Natal e os filmes de Natal

Hoje assisti ao filme Polo Norte, de 2014, na Sessão da Tarde. Não tinha assistido ainda. E assim como todo filme de Natal, a minha opinião e sentimento é esse:

Ele é um filme simples, mas com história bonitinha. Os atores são razoáveis, e me parece que esse é um filme de TV, mas eu gostei mesmo assim, simplesmente porque adoro filmes de Natal. Eles trazem um clima de amor, amizade, solidariedade e esperança que eu acho muito legal. Mesmo sendo filmes simples, e sua na maioria infantis, essas mensagens são bonitas e toda a magia em torno do Natal também é legal de ver. Lá se fala em Papai Noel, presentes, neve, família reunida com alguns amigos próximos ao redor da mesa naquele momento que eles parecem considerar muito, e esperar muito, porque é um dia especial. Os filmes geralmente acabam com um final feliz, mostrando como a magia do Natal pode transformar tudo. A vida real não é assim. Nem tudo tem final feliz, e a magia do Natal não contribui em nada. Mas a mensagem que esses filmes trazem com esse final feliz é a de que devemos sempre manter a esperança, lutar pelos nossos objetivos, dar o nosso melhor, e fazer o melhor pelo próximo. O filmes de Natal tratam muitas vezes de união. União por um bem comum, por um objetivo maior, para ajudar quem precisa, para apoiar alguém, mesmo que sejam pequenos gestos. Em resumo, os filmes de Natal tratam de histórias sobre amor ao próximo.

Todos os filmes e séries que assisto que falam de Natal mostram essas características que falei. São coisas que não vejo aqui no Brasil. Aqui é uma tradição que reúne famílias também, mas acho que é diferente. Na minha família, por exemplo, todo ano vamos para a casa da minha avó, tanto no Natal quanto no Ano Novo. E vai todo mundo: os filhos, os netos, as noras, os genros, e alguns ainda levam os seus amigos pessoais. A casa fica cheia. Tem uma mesa cheia de comida para cada um se servir, mas as pessoas ficam segregadas. Algumas ficam na sala, outras no terraço, e outras no quintal. Não tem aquilo que vejo nas séries e filmes, de todos ficarem ao redor da mesa desfrutando daquele momento único e especial, pela qual tanto se espera e tanto se faz preparativos.

Atualização 23/12/2016: Esses filmes americanos são tão presentes aqui que eu tenho vontade de passar um Natal nos Estados Unidos ou Canadá para ver como é. Nessa postagem original, além de comparar a forma que as famílias se reúnem no Brasil e nos Estados Unidos para comemorar o Natal (parágrafo anterior), eu falei ainda que o Natal no Brasil era um pouco banalizado, porque parecia ser só uma festa qualquer, e que talvez nos Estados Unidos não fosse assim. Mas disse talvez, porque o próprio filme Polo Norte, que assisti naquele dia, falava que as pessoas estavam deixando de acreditar no Natal. Tudo bem que aquele é um filme infantil, mas talvez seja isso mesmo o que esteja acontecendo na realidade. Talvez as casas e as ruas sejam enfeitadas de pisca-pisca e árvores de natal, mas as pessoas não liguem tanto para isso. Talvez elas já tenham feito daquilo uma rotina anual, e esse sentimento de magia e dia especial não existe mais (aliás, tenho uma citação ótima desse filme aqui). Talvez os filmes e séries sejam feitos assim, com todos esses clichês, justamente para tentar estimular e resgatar esse sentimento que se perdeu ao longo do tempo.

O que me ajudou a pensar assim, e ver que o Natal é comemorado de formas diferentes de acordo com a cultura do país, mas que esse sentimento especial que os filmes e séries mostram na verdade pode não existir, foi quando assisti hoje ao filme O Natal dos Coopers. Aliás, é um ótimo filme. No link abaixo tem a minha resenha sobre ele. Recomendo que leiam e depois assistam ao filme.

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Natal e os filmes de Natal

A Corrente do Bem

“Acho que algumas pessoas têm muito medo de pensar que as coisas podem ser diferentes. O mundo não é exatamente uma porcaria. Mas acho que é difícil para certas pessoas que estão muito acostumadas com as coisas como elas são, mesmo ruins, mudarem. E aí… elas desistem, e quando desistem, todos… todos perdem.”

“É difícil, não dá para planejar. Bem, tem que olhar para essas pessoas, sabe? Ficar de olho nelas, protegê-las, porque nem sempre elas sabem do que precisam. É sua grande chance de concertar uma coisa, e não é como concertar sua bicicleta. Você pode concertar uma pessoa.”

– Trevor, em A Corrente do Bem.

