preparados para se um dia esse estilo não der mais certo)

22:20 – 1º horário de shows

O 1º horário de shows deverá ser feito com um programa diário de 1h. Tem que ser um programa divertido, e sem assistencialismo. Ratinho dá certo nesse horário não porque a Record não tem nada de melhor nesse horário (apesar que isso contribui), mas porque ele tem um programa leve e divertido. Gugu é a prova de que programas sensacionalistas não agradam o público. Ele não se saiu bem nas terças e quintas, e começou a perder para Ratinho. Ele só vai bem nas quartas por causa do futebol da Globo, mas mesmo assim já está começando a apresentar os primeiros sinais de desgaste, pois sua audiência já não é mais tão alta quanto antigamente, e a diferença de audiência entre ele e Ratinho está menor.

23:30 – 2º horário de shows (realities, filmes e séries)

Nos dias que tiver filme pode acabar mais tarde e Porchat começar mais tarde também. Séries e realities devem ter no máximo 1h para manter o dinamismo (não fazer como a Band faz com o MasterChef, que suga até a última gota).

00:30 – Programa do Porchat

——

Bem, e essas são minhas críticas e sugestões à Record. Ultimamente venho estado mais animado com as notícias que vem saindo da Record do que as do SBT. A Record tem dinheiro e estrutura para mudar. Fazer isso acontecer é só questão de administração, assim também como é questão de administração e planejamento aplicar as sugestões faladas nesse (longo) texto. Se a Record fosse assim, com certeza voltaria a ser uma TV de primeira, e a ser mais competitiva. Talvez eu até voltasse a assistir com mais frequência e voltasse a ser fã, como eu fui lá na época de 2004-2008.

Obrigado se você leu até aqui. Se concorda ou não com algo que eu disse deixe sua opinião nos comentários logo abaixo!

O que a Record precisa fazer para melhorar

As mudanças dos sábados da Record e SBT para 2017

Já faz muito tempo que eu não escrevo sobre televisão aqui. Faz 1 ano e 4 meses para ser mais exato. A minha última postagem sobre isso foi sobre as minhas impressões do primeiro programa de Xuxa na Record. O motivo desse afastamento do tema é que de lá para cá as coisas estavam um tanto paradas, e eu não tinha muito o que dizer. Sem contar, que o SBT, emissora a qual eu mais me identificava e acompanhava, só tinha notícias cada vez mais desanimadoras, e foi quando percebi que não valia apena perder tempo criticando e fazendo sugestões para uma emissora que não se leva a sério. Algum comentário ou outro eu fazia pelo meu Twitter mesmo, que é uma coisa mais rápida, simples e resumida. Mas isso mudou do último mês para cá, quando começou a surgir várias notícias de movimentações e mudanças tanto no SBT quanto na Record. As principais mudanças têm a ver com os sábados das duas emissoras, que serão reformulados (ou quase isso). Foram muitas bombas e especulações em pouco tempo. Vou fazer um rápido comentário sobre cada um:

  • SBT não renova contrato com Raul Gil: quando Raul Gil foi para o SBT ele conseguia ficar na vice-liderança. Teve o fator novidade, porque na Band, muita gente nem se lembrava que Raul Gil ainda existia. Colaborou muito também o concurso musical que Jotta A participou, porque ele era tão bom que chamou a atenção do público. Mas depois, na continuação do tempo, o programa passou a ficar em 3º lugar, sempre perdendo para os filmes da Record. O programa de Raul Gil é chato e repetitivo, é sempre daquele jeito, usa sempre a mesma fórmula e se reinventa muito pouco. Eu não gostava mais, e pelo visto muita gente também não. Por mim Raul Gil já teria saído do SBT faz tempo. Engraçado é que muitos SBTistas também queriam que Raul fosse embora, mas quando ele foi demitido ficaram com pena por causa das entrevistas que ele deu dizendo que estava feliz no SBT, e que só sairia se Silvio quisesse (que foi o que aconteceu), e agora eles acham que é um erro a sua demissão. Eles não sabem o que querem.

