Programas de auditório da TV aberta estão em decadência

Hoje em dia a TV aberta é uma lástima em relação à programas de auditório e programas infantis (os que sobraram). Em relação aos programas de auditório, eles estão numa defasagem tão grande, que não me acho exagerado ao pensar que esse gênero está em decadência na TV aberta.

O que se vê nos últimos anos é um comodismo dos produtores, diretores e apresentadores em produzir novos conteúdos, e coisas que realmente entretam.

O caso de Eliana

Lembro que na época que Eliana fazia o Tudo é Possível eu assistia todos os domingos, porque o programa era muito bom. Depois que ela mudou para o SBT, passou por uma fase ruim, da qual o programa era muito feminino, na época que era dirigido por Leonor Correa. Depois que Ariel assumiu a direção, o programa ganhou novos ares. Voltou a ser um programa para a família, tinha novos quadros com constância e o revezamento entre eles era muito bom. Mas com um tempo as novidades pararam, o programa passou a ter quadros muito repetitivos, que eram os mesmos de sempre, que outrora eram as novidades e eram divertidos de assistir. Agora os programas chegavam a ter 3 quadros por programa, que tem 4 horas de duração. Isso não só deixou o programa repetitivo quanto também cansativo. Cito Eliana aqui, porque eu era fã dela desde criança, e lhe acompanhei até esse momento ao qual me refiro. Depois disso enjoei do programa e deixei de assistir, até hoje. De lá para cá a quantidade de vezes que parei para ver Eliana foram pouquíssimas, e geralmente por causa de algum quadro ou externa específica. Quando o programa Eliana ganha algum quadro novo, ele é de assistencialismo, para tentar pegar o público da Record.

Mas isso não é exclusividade de Eliana. O Domingo Legal, que eu já falei aqui há anos atrás, também está acabado, o Programa Raul Gil é a mesmice de sempre independente da emissora em que se encontra, e o Programa Silvio Santos, que já foi um ótimo e divertido programa para assistir em família, agora é uma vergonha alheia.

O caso de Silvio Santos

Aliás, falando em Silvio Santos, que é tão endeusado por fãs e outros artistas, devo dizer que ele está mesmo é perdendo a cabeça. Já faz anos que não acompanho o seu programa, porque ele passou a fazer piadas cada vez mais picantes e de teor sexual e piadas que ofendem a religião das pessoas. O Jogo dos Pontinhos, que era ótimo no começo, passou a ser um quadro de safadezas, só com piadas de duplo sentido, muitas vezes ditas abertamente, sem nenhum pudor. Aquilo é uma pornografia. Silvio, que viu que suas piadas estavam fazendo as pessoas rirem e viu que estavam sendo toleradas, foi abaixando o nível cada vez mais. Acha que só porque é idoso, é dono de uma emissora e chefe de vários funcionários, que pode falar o que quiser que todos deverão aceitar calados porque ele é o chefe. Com isso eu já vi ele ofendendo mulheres gordas (uma modelo plus size) e negras (ele falou mal do cabelo da atriz que faz Pata, de Chiquititas), e isso no palco do Teleton, que deveria ser o maior lugar de respeito às diferenças! Fora as “piadas” que ele sempre faz no seu programa, que ofende diversas pessoas, estejam elas no palco ou em casa. Mas ninguém está nem aí só porque ele é Silvio Santos, como se isso por si só pudesse lhe trazer alguma imunidade.

Recentemente veio a tona a polêmica envolvendo a participação de Maisa e Dudu Camargo no Programa Silvio Santos, que rendeu a semana inteira (e ainda rende). Enquanto as pessoas se dividiam entre achar Maisa grossa ou dizer que ela reagiu bem, e outras em rechaçar Dudu Camargo, não vi ninguém falar mal de Silvio Santos, que foi quem começou aquela “brincadeira”. Desde o momento que Silvio falou que levou os dois ali por estarem solteiros, já deu para ver que Maisa não gostou e a partir daí ficou visivelmente desconfortável e constrangida. Ela ainda tentou sorrir e parecer natural em alguns momentos, tentando manter a calma, mas a situação estava ruim e Silvio não deixava de forçar a barra. Depois o próprio Dudu resolveu entrar na “brincadeira”, o que só fez pesar ainda mais o clima. Eles não conhecem o que é limite.

