Sobre a entrevista de Joesley Batista à Época

E basicamente é isso o que eu acho sobre a entrevista de Joesley à Época. Ele falou tanto em Temer, Cunha e sua turma, a ponto de chamar Temer de chefe da maior quadrilha (e Lula, onde fica nessa história?), que desconfio que esse foco dele em Temer & Cia deve ter sido motivado por algo pessoal que lhe atingiu, e então ele resolveu se vingar dessa forma.

O cara era propina pra lá, propina pra cá, e agora vem dizer que é porque “aquela gente é perigosa” e ele não podia ficar distante, mas também não tão próximo. Vê se isso tem cabimento? Dando uma desculpa esfarrapada para justificar as propinas. E ele, rico do jeito que é e cheio de interesse em coisas do governo que lhe beneficiasse, vai dizer que só negociou a vida toda com Temer e o pessoal do PMDB? Duvido. Ele deve ter negociado com Dilma também, e até Lula. Ele sabe muito mais que isso que disse na entrevista, mas resolveu revelar só o que lhe era conveniente.

O que esse corrupto merecia era estar preso. Não entendi esse acordo que ele fez com a justiça que lhe permitiu ficar solto e ainda ir para outro país. Foi praticamente o mesmo que buscar asilo político em outro país.

Só deixando claro que não estou defendendo Temer. Como disse no tweet, não duvido de que o que Joesley disse seja verdade. Só acho estranho esse foco todo em Temer e na sua turma do PMDB. Esse Joesley não é nenhum satinho para sair falando de todo mundo e tentando se livrar da culpa, enquanto está aí solto e em outro país.

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Sobre a entrevista de Joesley Batista à Época

Bolsonaro quer ser presidente, mas não tem ideias e nem um plano de governo

Segunda-feira passada (20/03/2017) Bolsonaro foi o entrevistado do The Noite. Em poucos dias ele conseguiu várias entrevistas, tanto na televisão quanto na internet. Semana passada ele tinha ido ao Programa do Ratinho, depois apareceu no YouTube numa entrevista ao Folha de S. Paulo, depois no The Noite, e eu ainda vi uma thumb de vídeo no YouTube com uma conversa de um YouTuber com ele. Bolsonaro está sempre na mídia. O problema é que ele não sabe aproveitar bem. Como se já não bastasse que a maioria das entrevistas que ele faz, o tema é sempre as suas polêmicas, quando vem um entrevistador que finalmente pergunta quais são seus planos para a economia brasileira, que foi o que Danilo Gentili fez, ele diz claramente que não entende nada de economia e não confia em nenhum economista. Danilo Gentili insistiu nesse assunto algumas vezes, cada uma de forma diferente, até ele chegar a dar essa resposta. Uma das perguntas de Danilo é que ele sempre se preocupa com as mesmas coisas, como a questão do livro de “educação sexual”, e se isso não seria coisas pequenas para um presidente se preocupar, e se o presidente não precisava se preocupar com outras coisas. Ele não soube responder isso. Já percebi em diversas entrevistas que Bolsonaro, quando não sabe ou não quer responder diretamente uma pergunta, termina indo para outro assunto dentro daquela linha. É uma forma de justificar a pergunta e ao mesmo tempo fugir do assunto.

Quando Danilo Gentili perguntou sobre economia pensei: “finalmente alguém perguntou isso a ele, porque é só o que interessa para o Brasil nesse momento!”, e então Bolsonaro vem com essa resposta. E além disso ele também disse que não tem um plano de governo. Como desculpa, ele disse que ninguém tem um plano de governo, e que o dos outros candidatos são feitos por marqueteiros que escrevem o que o povo quer ouvir. Faz sentido, mas pelo menos eles se preparam e oferecem algo ao eleitor. E Bolsonaro?