 

  • Celso Portiolli aos sábados: algumas semanas depois o SBT confirmou que Celso Portiolli ficaria no lugar de Raul Gil, mas ainda não tinha esclarecido como ficaria a questão dos seus dois programas atuais, o Sabadão e o Domingo Legal. Eu achava que o Sabadão apenas iria mudar de horário e ir para as tardes com o seu conteúdo adaptado, mas todos foram pegos de surpresa com a nova notícia:

 

  • Domingo Legal cancelado: o Domingo Legal foi cancelado, assim como o Sabadão. Mas o programa de Celso muito provavelmente vai ser uma colcha de remendos, e vai ter um pouco dos dois. Dizem que estão buscando formatos internacionais, mas não tenho certeza se isso vai se concretizar. Celso Portiolli é muito desvalorizado no SBT, e quando ele assumiu o Domingo Legal pareceu ser o auge da sua carreira. Ele estava bem e sempre na vice, mas por falta de um concorrente. Quando a Record fez o Domingo Show, o Domingo Legal nunca mais foi vice. O negócio é que desde que Celso assumiu o Domingo Legal, que o programa não recebe investimentos. Ele é um programa preguiçoso, que foi mantido no ar pela direção do SBT apenas para faturar, mas você percebe a falta de conteúdo ali. Tinha época que só tinha música e vídeos da internet, outra época era só Afunda ou Boia, outra época só Passa ou Repassa. O Domingo Legal com Celso Portiolli nunca teve a atenção do SBT, e depois que a situação começou a ficar tão feia a ponto do programa marcar 5 pontos, o SBT decide acabar com ele. É engraçado ver que tem gente iludida achando que o novo programa de Celso Portiolli aos sábados poderá ser um recomeço para ele com algo totalmente novo e iniciado do zero. Doce ilusão. Se o SBT não investiu no Domingo Legal, que era um programa tradicional dos seus domingos, quanto mais num programa de sábado, que é um dia mais difícil para conseguir audiência? O que tinha no Domingo Legal e Sabadão é o que vai ter no novo programa. Talvez uma novidade aqui e outra ali, mas nada que poderemos chamar de “programa novo, feito do zero”. E os fãs ainda não gostaram do cancelamento do Domingo Legal, por esse se tratar de uma marca tradicional da TV. Já eu, como disse no Twitter, concordo com a ação. Não defendo o Fantasia no lugar, mas não se pode insistir em algo que não dá mais certo. Seria matar devagar um moribundo.

 

  • Volta do Fantasia: e lá vem mais polêmicas sobre as recentes decisões do SBT. Por enquanto ainda não confirmado oficialmente, mas já dado como certo, é a volta do Fantasia, no lugar do Domingo Legal. Todos dizem que o formato não dará certo porque é antigo para os dias de hoje. Também acho que não vai dar certo, não só pelo Fantasia em si, mas também por causa do Domingo Show. O programa da Record é um sucesso, e é difícil conseguir barrar.

 

  • Xuxa aos sábados: paralelamente a essas notícias do SBT, também saíram notícias sobre as mudanças que a Record planeja, e entre elas está a troca do dia do programa de Xuxa. Os boatos são muitos. Começaram dizendo que o programa dela iria para os sábados à tarde. Agora estão dizendo que ela vai ter dois programas, um aos sábados à tarde e outro nas segundas à noite, com um formato internacional. Xuxa precisa de mudanças urgente, porque ela foi uma contratação cara da Record e até aqui não vem dado o retorno esperado em termos de audiência. Vou falar mais sobre isso na próxima postagem, sobre as mudanças que a Record precisa ter.

 

  • Programa da Sabrina mais cedo, fim do Cidade Alerta aos sábados e novelas da Record aos sábados: essas foram outras notícias que saíram sobre uma suposta mudança da grade de sábado da Record. Sabrina iria para o horário que hoje é do Cidade Alerta, que deixaria de ser exibido aos sábados, e receberia diretamente de Xuxa. Depois, no horário da noite teria as novelas, que passariam a ser exibidas aos sábados também, e o Jornal da Record. Logo depois o Legendários. Essas notícias não ganharam muita força, e quase não se falam mais nelas. O mais certo é só que Xuxa irá para os sábados, porque é disso o que mais se tem falado, mas o resto talvez continue do jeito que está. Mas se mudar seria bom, porque a Record criaria uma grande mais forte. Só não tenho certeza se as novelas aos sábados funcionariam, principalmente se não forem capítulos inéditos. Talvez fosse mais garantido apostar em outro programa de auditório.