Não estou defendo Dudu, só para deixar claro. Ele é muito inconveniente e fala merda o tempo todo e em todo o lugar. Mas como eu disse, ninguém falou mal de Silvio. Sabe o que é que aconteceu agora? Silvio chamou os dois de novo para gravar juntos, e dessa vez Maisa não aguentou e deixou o palco. Silvio Santos só quer mídia. Ele, assim como Dudu Camargo, é do tipo: “falem bem ou mal, mas falem de mim”. O problema é que eles estão envolvendo outra pessoa nesse seu joguinho de procura pela fama rápida. O negócio foi forte ao ponto de cortarem essa parte do programa, que não será exibido. Se fosse ao ar, com certeza Dudu Camargo seria mais uma vez amplamente criticado e pisado (mas ele gosta mesmo assim, porque ganha mais mídia), porque provavelmente deveria ter se comportado mal de novo, mas ninguém se ligaria que se Silvio não tivesse chamado eles dois de novo, eles não precisariam passar por isso novamente. Mas Silvio, que não quer saber de nada, a não ser fazer e falar o que quer porque é o dono e o chefe, vai lá manda chamar os dois e pronto. Isso é sensacionalismo, é desrespeito às pessoas, é imoral. É um nojo. Mas os endeusadores de Silvio custam a admitir isso. Descontam toda a sua raiva em Dudu Camargo, que sim, merece tal tratamento, mas se esquecem que o pivô de tudo é Silvio Santos, que está num nível cada vez mais baixo.

O caso dos programas da Record

Os programas de auditório da Record não são melhores que os do SBT. Na Record todos os programas seguem a receita básica do sensacionalismo e do choro. E o pior é que dá audiência, e é por isso que eles continuam fazendo. É incrível como além de esticar uma reportagem de assistencialismo ao máximo, eles sempre têm que colocar uma trilha sonora de fundo que induza o telespectador ao choro, sempre deixam os finais de frases e finais de cenas em preto e branco e em câmera lenta, principalmente quando a pessoa está chorando, para passar a emoção ao telespectador. Tudo bem que ali exstem pessoas que estão sendo ajudadas, mas a forma que eles fazem isso é realmente deprimente, mostrando o seu desespero pela audiência. Parece que eles não ajudam porque querem ou porque gostam, e sim porque aquilo dá audiência, e por isso fazem aquela edição porca, que faz uma simples reportagem durar uma hora ou mais, e então seguram a audiência dessa forma. Em outras palavras, eles ganham em cima da desgraça alheia. Isso é muito baixo. No dia que esse tipo de pauta deixar de dar audiência, quero ver um artista ou emissora de televisão continuar ajudando essas pessoas que precisam. Pior é que o SBT também vem colocado emoção e assistencialismo nos seus programas, numa tentativa frustrada de pegar público da Record. O SBT não faz uma edição tão sensacionalista quanto a da Record, mas também estica ao máximo um quadro desse tipo.