O negócio é o seguinte: o Brasil está em crise e o que precisamos é de alguém que entenda de economia para ter ideias e propostas para as coisas melhorarem no país. Bolsonaro não é a pessoa mais indicada para isso. Ser polêmico, conservador e linha dura nas opiniões não vai lhe ajudar em nada nas tarefas presidenciais e nem no restabelecimento da economia brasileira. Mas o pior é a quantidade de gente que o apoia. Dizem que ele é mito, e que é tudo de bom, mas nem sequer sabem como seria o seu governo, nem sequer sabem que ele não tem propostas reais. Bolsonaro só levanta algumas bandeiras, como o do nióbio, que é importante, mas que por si só não é um plano econômico. Precisamos de algo mais estruturado, e Bolsonaro só apresenta ideias fixas em algumas áreas, superficialidade e polêmicas. Não precisamos de um presidente assim.

Bolsonaro quer ser presidente, mas não tem ideias e nem um plano de governo

A verdadeira direita, que não conhecemos, ou: Não existe direita de verdade no Brasil

Já está convencionado no pensamento popular brasileiro que PT é esquerda e PSDB é direita, e eu também pensava assim. Até que certo dia, enquanto pesquisava sobre partidos políticos e outros temas de política terminei descobrindo pela Wikipédia que o PSDB é de centro-esquerda, e não de direita. E quando fui pesquisar mais sobre isso só tive mais confirmações. Até o próprio FHC já disse que o PSDB não tem nada a ver com direita e também disse que ele é de esquerda.

Então por que todos pensam que o PSDB é de direita? Graças ao PT e aos demais partidos da esquerda e extrema esquerda, que de tanto chamar o PSDB de partido de direita, numa tentativa de afrontá-lo e de fazer medo na população, terminou convencendo todo mundo de que isso é verdade. É como diz o ditado: uma mentira contada várias vezes se torna verdade.

Para o PT e demais partidos de esquerda, o PSDB pode ser considerado de direita, porque ele está mais ao centro do que os outros. Ele é um pouco mais flexível que os outros, mas ainda assim é de esquerda, e defende ideologias de esquerda.

Sobre o medo da direta que a esquerda colocou na população, é uma prova de como a esquerda manipula os nossos pensamentos até hoje. Eles sempre falam em privatização num tom de alerta e de medo, num tom de que isso é algo muito ruim, e as pessoas acreditam, mesmo já tendo vivenciado o contrário. Todas as privatizações que aconteceram no passado trouxeram mais benefícios do que problemas, e se mesmo assim reclamamos dos serviços hoje, é bom saber que antes eles eram muito piores, e poderiam continuar sendo ruins se ainda tivessem nas mãos do governo. Sem contar que a privatização dá mais liberdade, opções e democracia ao povo. O exemplo clássico é a privatização da telefonia. Hoje todos podem ter um celular (ou vários) facilmente. Isso não seria possível sem a privatização, onde antes, só os ricos podiam ter uma linha de telefone fixo (e ainda tinham que ficar numa longa fila de espera). Então, não existe o porquê de ter medo. A esquerda que coloca esse medo nas nossas cabeças e nos faz acreditar nelas. Ela nos manipula. É a mesma coisa que aconteceu nas últimas eleições presidenciais, de 2014: o PT na maior cara de pau dizia nos seus programas políticos da televisão que se o PSDB ganhasse, o Bolsa Família e outros benefícios sociais deixariam de existir. Não existe outra palavra para isso a não ser manipulação. É a forma mais baixa e nojenta de conseguir votos das pessoas e de se manterem no poder para continuar levando adiante os seus ideais de dominância do Estado, que fica cada vez mais inchado.