E foram essas as principais notícias dos últimos meses sobre televisão. Ano que vem promete ser de muitas mudanças na Record e SBT, principalmente nos sábados, que é o dia que mais vão mexer. Inicialmente eu pensei: numa competição entre Xuxa e Celso Portiolli quem ganha? Acho que Celso Portiolli. Mesmo que o programa dele não tenha nada de novo e seja tudo o que o Domingo Legal já teve, pelo menos ele terá quadros e nos passará uma sensação de conteúdo, enquanto o programa de Xuxa é mais vazio. No Programa do Porchat ela disse que vai fazer mudanças no programa a partir de março, e que ela não gosta do jeito que ele está atualmente. Ela promete mudanças, mas não sabemos exatamente o que virá por aí. Às vezes nem fico animado com esses novos programas dos sábados, porque as emissoras parecem não querer investir muito nesse dia. No caso, quem ganhará, na verdade, vai ser o programa menos pior. Recordistas e SBTistas estão tentando se manter esperançosos sobre os novos programas, mas tenho a sensação de que nenhum dos dois vai ser grande coisa, e que eles serão só mais dois programas para entrar na lista de programas chatos de sábado. Mas vamos ver no que é que tudo isso vai dar.

As mudanças dos sábados da Record e SBT para 2017

Uma geração sem criatividade

Algumas vezes a televisão do curso fica ligada no SBT, e então fica aparecendo desenhos. O que venho observado é que alguns desses desenhos são feitos em formato de brinquedos. Exemplos são os desenhos da Barbie, Polly (os desenhos, não os filmes) e Doutora Brinquedos. Todos eles são brinquedos. Se antes a televisão já deixava a criança presa o dia inteiro, e ela já nem sabia mais o que era brincar com seus brinquedos, agora para que brincar se a televisão já mostra brinquedos “brincando” sozinhos? Eles interagem sozinhos, eles criam suas próprias histórias e entregam tudo pronto às crianças. Essas crianças já não precisam mais se dar ao trabalho de usar sua imaginação para criar suas próprias brincadeiras com seus brinquedos.

Essa será uma geração sem criatividade. Porque se já nascemos criativos e vamos perdendo essa criatividade ao longo dos anos enquanto crescemos para nos adequarmos às regras da vida e da sociedade, ao que é feio e bonito, ao que é certo ou errado, ao que é sério ou besteira, agora essas crianças perderão a criatividade mais cedo, porque até o momento da brincadeira, onde ela poderia exercitar a sua imaginação, está sendo tirada. Mas a culpa não é só da televisão, e sim dos pais, que não impõem limites para a quantidade de tempo da televisão, jogos e computador. Muito pelo contrário, eles lhes estimulam a isso para que fiquem quietos e possam ter sossego. Ou então, se colocam limites, deixam a criança sem fazer nada e não estimulam atividades saudáveis para seu crescimento e desenvolvimento. Não sei porque esse povo ainda quer ter filhos, se não querem e não sabem cuidar deles, e se não têm paciência.

Enfim, vejo que o futuro da sociedade está sendo construído de forma errada com as crianças de hoje, graças aos seus pais cada vez mais consumistas, materialistas e egoístas. As bases estão ruins. Os valores não têm importância. Como será a futura geração de adultos que cuidarão do mundo? Medo disso. Acho que não será bom. Mas isso é tema para outra postagem.

Uma geração sem criatividade

Xuxa vai bem na estreia, com programa informal, leve e solto

Segunda passada, dia 17, estreou o “Xuxa Meneghel”, na Record. A primeira coisa que chama a atenção no programa é o cenário, que ficou incrível. A logomarca do programa é inspirada pela logomarca de Ellen Degeneres, e ficou bonita.

Falando em Ellen Degeneres, Xuxa falou sobre as comparações que todo mundo vem feito sobre ela estar copiando a apresentadora americana, e disse que não está copiando, e que não se veste igual a ela. Ela disse que está apenas se inspirando. Mas a quem ela quer enganar, não é mesmo? Depois foi exibida uma entrevista fake de Xuxa com a Ellen, que ficou bem ruim. Aliás, quando disseram que iria ter entrevista com Ellen Degeneres e Tom Cruise, eu achava que ia ser de verdade, mas a entrevista com Ellen foi falsa, e Tom Cruise foi só uma gravação em vídeo desejando boa sorte, que na verdade, não passou de uma oportunidade para fazer propaganda do novo filme do ator.

No momento que o elenco de Os Dez Mandamentos estava lá, o programa ficou com uma pegada parecida com a do Encontro com Fátima Bernardes quando fala de novela, mas a conversa foi curta, e depois o elenco ficou só sentado no sofá olhando o resto do programa, como uma plateia (coisa que Eliana sempre faz com os elencos das novelas que vão ao seu programa para divulgar a estreia). Tiaguinho também foi mal usado, porque participou pouquíssimo da conversa.

Gostei da interação de Xuxa com as pessoas da plateia. A primeira dinâmica, em que as pessoas tinham que mostrar uma plaquinha dizendo “sim” ou “não” para dizer se a pessoa da foto era Xuxa ou Ellen foi longa e já tava ficando chato.