Os programas da Globo

Não acompanho os programas de auditório da Globo, de um modo geral. Não gosto de Faustão e nem de Amor e Sexo. Assisto e gosto do Encontro, mas não sei se posso considerá-lo um programa na categoria “programa de auditório”. Nas últimas semanas dei uma olhada no Caldeirão do Huck. Faz tempo, muito tempo, que eu queria tirar um sábado para ver esse programa, mas nunca tinha coragem, porque programas de auditório em si já me desestimulam (prefiro programas mais curtos, de no máximo 1 hora, e preferencialmente de formato fechado). Voltando ao Caldeirão do Huck, assisti algumas semanas do programa, vi diferentes quadros e gostei do que vi. É um programa muito decente, e tem só 2h30min de duração. Lá tem assistencialismo, mas não tem sensacionalismo. A reportagem mostra apenas o que tem que mostrar. Nada de chororô ou de edição que fique contemplando isso. É um programa em que pessoas são ajudadas, mas as vemos felizes. É um programa em que seus quadros de assistencialismo fazem o que têm que fazer e ponto. Esse é um ótimo exemplo de programa, onde é mostrado que dá para fazer assistencialismo sem forçar a barra. E Luciano Huck, que vejo muita gente dizendo ser um apresentador ruim, acho um bom apresentador, tanto no palco quanto nas externas. O programa dele sempre tem reportagens legais e ele não é aquele tipo de apresentador metido que quase nunca sai para a rua, mesmo estando na Globo, que em teoria, é a emissora menos populista de todas. Tudo isso me fez gostar do Caldeirão e de Luciano Huck. Ele e sua equipe fazem um programa de qualidade. E está aí, mais uma vez, um ótimo exemplo de que é possível fazer um programa de auditório curto e de qualidade, já que os fãs do SBT teimam em dizer que o motivo do fracasso do Domingo Legal é a sua duração pequena (eles se esquecem que o Domingo Legal já era 3º lugar desde a estreia do Domingo Show, da Record). Na Globo nenhum programa, seja ele de qual tipo for, tem mais de 3 horas, e todos são bem feitos, seja tecnicamente ou em relação a conteúdos (ou as duas coisas). Então sim, é possível.

Mesmo assim, o Caldeirão do Huck é apenas um programa que considero bom dentre tantas emissoras e tantas programações. Outro programa que eu poderia dizer que se salva é o Programa da Sabrina, mais por causa das externas do que dos quadros feitos no palco, e mesmo ela não sendo lá essa coisa toda como apresentadora. Agora são dois, mas é só (e mesmo assim eu não os acompanho).

Há décadas atrás, os programas de auditório eram mais comuns. Tinham mais conteúdos, maiores duração, mais variedades. Com o passar do tempo tudo isso foi diminuindo e se acabando. Os atuais programas que continuam no ar estão por insistência das emissoras, porque nos dias de hoje, não conheço mais ninguém que se sente no sofá para assistir um programa de auditório inteiro. Programas de 4h atualmente são considerados grandes demais, numa época em que tudo é cada vez mais veloz e prático, e ninguém tem mais paciência para assistir grandes programas. É por isso que vemos a Band, SBT e Record apostando cada vez mais em realities, porque são formatos fechados, programas sobre uma coisa só, com duração mais curta, e que dá para chamar atenção de um público específico para assistir. Mas os programas de auditório continuam, por insistência das emissoras, como eu disse, seja por motivo de conseguirem a audiência desejada por pior que o conteúdo seja, seja pelo faturamento ou pela falta de coisas melhores para colocar no lugar (ou as três coisas juntas). Mas não sei até quando isso vai durar. Olhando o histórico dos programas de auditório das últimas décadas até hoje vemos a sua decadência. Hoje a decadência não é só da quantidade dos programas e da sua duração no ar, mas também a decadência moral dos conteúdos, que é de passar vergonha ou tédio.

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Programas de auditório da TV aberta estão em decadência

As mudanças dos sábados da Record e SBT para 2017

Já faz muito tempo que eu não escrevo sobre televisão aqui. Faz 1 ano e 4 meses para ser mais exato. A minha última postagem sobre isso foi sobre as minhas impressões do primeiro programa de Xuxa na Record. O motivo desse afastamento do tema é que de lá para cá as coisas estavam um tanto paradas, e eu não tinha muito o que dizer. Sem contar, que o SBT, emissora a qual eu mais me identificava e acompanhava, só tinha notícias cada vez mais desanimadoras, e foi quando percebi que não valia apena perder tempo criticando e fazendo sugestões para uma emissora que não se leva a sério. Algum comentário ou outro eu fazia pelo meu Twitter mesmo, que é uma coisa mais rápida, simples e resumida. Mas isso mudou do último mês para cá, quando começou a surgir várias notícias de movimentações e mudanças tanto no SBT quanto na Record. As principais mudanças têm a ver com os sábados das duas emissoras, que serão reformulados (ou quase isso). Foram muitas bombas e especulações em pouco tempo. Vou fazer um rápido comentário sobre cada um:

  • SBT não renova contrato com Raul Gil: quando Raul Gil foi para o SBT ele conseguia ficar na vice-liderança. Teve o fator novidade, porque na Band, muita gente nem se lembrava que Raul Gil ainda existia. Colaborou muito também o concurso musical que Jotta A participou, porque ele era tão bom que chamou a atenção do público. Mas depois, na continuação do tempo, o programa passou a ficar em 3º lugar, sempre perdendo para os filmes da Record. O programa de Raul Gil é chato e repetitivo, é sempre daquele jeito, usa sempre a mesma fórmula e se reinventa muito pouco. Eu não gostava mais, e pelo visto muita gente também não. Por mim Raul Gil já teria saído do SBT faz tempo. Engraçado é que muitos SBTistas também queriam que Raul fosse embora, mas quando ele foi demitido ficaram com pena por causa das entrevistas que ele deu dizendo que estava feliz no SBT, e que só sairia se Silvio quisesse (que foi o que aconteceu), e agora eles acham que é um erro a sua demissão. Eles não sabem o que querem.

 

  • Celso Portiolli aos sábados: algumas semanas depois o SBT confirmou que Celso Portiolli ficaria no lugar de Raul Gil, mas ainda não tinha esclarecido como ficaria a questão dos seus dois programas atuais, o Sabadão e o Domingo Legal. Eu achava que o Sabadão apenas iria mudar de horário e ir para as tardes com o seu conteúdo adaptado, mas todos foram pegos de surpresa com a nova notícia:

 

  • Domingo Legal cancelado: o Domingo Legal foi cancelado, assim como o Sabadão. Mas o programa de Celso muito provavelmente vai ser uma colcha de remendos, e vai ter um pouco dos dois. Dizem que estão buscando formatos internacionais, mas não tenho certeza se isso vai se concretizar. Celso Portiolli é muito desvalorizado no SBT, e quando ele assumiu o Domingo Legal pareceu ser o auge da sua carreira. Ele estava bem e sempre na vice, mas por falta de um concorrente. Quando a Record fez o Domingo Show, o Domingo Legal nunca mais foi vice. O negócio é que desde que Celso assumiu o Domingo Legal, que o programa não recebe investimentos. Ele é um programa preguiçoso, que foi mantido no ar pela direção do SBT apenas para faturar, mas você percebe a falta de conteúdo ali. Tinha época que só tinha música e vídeos da internet, outra época era só Afunda ou Boia, outra época só Passa ou Repassa. O Domingo Legal com Celso Portiolli nunca teve a atenção do SBT, e depois que a situação começou a ficar tão feia a ponto do programa marcar 5 pontos, o SBT decide acabar com ele. É engraçado ver que tem gente iludida achando que o novo programa de Celso Portiolli aos sábados poderá ser um recomeço para ele com algo totalmente novo e iniciado do zero. Doce ilusão. Se o SBT não investiu no Domingo Legal, que era um programa tradicional dos seus domingos, quanto mais num programa de sábado, que é um dia mais difícil para conseguir audiência? O que tinha no Domingo Legal e Sabadão é o que vai ter no novo programa. Talvez uma novidade aqui e outra ali, mas nada que poderemos chamar de “programa novo, feito do zero”. E os fãs ainda não gostaram do cancelamento do Domingo Legal, por esse se tratar de uma marca tradicional da TV. Já eu, como disse no Twitter, concordo com a ação. Não defendo o Fantasia no lugar, mas não se pode insistir em algo que não dá mais certo. Seria matar devagar um moribundo.