Voltando ao ponto de início, quando descobri que o PSDB não era de direita me perguntei: “Então quem é de direita? Quais são os verdadeiros partidos de direita e o que eles defendem?”. Foi pesquisando isso que achei uma série de 4 artigos do blog Direitas Já que explica o que seria um bom governo de direita. Ele fala o que um bom governo de direita faria (destacando o “bom”, porque não quer dizer que só porque a pessoa se diz de direita ou está num partido de direita que fará um bom governo), e assim dá para entender e ter um panorama geral sobre quais são os ideais dos políticos de direita e no que eles acreditam. Se você também tem essa dúvida recomendo que leia os posts, que são esses dos links abaixo:

As ideias são realmente boas, mas ninguém dá valor. Ideias como a privatização das estatais, privatização de presídios, bolsas de estudo para bons alunos em escolas particulares para diminuir a abrangência do Estado na educação pública são algumas das ideias que mais achei interessantes. Claro que tudo isso é só teoria, e na prática nem tudo funcionaria tão bem assim. Não concordo com todas as propostas faladas nesses posts, da mesma forma que também não concordo com tudo da esquerda, mas também acho que muitas ideias de esquerda são boas. É por isso que me considero centrista, porque concordo com ideias dos dois lados. Dá para unir o que cada um tem de melhor para fazer um bom governo, sem extremos de nenhum dos lados.

O problema é que poucas pessoas conhecem a verdadeira direita e suas propostas. Quando descobri que o PSDB era de esquerda percebi que não conhecia a direita de verdade, e infelizmente essa é a situação da grande maioria dos brasileiros. Percebi que estamos doutrinados e acostumados com a esquerda, apenas mudando o partido e o representante. É por isso que acho que se os brasileiros ouvissem as propostas da verdadeira direita, eles achariam estranho e não aceitariam bem, porque já estão muito acostumados com a esquerda. Como já falado, ninguém aceita bem a privatização, por exemplo, porque a esquerda já colocou na cabeça de todo mundo que é algo ruim. Isso também acontece com outras propostas da direita.

Em recente pesquisa do Ibope, de dezembro de 2016, foi constatado que o brasileiro está mais conservador. Mas isso se refere à comportamentos e questões sociais, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e redução da maioridade penal. Quando se refere a economia, os brasileiros estão bem mais alinhados à esquerda. O motivo, além da manipulação, é que no Brasil não existe uma grande representatividade de direita. Depois de ter lido a série “Como seria um bom governo de direita?” dos links acima, fui pesquisar quais eram os partidos de direita, e para a minha decepção, não existe nenhum grande partido de direita que possa rivalizar cara a cara com os grandes partidos de esquerda como PT e PSDB (claro, porque se existisse nós conheceríamos). Todos os partidos que se declaram de direita, ou os que não se declaram, mas que tem as ideologias de direita, são partidos pequenos e de pouca expressividade. O partido que tem maior expressividade, e ainda assim é um partido pequeno, é o PSC.

Falando sobre o PSC, em 2010 ele não teve um candidato a presidência e apoiou a chapa de Dilma. Em 2014 tiveram um candidato próprio, que foi o Pr. Everaldo, que se mostrou bem despreparado e pouco aprofundado nas questões políticas (além de já ser desprezado por natureza pelos outros candidatos em debates por ser um candidato menor). Então quer dizer, o maior partido de direita que temos não nos apresenta um bom candidato, e quando não apresenta, apoia a esquerda (sinceramente, antes apoiasse o PSDB do que o PT, que está mais à esquerda). Nas eleições municipais de 2016 o PSC se juntou com partidos de esquerda em diversos municípios de alguns estados. É até por causa dessas alianças que Bolsonaro vai sair do PSC e está procurando outro partido para se filiar, porque ele não aceita que seu partido de direita faça coligações com partidos de esquerda. E sim, isso é mesmo muito contraditório, e isso prova que a direita não existe no Brasil. Me diga, quando foi a última vez que vimos algum político de direita defender os seus ideais? Quando foi que vimos políticos de direita lutarem por aquilo que acreditam? Eu não me lembro. Os partidos de direita não se unem para formar uma força contra os partidos de esquerda. Ao invés disso eles se unem à esquerda para satisfazer os seus próprios interesses. Isso é jogo político, e que existe dos dois lados, esquerda e direita. A “direita” sabendo que não tem força no Brasil, não quer se sustentar em si só, e por isso procura apoio na esquerda. Além disso, perceba mais uma coisa, caro leitor: os direitistas brasileiros geralmente só defendem o conservadorismo social, e isso é só o que vemos eles falando contra e se pronunciando. Mas quando se trata de economia e outras questões políticas ninguém fala mais nada, aceitando tudo o que a esquerda propõe, ou então não tendo coragem de defender abertamente o que pensam ou não apresentando tanta profundidade. É mais confortável assim, até porque depois fica mais fácil pegar apoio para conseguir eleger mais candidatos nas eleições. E isso não é algo exclusivo do PSC, mas também de outros partidos de “direita” (mesmo aquelas que não se consideram de direita), como o PP, PR e PRB que apoiaram Dilma em 2014 (o PR e o PRB também apoiaram em 2010).

