Sobre a entrevista de Joesley Batista à Época

E basicamente é isso o que eu acho sobre a entrevista de Joesley à Época. Ele falou tanto em Temer, Cunha e sua turma, a ponto de chamar Temer de chefe da maior quadrilha (e Lula, onde fica nessa história?), que desconfio que esse foco dele em Temer & Cia deve ter sido motivado por algo pessoal que lhe atingiu, e então ele resolveu se vingar dessa forma.

O cara era propina pra lá, propina pra cá, e agora vem dizer que é porque “aquela gente é perigosa” e ele não podia ficar distante, mas também não tão próximo. Vê se isso tem cabimento? Dando uma desculpa esfarrapada para justificar as propinas. E ele, rico do jeito que é e cheio de interesse em coisas do governo que lhe beneficiasse, vai dizer que só negociou a vida toda com Temer e o pessoal do PMDB? Duvido. Ele deve ter negociado com Dilma também, e até Lula. Ele sabe muito mais que isso que disse na entrevista, mas resolveu revelar só o que lhe era conveniente.

O que esse corrupto merecia era estar preso. Não entendi esse acordo que ele fez com a justiça que lhe permitiu ficar solto e ainda ir para outro país. Foi praticamente o mesmo que buscar asilo político em outro país.

Só deixando claro que não estou defendendo Temer. Como disse no tweet, não duvido de que o que Joesley disse seja verdade. Só acho estranho esse foco todo em Temer e na sua turma do PMDB. Esse Joesley não é nenhum satinho para sair falando de todo mundo e tentando se livrar da culpa, enquanto está aí solto e em outro país.

Sobre a entrevista de Joesley Batista à Época

Nessas eleições vou votar branco e nulo

Há alguns anos eu pensava que votar branco ou nulo era besteira, porque não faria diferença nenhuma na contagem de votos, e alguém seria eleito de qualquer forma. “Se alguém será eleito, então vote em um dos candidatos”, era isso o que eu pensava. Mas eu mudei de opinião por causa dos escândalos de corrupção que vem sendo descobertos cada dia mais. Teve uma época que todo dia tinha notícias novas de gente que roubou alguma coisa, de novas investigações com novas informações, de alguém novo que era acusado, de novas acusações e delações. E então nesse cenário você passa a desconfiar de todos. Você percebe que o jogo político é maior do que imaginava, e que o governo e o Congresso mais parecem uma organização criminosa, com o objetivo de roubar e fazer coisas do seu próprio interesse. Como confiar nos políticos agora? Eu não tenho mais tanta confiança. Podem mudar os partidos, as ideias e as ideologias, mas o jogo continuará, os interesses continuarão, e tudo continuará na mesma.

Tudo isso está acontecendo no âmbito federal, mas é claro que também acontece no estadual e municipal, só que em menor escala, e ninguém sabe porque ninguém descobriu ainda.

Por causa disso estou desanimado com a política. As promessas dos candidatos, principalmente as dos vereadores, são palavras vazias, e muitas vezes repetitivas e decoradas, só para conquistar o eleitor. Depois eles desaparecem. Então, por isso vou votar nulo para vereador, e também votarei nulo nas próximas eleições para deputado e senador.

Para prefeito vou votar branco, porque na minha cidade nenhum faz uma grande diferença, então quem ganhar ganhou, isso tanto faz. Mas talvez eu ainda vote nas próximas eleições para governador e presidente. Acho que suas ideias ainda fazem diferença se colocadas em prática, apesar de que para isso precisarão de uma boa base aliada para aprovar seus projetos. Mas não tenho certeza. Hoje penso assim: se de qualquer jeito, com o meu voto ou sem o meu voto, vão entrar corruptos na política, então que entrem, mas sem minha contribuição. Pelo menos eu saberei e terei a consciência tranquila de que não colaborei com isso.

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Impeachment de Dilma: puro jogo político

O impeachment de Dilma não passa de um jogo político. Quando você para pra ver o motivo de Eduardo Cunha ter autorizado o impeachment de Dilma, é simples: ele também está tendo o seu mandato cassado. Ele estava esperando ver se o processo contra ele iria continuar ou não. A bancada do PT, seu rival, votou para que a cassação do seu mandato continuasse. Como vingança ele aprovou o pedido de impeachment já em cima da hora, porque existe um prazo para aceitar ou recusar um pedido de impeachment feito. Mas antes dele autorizar o impeachment, ele tentou negociar com o PT: disse que se recebesse votos no Conselho de Ética não autorizaria e ainda se manteria publicamente a favor da Dilma. Como o PT não lhe ouviu, ele seguiu em frente. Depois veio postar nas redes sociais que ele ouviu a voz do povo quando autorizou o pedido de impeachment. E ainda tem gente que acredita. Se o PT aceitasse o acordo e desse seus votos a ele no Conselho de Ética, ele estaria recebendo votos imerecidamente (porque um cara que é investigado pela Lava-Jato não parece ser ético), e ainda estaria enganando o povo com uma aliança e amizade que todo mundo sabe que não existe.

Essa é a maior prova de que o impeachment de Dilma é só um jogo político e de interesses. Cada um que defenda o que é melhor para si, e não para o Brasil. Eu não votei em Dilma, mas sei que o impeachment dela não resolveria os problemas que o nosso país vem enfrentando (de corrupção e crise financeira), muito pelo contrário, poderia até piorar, porque quando o cenário político é incerto, os investimentos caem e o dólar sobe. É isso o que vem acontecendo nos últimos meses, e é isso que poderá acontecer em maior intensidade se Dilma sair do poder.

Esse caso também nos mostra que não é só no impeachment de Dilma que existe jogo político, e sim na política como um todo. Elegemos vereadores, deputados e senadores para nos representarem de acordo com nossos ideais, crenças e ideias (pelo menos é assim que o população deveria votar), mas quando eles chegam lá, só querem saber de dinheiro e poder. Se esquecem do povo que os elegeu e do país a quem trabalham. Só olham o próprio umbigo. Se é bom para eles, fazem, mesmo que seja ruim para o Brasil. Se é ruim para eles, não fazem, mesmo que seja bom para o Brasil.

E essa é a realidade do país em que vivemos, onde a corrupção não é só a roubalheira de dinheiro, e sim aquela que começa com os interesses e ideais dos políticos, que sobressaem o interesse da população e da administração do país. A corrupção também começa a partir da própria população, em atos simples dia a dia, como furar a fila do ônibus, e quando votam em políticos por dinheiro, emprego, ou favores. Acho que os nossos políticos só se tornarão menos corruptos se o povo brasileiro mudar sua cultura ao longo dos anos e também deixar de ser corrupto no dia a dia. Mas como não se muda cultura de um país em pouco tempo, então podemos esperar que a situação continuará a mesma durante muito tempo.

Impeachment de Dilma: puro jogo político