 

  • Volta do Fantasia: e lá vem mais polêmicas sobre as recentes decisões do SBT. Por enquanto ainda não confirmado oficialmente, mas já dado como certo, é a volta do Fantasia, no lugar do Domingo Legal. Todos dizem que o formato não dará certo porque é antigo para os dias de hoje. Também acho que não vai dar certo, não só pelo Fantasia em si, mas também por causa do Domingo Show. O programa da Record é um sucesso, e é difícil conseguir barrar.

 

  • Xuxa aos sábados: paralelamente a essas notícias do SBT, também saíram notícias sobre as mudanças que a Record planeja, e entre elas está a troca do dia do programa de Xuxa. Os boatos são muitos. Começaram dizendo que o programa dela iria para os sábados à tarde. Agora estão dizendo que ela vai ter dois programas, um aos sábados à tarde e outro nas segundas à noite, com um formato internacional. Xuxa precisa de mudanças urgente, porque ela foi uma contratação cara da Record e até aqui não vem dado o retorno esperado em termos de audiência. Vou falar mais sobre isso na próxima postagem, sobre as mudanças que a Record precisa ter.

 

  • Programa da Sabrina mais cedo, fim do Cidade Alerta aos sábados e novelas da Record aos sábados: essas foram outras notícias que saíram sobre uma suposta mudança da grade de sábado da Record. Sabrina iria para o horário que hoje é do Cidade Alerta, que deixaria de ser exibido aos sábados, e receberia diretamente de Xuxa. Depois, no horário da noite teria as novelas, que passariam a ser exibidas aos sábados também, e o Jornal da Record. Logo depois o Legendários. Essas notícias não ganharam muita força, e quase não se falam mais nelas. O mais certo é só que Xuxa irá para os sábados, porque é disso o que mais se tem falado, mas o resto talvez continue do jeito que está. Mas se mudar seria bom, porque a Record criaria uma grande mais forte. Só não tenho certeza se as novelas aos sábados funcionariam, principalmente se não forem capítulos inéditos. Talvez fosse mais garantido apostar em outro programa de auditório.

E foram essas as principais notícias dos últimos meses sobre televisão. Ano que vem promete ser de muitas mudanças na Record e SBT, principalmente nos sábados, que é o dia que mais vão mexer. Inicialmente eu pensei: numa competição entre Xuxa e Celso Portiolli quem ganha? Acho que Celso Portiolli. Mesmo que o programa dele não tenha nada de novo e seja tudo o que o Domingo Legal já teve, pelo menos ele terá quadros e nos passará uma sensação de conteúdo, enquanto o programa de Xuxa é mais vazio. No Programa do Porchat ela disse que vai fazer mudanças no programa a partir de março, e que ela não gosta do jeito que ele está atualmente. Ela promete mudanças, mas não sabemos exatamente o que virá por aí. Às vezes nem fico animado com esses novos programas dos sábados, porque as emissoras parecem não querer investir muito nesse dia. No caso, quem ganhará, na verdade, vai ser o programa menos pior. Recordistas e SBTistas estão tentando se manter esperançosos sobre os novos programas, mas tenho a sensação de que nenhum dos dois vai ser grande coisa, e que eles serão só mais dois programas para entrar na lista de programas chatos de sábado. Mas vamos ver no que é que tudo isso vai dar.

As mudanças dos sábados da Record e SBT para 2017

Não sei se vou acompanhar Cúmplices de um Resgate

Quando assisti o primeiro capítulo de Carrossel, logo gostei e disse (para mim mesmo): “vou assistir essa novela”. Quando assisti o primeiro capítulo de Chiquititas, também gostei e disse: “vou assistir essa novela”. Mas quando assisti o primeiro capítulo de Cúmplices de um Resgate não tive essa mesma sensação. Mesmo que eu tenha achado ela uma novela com a qualidade melhor que as outras (a diferença de Chiquititas é pouca), e de ter achado os cenários bem feitos, não fiquei com essa vontade toda de acompanhá-la como aconteceu com as anteriores.