Temos também o DEM, que tem algumas ideologias de direita e foi oposição ao PT, mas ele mesmo não se considera de direita por medo do peso negativo que essa palavra pode trazer. Ele se considera centrista, e ainda diz que tem pessoas de seu partido que estão mais à direta e outros que estão mais à esquerda. Esse é outro problema dos partidos de “direita” no Brasil: eles têm medo de se assumir assim, parte por medo do negativismo da palavra, e parte para ter a facilidade de se aliar à esquerda quando lhe for conveniente.

O negócio é que se Bolsonaro estiver procurando um partido de direita de verdade que nunca tenha feito coligação ou apoiado um partido de esquerda, deveria não se candidatar à presidência em 2018, porque esse partido não existe.

Além de não existir um partido de direita forte para defender os seus princípios, também não existe um político de direita forte. Quer dizer, hoje temos Bolsonaro, que diz que quer ser candidato em 2018, e eu vejo muita gente lhe apoiando, mas a única coisa que eu vejo ele fazendo é polêmica, e em todas as entrevistas que ele dá na televisão é só se defendendo dessas polêmicas e fazendo outros comentários que até fogem da pergunta inicial do entrevistador. Sinceramente, acho ele fraco e acho que ele não está preparado para isso. Também acho que ele não representa bem os ideais da direita. Se daqui para lá ele mudar e apresentar bons planos para o Brasil e que represente a direita eu até posso mudar de ideia quanto a ele. Mas se não, ele é só mais um candidato que estará nos debates para cutucar os maiores e não dar contribuição real nenhuma. O perigo é ele ter chances reais de ganhar estando apenas nessa situação de polêmicas e sem um plano forte e bem definido de como seria o seu governo.

Pior é que eu sempre vejo gente apoiando ele, pelo menos por enquanto, então acho que ele tem chances de no mínimo ser bem votado e incomodar os maiores candidatos. Se ele pode ganhar? Poder pode, ainda mais no atual momento, em que estamos vivenciando uma tendência nacionalista no mundo, onde os povos estão pensando cada vez mais no seu próprio país, nos seus próprios interesses, e menos em outras questões externas. Temos como exemplo a eleição de Mauricio Macri na Argentina (que é de direita), o Brexit, a eleição de Trump, o plesbicito da Colômbia que disse “não” ao fim da guerra com as FARC. Se essa onda conservadora e nacionalista chegar aqui (e de certa forma já está chegando com todo esse apoio a Bolsonaro), e se vier com essa força que está tendo nesses outros países, não é impossível Bolsonaro ser eleito. Seria bom um governo de direita no comando do país para trazer novos ares e ver se conseguem dar jeito à questões que a esquerda não está conseguindo. Mas eu falo de um bom governo de direita, bem planejado e bem fundamentado, e não sei de Bolsonaro se enquadra nisso.

Enfim, nós não temos muitas opções. A esquerda domina os partidos e os políticos, e a direita existe só de nome, mas não atua, não é presente, não faz diferença, não tem força. E ainda se alia à esquerda quando lhe convém. A direita no Brasil não existe, infelizmente, porque isso quer dizer que estaremos sempre reféns de apenas um estilo e uma forma de governo, mudando apenas os partidos. Tudo bem que cada partido pensa diferente, mas uma diferença grande mesmo seria com um governo de direita de verdade.