Citação

Com tanta facilidade e modernidade está difícil controlar o que os filhos assistem

Um dia desses eu estava voltando para casa no ônibus lotado ao meio dia. Fiquei em pé do lado de um menino de aparentemente 11 ou 12 anos que voltava da escola e que conversava com sua mãe, que estava em pé na frente dele. Ele falava sobre séries. Não ouvi a conversa toda, mas ouvi ele falando com muita animação sobre The Walking Dead. Na hora eu pensei que ele era muito novo para assistir essa série, mas o que me surpreendeu mesmo veio depois.

Conversa vai, conversa vem, e ele exclamou:

– GTA? GTA não! Porque GTA é feito Game of Thrones, tem algumas coisas em primeira pessoa.

A mãe dele deu um meio sorriso com uma cara de como se estivesse surpresa e balançou a cabeça negativamente, e perguntou se ele estava assistindo Game of Thrones. Ele sorriu (aquele sorriso de desconfiado e de safadinho) e disse:

– Não! (rápida pausa) Não, eu não tô assistindo não! (rápida pausa) É sério!

E a mãe continuou com a mesma cara. E eu fiquei surpreso com aquilo, porque como pode um menino de 12 anos assistir The Walking Dead e Game of Thrones, que são séries não recomendadas para menores de 16 anos devido à sua violência e cenas picantes de sexo? Nem eu assisto essas séries! A minha reação foi essa (para mim mesmo, é claro):

What - How I Met Your Mother
WHAAAT? COMO ASSIM ESSE MENINO ASSISTE GAME OF THRONES?!

A mãe pode ter feito uma cara de reprovação, mas também não parecia muito disposta a fazer mais nada além disso. É como se ela entendesse que sua parte era apenas dizer: “isso você não pode assistir”, mas caso ele assista, fazer o que né, não tem como evitar. Os pais de hoje em dia estão muito liberais, deixam os filhos fazerem de tudo e não estão nem aí.

Depois desse episódio, num outro dia, uma amiga da faculdade estava com uma sacola da Piticas, uma loja que vende camisas nerds e está se tornando conhecida no Brasil graças aos seus anúncios frequentes no Omeleteve. Ela disse que era para o filho dela, que tem 9 anos, e então ela tirou a camisa da bolsa para nos mostrar, e era uma camisa do Deadpool dos quadrinhos. Eu adverti ela para não deixar o menino assistir ao filme porque tinha classificação de 16 anos, e ela respondeu com um tom de que isso fosse besteira:

– Menino, ele já joga GTA!

Ou seja, se ele já joga GTA, não tem problema nenhum ver um filme com censura mais alta. Provavelmente ele já tinha ouvido falar do filme, já tinha visto os trailers e até mesmo já visto o filme para querer a camisa com a estampa do personagem.

Para os pais que não ligam, tudo bem, mas e para os pais que ligam e ficam de olho no que os filhos estão assistindo? Com a modernidade e facilidade de hoje, fica cada vez mais difícil ter esse controle. Essa geração já nasceu numa época em que ter computador em casa é comum, e as gerações que são ainda mais novas, estão nascendo numa geração em que é normal ter celulares toushscreen de 5 polegadas e tablets. Os pais querem se livrar do aperreio que a criança dá e lhe entrega aos cuidados dos jogos eletrônicos, antes mesmo delas aprenderem a falar. Até onde vai a sociedade no futuro? Como será a sociedade do futuro formada por essas pessoas que foram alienadas desde bebês por seus pais também alienados?

Nascendo com a tecnologia nas mãos, literalmente, a crianças aprendem desde cedo a como usar o computador, e consequentemente aprendem mais rápido os macetes da internet e passam para os seus colegas da escola, o local que constrói e destrói as crianças e adolescentes. Eu por exemplo, aprendi a baixar filmes em torrent com uns 15 anos. Hoje crianças já sabem disso, e sabem também que podem assistir qualquer coisa pela internet, qualquer filme ou série, mesmo que seja inapropriado para ela.

Num mundo tão facilitado para a criança, como controlar? Se você não ensina como fazer, o colega da escola ensina. Se você diz que não vai assistir aquele filme no cinema ou comprar o DVD porque não pode para a idade dele, ele acessa o site e vê. O que fazer? Proibir, bloquear, fazer seu filho ser uma ilha? Acho que essas são opções que trarão os resultados desejados, mas também trarão alguns problemas sociais e emocionais para o seu filho.

Acontece muito da criança ou pré-adolescente nem ter ligado para aquele filme ou série, mas os colegas da escola (sempre uma má influência) falam tanto que ele fica curioso e quer ver também, para poder conversar sobre aquilo com os outros, e fazer parte do todo. Se ele não faz isso, pode sentir-se excluído.