A montagem com a cena de Os Dez Mandamentos ficou boa. Também gostei do quadro que Xuxa visita os fãs. Uma ótima ideia, mas que tem que ser usada com moderação, senão terá um dia que o elemento surpresa não existirá mais.

O formato do programa é bom, é leve e solto, assim como a apresentadora. Xuxa finalmente pareceu feliz e à vontade na Record, diferente do dia que ela assinou contrato. Ela deu muitas indiretas (e diretas) na Globo, apesar de antes ter pedido para ninguém falar mal da sua antiga emissora, que, apesar de tudo, ela ainda parece ter consideração. Também deu uma alfinetada em Patricia Abravanel depois de agradecê-la pela “homenagem” que estava fazendo naquele momento no SBT (aquilo não foi uma homenagem e sim uma estratégia de programação).

Ela falou de Hebe e de Silvio Santos. Fez e falou tudo o que quis e que deu na cabeça, e isso foi ótimo, porque vimos na tela uma Xuxa descontraída e espontânea. Os quadros do programa foram rápidos e alguns mal usados, faltando um pouco de ritmo, mas a apresentação e postura de Xuxa garantiu que o programa fosse bom. Isso me surpreende muito, porque uma vez só que assisti o TV Xuxa não gostei do formato musical e dos cortes bruscos e feios que eram feitos.

Tenho que parabenizar a Record pela liberdade que deu a Xuxa de falar o que quisesse, mesmo que fosse dos concorrentes. A liberdade dada a ela foi tão grande, que ela ainda disse como queria o cenário, o tipo de madeira e a cor. E mais: ela estará no Teleton, que nunca pôde participar antes. Isso mesmo, a Record liberou uma das suas maiores estrelas para participar do Teletron, sendo que nunca tinha liberado antes Rodrigo Faro, Ana Kickmann ou Gugu. Tudo isso faz parte do acordo que a Record fez com Xuxa de que lhe daria liberdade para fazer o que quisesse.

Espero que isso não fique só restrito a Xuxa, mas se estenda para os outros artistas da emissora, porque seria bom ver SBT e Record com um bom relacionamento. Já pensaram, por exemplo, ver Eliana participando do programa de Xuxa? Ou então Xuxa participando do Programa Silvio Santos? Seria muito bom. Mas isso provavelmente deve ficar só no mundo da imaginação.

A estreia deu 10.4 pontos, o que é pouco, apesar de ter garantido a vice-liderança. A minha aposta era de 16 pontos porque foi o índice da estreia de Gugu nas noites de dias da semana. Eu não entendo como Gugu conseguiu dar mais, porque todos já sabem o estilo de programa que ele comandava e já sabia o que esperar. Existia a promessa da Record de que ele voltaria mais parecido com o Gugu de antigamente, que as pessoas sentiam falta (segundo uma pesquisa realizada pela Record), mas essa promessa não foi cumprida, porque o que vemos é só mais sensacionalismo. Ele fica se aproveitando da desgraça alheia para conseguir audiência.

Enquanto isso, Xuxa estava há mais de um ano fora do ar, e nela sim existia uma esperança de um programa diferente de tudo o que já fez. Ela tem nome forte, e agora está numa nova emissora, e ainda existe a curiosidade de ver o primeiro programa, por isso eu apostava mais alto. Será que essa é uma confirmação de que esse é o fim do poço para Xuxa? O povo nem se quer ligou para a estreia dela em outra emissora e a audiência foi mais baixa do que a estreia de Gugu nas terças, quartas e quintas.

Se na estreia ela deu 10, é bem fácil cair nas próximas semanas ou nos próximos meses, como aconteceu com Gugu. A minha aposta era alta apenas para a estreia, mas eu sempre achei que se na Globo ela dava pouca audiência, na Record ia ser menos ainda, mesmo que esteja no horário nobre.

Se isso acontecer a Record deve ficar desesperada em perder para Ratinho, porque ele tem investimento menor, lucra bem da mesma forma e ainda fica na vice. Nesse caso, é bem provável a Record vai colocar o dedo no programa, e então bye bye programa leve de entretenimento. Vai ser colocado emoção e sensacionalismo (apesar que a própria Xuxa disse que não gosta disso e que não teria no seu programa, mas se a Record mandar tudo pode acontecer).

Para finalizar, o programa de Xuxa foi muito bom, e eu gostei. Não vou acompanhar porque acaba tarde, e nesse horário já estou dormindo, e não adianta assistir só um pedaço. Só espero que a Record mantenha o nível.