A verdadeira direita, que não conhecemos, ou: Não existe direita de verdade no Brasil

Comentários sobre a pesquisa da Datafolha para as eleições de 2018

Hoje foi divulgado pela Datafolha uma pesquisa sobre as Eleições 2018 com os possíveis candidatos a presidente. O resultado, que foi manchete de todos os sites de notícia, não me surpreendeu: Marina Silva liderou nas intenções de voto no 2º turno. Marina liderar não é nenhuma novidade, porque isso aconteceu nas eleições passadas, mas depois ela começou a cair. Eu gosto de Marina porque ela tem boas ideias, mas ela não se mostra segura para defendê-las. Você percebe isso nos debates. Sempre que confrontada ela responde com outra coisa que não tem nada a ver, o que termina dando a impressão de candidata fraca e insegura. Sem contar os programas políticos dos outros candidatos, que inventam muitas coisas e ela não sabe reagir.

Agora ela pode estar ganhando, porque é sempre assim, Marina é o nome alternativo que as pessoas mais se lembram na pior hora, mas na hora de votar, voltam a serem enganados pelos programas políticos do PT e PSDB. E o seu desempenho nos debates também não ajuda, como disse acima.

Outra coisa que a pesquisa diz é que 62% dos entrevistados dizem querer novas eleições para escolher um novo presidente. Mas aí eu pergunto: para quê? Para serem enganados de novo e votarem nos mesmos candidatos? Tanto é que, apesar de Marina ganhar nas intenções do 2º turno, Lula ganha em todas no 1º turno. Apesar de tanta roubalheira, de tanto escândalo, e dele já ser réu em algumas investigações, ainda tem gente que votaria nele. É para isso que o povo quer que Temer renuncie (ah, sonhem!)? É para isso que o povo prefere que sejam convocadas novas eleições gerais?

É por causa disso, que às vezes penso que se Temer cair por qualquer motivo que seja, que o próximo presidente seja escolhido numa eleição indireta, porque se depender do povo, a gente não sai da mesmice e do erro. Poderá vir Lula, que querendo ou não foi um bom presidente na sua época, e até melhorar alguma coisa agora (para dizer: “olhem, fui eu que melhorei!”), mas depois que passar o seu governo poderão vir novos escândalos de corrupção. Se ele já fez uma vez, o que garante que ele não fará novamente? E se não for Lula, poderá ser Aécio, que também tem boas ideias, mas que já foi citado várias vezes por delatores da Lava-Jato.

Se é para vir alguém corrupto (todos os políticos são, não tem para onde correr), que pelo menos venha alguém diferente. Pelo menos o Congresso poderá votar com mais consciência e usar mais a cabeça na hora de eleger alguém, diferente do povo, que quer eleger um novo presidente, esperando que milagrosamente tudo mude da noite para o dia, e ainda por cima, votando nas mesmas pessoas de sempre.

Comentários sobre a pesquisa da Datafolha para as eleições de 2018

A vitória de Trump e o sentimento de superioridade americano

trump

Ainda ontem quando vi os primeiros resultados das eleições dos Estados Unidos já estava me surpreendendo:

E hoje de manhã, o que já estava sendo esperado no começo daquelas contagens de votos se confirmou: Trump ganhou as eleições e será o novo presidente dos Estados Unidos. A primeira reação é de surpresa porque todas as pesquisas apontavam que Hillary iria ser a vencedora, mesmo que com uma pequena diferença de Trump. Eu não pude acreditar em como um cara que é tão preconceituoso pôde ter ganhado as eleições. Eu não entendi como que um cara que inferioriza os latinos e superioriza os americanos, e que fala das mulheres e lhes trata como um dos seus bens pode ter ganhado a simpatia de uma parcela significativa do eleitorado americano. Dentre as tantas polêmicas e propostas de Trump estão:

E tem muito mais. Nesse link você pode ver as suas principais propostas e comparar com as de Hillary Clinton. Dá para ver como eles são o total oposto um do outro, e como as ideias de Trump são absurdas. Dá para ver que Hillary tinha uma ideia de política mais amigável e moralmente correta. Mas então porque Trump ganhou?

