Medos de coisas que podem virar realidade

Confesso, eu tenho medo de agulha. Não gosto de levar injeção e nem de tirar sangue. Dizem que é só uma picadinha, mas o que eu sinto é dor. Fico mal quando tenho que fazer uma dessas duas coisas. Esses dias fui no laboratório levar meu mijo minha urina para um exame, e só de entrar lá e sentir aquele cheio de vacina, seringa e álcool já me senti mal. No outro dia, quando fui pegar o resultado, tive que aguardar, e a pessoa que chamava para entregar o resultado, era a mesma que chamava para fazer exame de sangue (e na mesma sala). Eu fiquei um pouco nervoso com isso. Mesmo sabendo que eu não estava ali para fazer exame de sangue, parecia que estava, porque tinha todos os elementos: o laboratório, aquele cheiro característico no ar, a chamada naquela sala e a espera. Quando finalmente peguei o meu exame, fui embora e me senti aliviado.

Se tenho medo de agulha, também não gostaria de nunca ter que fazer uma cirurgia na minha vida. A minha mãe disse “cuidado não!”, e disse que as coisas que a gente mais tem medo é o que termina acontecendo. Ela deu o exemplo da minha avó, sua mãe, dizendo que o maior medo que ela tinha era de câncer. Ela nem sequer dizia essa palavra e sempre se referia a ela como “aquela doença incuravi” (antigamente a crença popular dizia que quem dissesse a palavra “câncer” poderia contrair a doença). O que aconteceu é que ela terminou tendo câncer e morrendo disso.

Eu acho que às vezes acontecem sim essas coincidências nas nossas vidas, de o que temos mais medo na vida se concretizar, mas acredito que não deve ser sempre. De qualquer forma, eu disse a minha mãe: “então vou passar a ter medo de ter que ir trabalhar. Quem sabe assim eu não consigo um emprego?”.

Medos de coisas que podem virar realidade