Acho que o maior motivo disso é que ela é uma novela cheia de clichês. Você assiste e tem aquela impressão de que já viu aquilo em algum lugar. A história de meninas gêmeas que trocam de lugar já foi muito vista em filmes americanos, e também na novela A Usurpadora, que é bem conhecida do público que costuma assistir a novelas mexicanas.

Tem também os pares românticos óbvios que não estão acontecendo agora, mas que vão acontecer perto do final. Isso aconteceu nos primeiros capítulos de Chiquititas com Beto e Clarita, Carol e Júnior, e Mili e Mosca. Em Cúmplices de um Resgate aconteceu a mesma coisa. A moça que gosta de um rapaz, mas que não diz a ele, porque ele gosta da sua irmã. A mulher que ele gosta, por outro lado, gosta dele apenas como amigo, e já tem outro interesse romântico. Isso parece ser o início básico, mas uma novela atrás da outra com histórias parecidas lhe dá uma sensação enjoativa.

Outro ponto parecido: no Café Boutique tinha Armando, um homem que queria ver o mal da empresa, e que não suportava Júnior. Em Cúmplices de um Resgate tem Safira e Tomas, que também querem prejudicar o dono da empresa, nesse caso, Otávio.

Tem também Regina, que quer prejudicar Isabela, e quer a riqueza de Orlando. Ela é a Carmem dessa novela.

São personagens diferentes, com personalidades diferentes, motivos, objetivos e situações diferentes. Eles têm uma mudança no fundo da história, mas se você olhar bem, ela continua sendo a mesma. É por isso que eu ainda não consegui me animar com essa novela, e é por isso que mesmo depois de ter assistido duas semanas ainda não me decidi se vou acompanhá-la ou não. A única coisa que eu gostei realmente são os animais falando, principalmente Manteguinha. Mas o resto não me animou.

Ainda estou pensando, mas acho bem provável que não vou acompanhar essa novela. Quem sabe a próxima, se for mais original e tiver menos clichês.

Atualização 13/02/2016: 

Não sei se vou acompanhar Cúmplices de um Resgate

Chiquititas foi uma ótima novela, mas que terminou mal

E hoje, 14 de agosto de 2015, acabou Chiquititas, depois de dois anos e um mês de novela, com 545 capítulos.

Eu gostei muito da novela, que além de manter boas histórias infantis educativas, como tínhamos visto em Carrossel, anda trouxe histórias juvenis, com o elenco adolescente e juvenil, e histórias adultas com o elenco adulto. Todo o elenco da novela foi muito bem escolhido. Foram pessoas talentosas. Os atores mirins são bem melhores que os de Carrossel. Os cenários ficaram mais bem feitos, e o investimento na novela foi maior. Eles investiram em novos equipamentos para as filmagens e pós produção e investiram numa cidade cenográfica.

O que eu achei incrível em Chiquititas é a quantidade de vilões. Eles eram muitos, e um pior que o outro. Agora já perto do final descobrimos que o maior vilão da novela é Carmem, maior até que José Ricardo.

Não assisti a versão antiga, mas gostei muito dessa, muito mesmo.

Porém ela também teve defeitos. O SBT querendo como sempre aproveitar o máximo possível de lucro e audiência que um produto pode dar, resolveu esticar a novela. Íris Abravanel disse em entrevista no De Frente com Gabi, na semana da estreia da novela, que o plano era que ela durasse um ano. Esticaram, e seria tudo bem se durasse até um ano e meio. Mas resolveram esticar ainda mais, para acabar em julho. E aí começaram a colocar de dois a três clipes por dia no capítulo para comer tempo, fora os sonhos e lembranças dos personagens. Muitas vezes (muitas mesmo!) essas lembranças eram cenas que tinham passado naquele mesmo dia. Um absurdo. Acham que só porque o público-alvo são as crianças podem abusar dessa forma. Eles sabem que a audiência não cai e por isso fizeram isso. Um verdadeiro desrespeito com o telespectador. Depois acharam pouco os adiamentos e adiaram novamente o final para agosto.