Alguns analistas dizem que Trump deu voz às pessoas de classe média alta e baixa.  Ele falou o que o povo pensa, mas não fala, o que o povo sente, mas talvez reprima. Ele os representou. Falou o que as pessoas pensavam, e o que desejavam para si: que os Estados Unidos voltasse a ser forte, tanto economicamente, quanto nos poderes militares. Que os Estados Unidos se valorizasse mais e valorizasse primeiro o seu povo.

E então tudo faz sentido: sabemos que os americanos têm um sentimento de superioridade sobre o resto do mundo. Já vi gente que fez intercâmbio lá, ou que morou lá dizer isso. Eles só veem a si mesmo e não ligam para os outros países. E com “eles” eu não estou falando dos políticos, e sim do povo, das pessoas comuns. Eu já vi um americano que morou aqui no Brasil dizer isso no YouTube (Brian, do canal Gringos no Brasil). Claro que sempre há exceções, mas isso mostra uma verdade, que é como os americanos se enxergam e como enxergam o resto do mundo. Julia Jolie, em seu canal do YouTube, já disse uma vez que uma das coisas que ela não gostou no seu intercâmbio nos Estados Unidos é que lá eles sempre se dividem em grupinhos e quando se referem a alguém sempre falam da sua cor de pele: “ah, aquela menina negra”, “aquela branca”, etc. Essa cultura do povo americano, somado à sua grande competitividade e alto bullying nas escolas são coisas que não gosto nos EUA, e que me fazem não querer fazer um intercâmbio lá, e é por isso eu prefiro outros países falantes de língua inglesa (mas para visitar como turista eu iria, tranquilo).

E então surgiu Trump, um candidato sem papas na língua que fala o que pensa e não tem medo de polêmica e suas consequências. Ele é extremamente competitivo e gosta de ganhar, e apesar de já ter nascido numa família rica, construiu a sua riqueza a partir de US$ 1 milhão que seu pai lhe deu depois que ele se formou na faculdade. E na campanha ele disse tudo o que o povo americano pensa e gosta de ouvir: que eles são a maior economia mundial, que eles precisam rever os acordos comerciais porque só os outros países é que estão se beneficiando, que os EUA têm que demonstrar poder, que os americanos têm prioridade nos empregos… Apesar de estarmos em tempos tão modernos, parece que os americanos não aprenderam a se acostumar com a variedade de pessoas e etnias, e ainda existe preconceitos enraizados em sua cultura, mas que são reprimidos para o bem da sociedade atual e moderna. Bastou uma cutucada de Trump para que isso se mostrasse verdade. E um repórter da Globo confirmou esse sentimento de superioridade dos eleitores de Trump quando presenciou a comemoração deles. Quando você pensa dessa forma percebe que Trump ter vencido as eleições não foi uma surpresa tão grande assim.

Se você comparar todo esse sentimento de superioridade e tudo o que Trump diz e representa, podemos ver que estamos diante de um novo Hitler, com a diferença de que Trump não será um ditador. Vejamos:

Hitler dizia que os arianos eram superiores às outras raças, que eram considerados mestiços. Trump insinua a superioridade americana, com as críticas aos latinos e estrangeiros que roubam empregos dos americanos, com as críticas e ofensas aos imigrantes ilegais (como chamá-los de estupradores), e quando diz que os EUA tem que ser grande novamente, sem precisar dos outros países e sem ajudá-los.
Os mestiços e judeus foram excluídos da sociedade, sendo obrigados a trabalhar como empregados dos ricos ou sendo colocados em campos de concentração. Trump quer que os americanos tenham prioridade nos empregos do país. Se isso for feito, o que sobrar para os estrangeiros serão empregos menores, que talvez não correspondam aos seus graus de estudo e experiência. Os imigrantes ilegais serão expulsos.
Hitler mudou a política interna e externa da Alemanha. Trump quer rever todos os acordos de livre comércio que têm com outros países.