É uma questão complicada. Penso que o ideal é ter uma conversa franca com seu filho falando que não pode assistir determinados conteúdos e explicar o porquê, de forma que ele entenda. Se a educação tiver tido base em valores fortes, como a da religião, isso irá ajudar, com certeza. Mas claro, isso só se o pai ou a mãe ligar, porque se não, não faz diferença. O resultado dessa conversa também não vai ser bom e o filho não a respeitará se o pai ou mãe não for tão presente na vida do filho (leia-se trabalhar o dia todo e deixar ele com a vó, tia, babá, na creche ou com qualquer outra pessoa). Também tem chances de não funcionar se você nunca controlou isso antes no seu filho, que mesmo criança, já tem certa idade. Ele não vai se acostumar fácil com essa mudança brusca, o que também não quer dizer que o pai/mãe não deva sempre tentar.

Com tanta facilidade e modernidade está difícil controlar o que os filhos assistem

Estou colocando os filmes da Marvel para a minha mãe (e ela está gostando!)

Pois é, a minha mãe está assistindo aos filmes da Marvel e está gostando! O mais incrível disso é que ela não gosta de assistir nada. Não assiste televisão e nem filmes. Filmes que ela assiste são um ou outro em DVD que alguém empresta para os meus pais dizendo que é bom. Lembro que há alguns anos foi um sacrifício convencê-la a assistir Um Sonho Possível, que é um dos meus filmes preferidos. Ela gostou do filme, mas disse que não era para eu inventar outros filmes para ela ver.

Novelas? Ela assistiu algumas clássicas mexicanas à tarde, mas depois parou porque disse que vicia (nisso eu concordo). Assistiu os últimos capítulos de Carrossel, e acompanhou de longe Chiquititas, já que assistia um capítulo sim e vários não. Era preciso eu sempre ficar explicando o que estava acontecendo.

Desde que o MasterChef começou que a gente assiste. Não no horário de exibição, porque é muito tarde, mas eu baixo da internet e a gente assiste à tarde. Na primeira temporada foi tudo ok, na segunda temporada ela desistiu depois dos 3 primeiros episódios. No MasterChef Júnior ela ficou até o fim, mas com muita insistência minha. Diz que assistir o MasterChef atrapalha o sono da tarde dela. Mas também diz que não sente vontade de assistir, mas quando assiste acha bom (é como se a cada vez que ela assistisse se lembrasse o quanto o programa é bom e o quanto vale a pena deixar de dormir à tarde para assistir).

Porque eu estou dizendo tudo isso? Porque baseado nesse seu histórico, quem diria que ela iria gostar de filmes de super-heróis?? Quando eu e minha irmã assistíamos e chamávamos ela para vir assistir com a gente, ela dizia que não gostava de filmes de ação. Mas então o que aconteceu foi a história do cinema.

Eu, minha irmã e minha mãe nunca tínhamos ido ao cinema, e quando fosse a nossa primeira vez, queria que fossemos todos juntos. O filme era Vingadores: Era de Ultron. Ela não fez objeção quanto ao filme, porque a curiosidade era ir ao cinema. Quando acabou o filme ela disse que tinha gostado e que ele era bom. Eu e minha irmã não perdemos a oportunidade de chamá-la para ir com a gente pro cinema assistir aos próximos filmes da Marvel. E foi assim que aconteceu.

Mas como todos os filmes da Marvel são interligados, tive que apresentar a ela todos os outros filmes do MCU. Ela dizia que não precisava, que tinha entendido Vingadores: Era de Ultron sem ter precisado assistir os outros filmes, mas mesmo assim insistimos. Agora ela já assistiu 5 filmes e disse que tá gostando, e depois disse que daqui a pouco ela vai ter vontade de usar camisas de super-heróis também kkkkkkkkkkk. Rimos muito disso. Veja que mudança drástica! De uma pessoa que não gostava de assistir nada, para outra que não só assiste e gosta, como também disse que vestiria camisa de super-herói se não ficasse feio para a idade dela. Grande evolução, não?

E agora em março ela estará indo comigo e com minha irmã ao cinema para assistir Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Daqui para lá deve dar tempo assistir todos os filmes da Marvel e colocar O Homem de Aço depois. E em abril vamos assistir Capitão América: Guerra Civil.

Essa história da minha mãe me lembra de um Bloco X feito recentemente que fala de situações parecidas com essa: Peraí… Nossos pais também são nerds? Recomendo que assistam!

Estou colocando os filmes da Marvel para a minha mãe (e ela está gostando!)

– Sei que quando estou perto dela, meu cérebro funciona de forma diferente. E meu corpo se sente estranho, e não sei o que significa ou por que isso importa.

– Por que isso importa? É importante porque… Quando alguém te ama, significa que a pessoa vê algo em você. Algo que acha que tem valor. Meio que… soma valor em você. Mas pode ser difícil. Quando você ama alguém e a pessoa… não demonstra que também te ama… é desigual. Ou… Quando alguém que você ama… é tirado de você… você se sente menos valorizado do que era. Isso faz sentido?

– X+Y (ou A Brilliant Young Mind).

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