Atualização: dois meses depois da estreia, já começaram as notícias da insatisfação de Xuxa com a Record e vice e versa. Durou pouco a magia e ilusão. O problema é que a Record não está satisfeita com a audiência de Xuxa, que fica na casa dos 5 pontos, e perde a vice-liderança com grande diferença para Ratinho e Patricia Abravanel, e por isso já está querendo censurar algumas coisas que ela fala (e lá se foi a tão prometida liberdade!). Do lado de Xuxa está a insatisfação com a censura da Record e com os profissionais que ela levou da Globo para lá, que foram todos transferidos para uma produtora desconhecida (Casa Blanca), o que representa uma grande queda na carreira. E quanto ao programa, ele está do mesmo jeito. Xuxa tem um carisma muito grande, mas seu problema é falar tudo o que vem na cabeça, o que termina ficando chato. Ela tem que se controlar mais, e o programa tem que ser reformulado, porque já está provado desdes os últimos anos de Hebe que o povo não gosta mais de assistir programas de auditório femininos à noite, com conversas e quadros ligados a esse público, e sim algo mais familiar, popular, interativo e rápido, como o Programa do Ratinho.

Xuxa vai bem na estreia, com programa informal, leve e solto

Melhor Pra Você ainda não chegou no ponto

De vez em quando eu mudo de canal e vou para a RedeTV! para dar uma olhada no Melhor Pra Você. E nesse mês de agosto, que já faz três meses que o programa estreou, o que posso dizer é que ele ainda não melhorou, ainda não chegou no ponto. Eu fiz algumas sugestões na minha primeira avaliação do programa, e por ser um programa diário, ajustes já deviam ter sido feitos nesses três meses.

Eu já tinha falado que o programa tinha um problema no ritmo das reportagens. Esse problema ainda continua. As reportagens são muito longas para falar de coisas simples. Poderiam ser mais rápidas e mostrar apenas as partes mais importantes e o que realmente interessa.

Mas esse não é o único problema: outro dia, quando mudei para lá, eles estavam falando sobre economia. Além da reportagem longa para contar a história de duas pessoas que economizam tudo para gastar menos, elas ainda foram convidadas para participar do programa no palco. Com eles estava uma especialista financeira. Quando um programa traz convidados, o que você espera é que eles sejam o destaque não é? Mas no caso do Melhor Pra Você os apresentadores falaram mais que os três convidados. Os apresentadores estão se sentido tão à vontade no programa (na Record o controle da direção deve ser maior) que falam demais. Os dois convidados que estavam na reportagem não trouxeram nada novo no palco, e apenas repetiram o que já tinham falado antes. Se a reportagem fosse mais curta, talvez sobrasse alguma coisa para o palco. E a especialista financeira, de todos, foi a que menos falou. Estava lá só de enfeite. Ela era para ser a mais importante, porque daria dicas para todo mundo. Ela devia ter mais tempo. Mas não foi isso o que aconteceu.

No Encontro com Fátima Bernardes, quando uma especialista financeira vai lá, é um merchandising do Itaú, e mesmo assim fica melhor do que o que a RedeTV! fez. Lá no Encontro, mesmo sendo merchandising tem mais conteúdo.

Outro problema é os constantes cantores convidados. No antigo Hoje em Dia tinha, mas era só de vez em quando, e mesmo assim não atrapalhava nas pautas do programa. No Melhor Pra Você fica muito sem graça, porque não combina com o estilo do programa, e parece que os cantores não se sentem muito confortáveis lá. Parece também que os cantores servem de tapa buracos por falta de pautas, e ao mesmo tempo servem para chamar audiência.

Como eu disse na outra postagem, o programa tem potencial, porque se trata de uma revista eletrônica. Ele tem boas intenções, mas ainda precisa melhorar muito. Se continuar assim não dá.

Para mim, até o Hoje em Dia, que mesmo com a troca de apresentadores e com uma pequena mudança no formato (e que mesmo assim ainda não se compara com o Hoje em Dia de antigamente), ainda está melhor que o Melhor Pra Você. Ele tem só duas horas de duração, sendo que uma hora é inteiramente dedicada ao jornalismo, enquanto a outra hora restante é para o entretenimento. E é nessa uma hora do entretenimento que o Hoje em Dia se mostra melhor e mais interessante que o Melhor Pra Você. Mas, de modo geral, as melhores manhãs ainda são as da Globo.

Melhor Pra Você ainda não chegou no ponto