Eu fico imaginando como que Trump criou os seus filhos. Preconceituoso e racista do jeito que ele é, você espera o pior. Se ele tem coragem de falar tantas barbaridades publicamente, imagine o que não diz aos seus filhos! Imagino coisas do tipo: “nós americanos somos superiores ao resto do mundo, somos a maior economia mundial, não temos obrigação de ficar ajudando ninguém, e muito pelo contrário, temos que ditar as regras, porque temos poder para isso. Temos que mostrar que não precisamos de ninguém e que podemos mesmo assim ter uma economia forte. Temos que mostrar o nosso armamento para que todos tenham medo de nós. Os latinos são ladrões de empregos, não dá para confiar nessa gente. Os mexicanos que chegam aqui ilegais são bandidos que estupram nosso povo, tenho nojo deles. Eles são os responsáveis pelas criminalidades do nosso país. As mulheres são um fardo quando estão grávidas, não merecem tratamento especial por isso. Aprenda comigo filho, tudo o que estou dizendo é verdade.”

E o que acontecerá no futuro? Bem, isso ninguém sabe. Todos concordam que Trump é imprevisível. A maioria dos analistas políticos defendem que no Brasil e no mundo não devem ser sentidas grandes mudanças, porque Trump deverá focar seu governo no próprio Estados Unidos, com a missão de fortalecer a economia. Eles ainda dizem que é bem difícil ele cumprir tudo o que prometeu com suas polêmicas, e que isso já pode ser sentido no seu discurso depois do resultado dos votos, que foi mais moderado. Isso faz sentido porque um presidente não governa sozinho, e mesmo ele tendo a maioria no parlamento, talvez algumas de suas ideias absurdas não sejam aprovadas, caso ele tente ir para frente. Os analistas ainda dizem que não é a primeira vez que um candidato fala muitas coisas na campanha só para chamar a atenção do povo, mas depois não cumpre. Isso também faz sentido. Talvez Trump pense mesmo tudo isso, mas apenas falou e polemizou para chamar a atenção do povo e ganhar as eleições, mas que depois de ganho ele foque na economia interna do país. Isso é um pouco aliviante, mas só saberemos com certeza quando ele começar a governar. São suas atitudes e em quais projetos ele terá foco que determinará o caminho que ele seguirá no seu governo. Se for o do fortalecimento da economia interna, ótimo, bom pros americanos, e ao mesmo tempo bom para o mundo, que não vai ver grandes mudanças no cenário mundial por causa dos Estados Unidos.

A vitória de Trump e o sentimento de superioridade americano

O povo é corrupto

Cansei de ver gente entrando no ônibus pela porta de trás quando tem alguém descendo. Todo mundo vê, ninguém fala nada. Mas quem é louco de falar alguma coisa? Esses dias, quando estava indo para a faculdade, dois caras que estavam na minha frente passaram o cartão da passagem, e foram passar os dois de uma vez só na catraca. O cobrador colocou o pé na catraca para impedir eles de passarem, e eles discutiram. O motorista também reclamou, mas no fim de tudo eles passaram desse jeito mesmo, os dois de uma vez e com uma só passagem.

Depois o povo vai para as ruas protestar contra a corrupção e para chamar os políticos de ladrões. Corrupto e ladrão é o povo em si. Os políticos podem roubar numa escala muito maior do que as pessoas comuns, mas entrar pela porta de trás do ônibus ou passar duas pessoas com uma passagem só não deixa de ser um roubo.