Íris Abravanel tinha escrito uma quantidade de capítulos que não era para dois anos de novela, e os trabalhos já tinham sido concluídos, por isso eles fizeram esse esticamento de clipes e repetições. É mais fácil do que retomar o trabalho, ou acabar a novela no prazo e começar a outra não é? Se não deu tempo de começar os trabalhos da outra novela foi por falta de planejamento. O SBT se mostrou desorganizado e em alguns momentos não foi profissional.

O problema não foi a novela ter durado dois anos, e sim o artifício que eles usaram para isso. Se durante esse tempo todo tivesse histórias inéditas o suficiente para não ter essas repetições e tantos clipes num capítulo só, seria bom.

A enrolação e o esticamento foi tão grande, que nas duas últimas semanas tudo começou a se resolver do nada e sem nenhuma explicação, simplesmente porque estava no final. Isso aconteceu principalmente nessa última semana. O resultado foi histórias cheia de furos. Por exemplo: como Miguel descobriu que Gabi estava internada no hospício? Como Valentina ficou boa do nada? Onde Carmem esteve depois que saiu da cadeia? Qual foi o destino de Armando? Como Matilde conseguiu viajar o mundo sem dinheiro? O que aconteceu com o orfanato depois que Júnior e Carol resolveram adotar todo mundo (já que não tinha mais nenhuma criança para cuidar lá)? Por que a festa de 15 anos de Mili foi no orfanato e não na sua casa? Por que a despedida da boneca Laurinha foi só uma espécie de sonho ou imaginação de Maria? Como Marian fez para ser aceita em outro orfanato? Ela realmente mudou?

E ainda tiveram outros furos na trama que não me lembro agora, mas que me perguntei no momento em que estava assistindo. Perguntas como essas poderiam ter sidos resolvidas se novela focasse nelas, ao invés de outras besteiras. Dessa forma as coisas aconteceriam aos poucos, e os acontecimentos finais fariam mais sentido e não seriam apressados. Isso também faria com que houvesse menos repetições de cenas e clipes.

Não sei se Íris Abravanel e sua equipe deixaram passar esses detalhes porque se trata de uma novela infanto-juvenil e supostamente “as crianças não ligam” ou porque ainda têm que melhorar no seu trabalho. Eu acho que Íris escreve bem, mas desse jeito não tem como defendê-la. Tem que melhorar nesses pontos, porque isso prejudica a qualidade da novela, que começa boa e termina não tão boa assim. A qualidade não é mantida.

Mas como disse, de modo geral eu gostei da novela. Teve ótimos atores, ótimos personagens e ótimas histórias. Só esses últimos meses que estragou um pouco a qualidade do que vinha sido apresentado. Isso aconteceu com Carrossel e também com Chiquititas. E é bem provável que também acontecerá com Cúmplices de um Resgate.

Chiquititas foi uma ótima novela, mas que terminou mal

Celso Portiolli é desprezado pelo SBT mais uma vez

A partir de setembro o SBT fará uma mudança na sua grade dominical: o Domingo Legal vai perder duas horas de duração, e no lugar vai entrar uma programação da Disney. Como prêmio de consolação, Celso ganhará um programa aos sábados à noite, das 22:30h às 00:30h.

E mais uma vez Celso Portiolli é desprezado pelo SBT. Ele sempre serviu como apresentador substituto, ou de pequenos programas, e o ponto algo alto da sua carreira foi há 6 anos, quando ele assumiu o Domingo Legal. Parecia estar tudo bem até aqui, porque agora ele era uma grande estrela do SBT, apresentava um programa tradicional na emissora com mais de 20 anos, e era apresentador de domingo. Mas, mais uma vez o SBT nos surpreendeu com suas loucuras, e é aí que a gente vê que Celso nunca teve o valor que merece dentro do SBT.