Infelizmente é uma coisa que parece estar entranhada na cultura brasileira, essa forma de pensar e agir, de sempre querer tirar vantagem. E como os políticos fazem parte do povo, não é de se surpreender que eles sejam ladrões. Os políticos só serão melhores quando o povo for melhor, quando o povo tiver uma consciência de fazer o certo e não querer levar vantagem. Desse povo correto surgirão políticos melhores.

O povo é corrupto

O impeachment é a solução para os nossos problemas?

Sinceramente, não tô muito confiante de como o Brasil vai ficar se houver o impeachment definitivamente (porque por enquanto ele foi aprovado apenas da Câmara dos Deputados). Continuo com a opinião de que o impeachment é só um jogo político de interesse e poder, e que ele não vai melhorar em nada a crise política e econômica do Brasil.

Temer, por exemplo, na hora boa estava lá ao lado de Dilma, mas quando a situação ficou ruim, ele já cuidou de se desvincular da imagem de Dilma e do PT. No começo disfarçava, dizia que era contra o impeachment, mas depois que o PMDB rompeu com o governo, decidiu revelar publicamente que está contra Dilma e o PT. Tudo isso porque ele está vendo a possibilidade de Dilma sair da presidência e de ele chegar ao poder. Quanta falsidade! Por isso que Dilma disse em seu discurso do dia 18 que em qualquer outro país democrático do mundo ele não seria respeitado.

Ainda não pesquisei a fundo sobre os crimes de responsabilidade que estão alegando Dilma de ter cometido para ter uma opinião específica sobre isso, mas independente dela ser culpada ou não, tá na cara que o que o PMDB e PSDB querem é que ela saia do poder para eles governarem. No caso do PSDB nem tanto, mas ele daria o apoio ao PMDB, e isso já está em negociação. Tá na cara que o maior motivo da maioria dos políticos quererem a saída da presidente é por seus interesse e de seus partidos.

Correção: Cunha não vira vice, ele apenas pode substituir Temer em caso da ausência dele, como numa viagem, por exemplo.

Teve deputado que votou pela posição do seu partido, mesmo discordando, com o medo de ser expulso dele. Como eu disse, eles votaram pelos seus interesses e de seus partidos, não pelo interesse do bem do nosso país. E 99% deles estavam ali querendo fazer discursos, querendo aparecer na televisão em rede nacional aproveitando para mandar beijos para a família, justificar falta de outros deputados, enganar os otários eleitores para dizer que se importam com eles. Aquela votação foi uma bagunça.

Mesmo se Dilma for culpada, acontecerá um golpe feito por Temer e Cunha, que é um golpe moral. Mesmo se Dilma for culpada, deu para ver claramente na votação que o interesse dos políticos pelo impeachment não era pelo crime de responsabilidade. Eles nem se quer citavam isso nas “justificativas” de seus votos.

Mas o pior de tudo, o pior mesmo, é como a imprensa internacional está enxergando essa situação toda. Basta uma rápida pesquisa para você ver que todos eles veem com maus olhos, mesmo sendo um processo legal e não simplesmente um golpe em que tiraram a presidente do poder à força. Já tem até um comentário que o Brasil pode ser suspenso temporariamente do Mercosul se o impeachment se concretizar. O que tudo isso quer dizer, é que se Temer assumir o poder, a imagem do Brasil lá fora poderá ser ainda mais prejudicada (porque prejudicada agora já está), fechar as portas para nós e deixar a crise ainda pior. Mesmo que Temer esteja preparando estratégias para isso, ninguém sabe se dará certo.

E por fim, acho que com Temer nada iria mudar. Continuaríamos na mesma situação política e econômica, e só teríamos passado por esse vexame todo nacional e internacionalmente. Poderíamos até mesmo ser prejudicados por isso, mesmo que à curto prazo. Quero ter esperanças de que um possível governo de Temer seja bom, de que ele mude as coisas e elas voltem a andar, mas fazer isso não é tão simples quanto falar.

O impeachment é a solução para os nossos problemas?