Celso é um ótimo apresentador, e desde que assumiu o Domingo Legal, que ninguém tá nem aí para o programa. Ele não recebe investimentos e fica sempre na mesmice. Antes, um bom tempo era ocupado com apresentações musicais, e tinha também o Boia ou Afunda, vídeos de cacetadas e Construindo um Sonho. Hoje, metade do programa (e às vezes quase o programa inteiro) é ocupado pelo Passa ou Repassa. Já dava até para mudar o nome do programa, já que é esse quadro que ocupa a maior parte do tempo. E o pior: sempre com o elenco de Carrossel e Chiquititas. Agora vai vir o pessoal de Cúmplices de um Resgate também.

Eu achava que a falta de investimento era porque ele estava na vice, mas me enganei, porque desde a estreia do Domingo Show, da Record, que o Domingo Legal ficou em 3ª colocação, e mesmo assim continuou da mesma forma.

Eu já disse isso aqui sobre Chiquititas no texto anterior, e vou repetir: o SBT não quer saber se o programa vai desgastar ou não, desde que ele continue dando boa audiência, e esse é também o caso do Domingo Legal, que apesar de ser um programa bem ruim e repetitivo, e de ficar em 3º lugar, dá uma boa audiência.

E mesmo com essa boa audiência, eles vão cortar duas horas do programa, achando que a programação da Disney vai conseguir dar mais. Ela não vai conseguir. Vai dar no máximo o que o DL já dá atualmente.

E o maior medo de todos dos SBTistas é que esse programa novo de Celso aos sábados, não seja um programa tão novo assim, e reaproveite os quadros do Domingo Legal, ficando metade nos sábados, e metade nos domingos. Ou tudo no sábado, e só o Passa ou Repassa nos domingos. Isso seria péssimo, porque teríamos dois programas apresentados por Celso Portiolli em dias seguidos e que não teriam a atenção do SBT. Seriam dois “Domingo Legal” no fim de semana. Dois programas sem atenção da diretoria, dois programas sem investimentos, dois programas com quadros repetitivos. E o ótimo Celso Portiolli, que não merece isso, tendo que estar a frente dos dois programas.

Sério, não dá para entender as “estratégias” do SBT. O pior de tudo, é que apesar de todas as loucuras que eles fazem, e apesar de encher a grade cada vez mais de enlatados e reprises, a audiência não cai. Muito pelo contrário, muitas vezes aumenta, encorajando os diretores a investir mais nesse tipo de programação de fácil retorno de audiência e que não dá muitos gastos, ao invés de produzir conteúdos inéditos. E é justamente por isso que desconfio que os quadros do Domingo Legal serão divididos entre esses dois programas, para eles não gastarem na criação ou compras de novos quadros. Talvez (e estou sendo otimista) eles façam algo novo, para dar aquele ar de inédito no novo programa, mas todo o resto do DL estará lá também.

Celso Portiolli é desprezado pelo SBT mais uma vez

Cúmplices de um Resgate será mais musical que Chiquititas

Em reportagem exibida no SBT Brasil da sexta-feira passada (22), Cúmplices de um Resgate foi caracterizada como uma novela que será mais musical do que Carrossel e Chiquititas. Eu tenho medo de que isso se traduza em ainda mais clipes antes da exibição do capítulo, e no meio dele.

Chiquititas também foi anunciada como uma novela mais musical que Carrossel, já que seus integrantes cantam e dançam, e o resultado que vemos é dois clipes por dia (alguns dias chegaram a três clipes). No começo era exibido apenas um, o que era aceitável, mas depois, começaram a esticar a novela, porque a direção do SBT nem se quer sabia quando ela iria terminar, sendo que os trabalhos das gravações e da roteirização já estavam sendo finalizados.

Infelizmente é isso o que o SBT faz. Aproveita ao máximo o sucesso de audiência de sua programação, explorando-a, não querendo saber o que as pessoas vão achar, ou se vai desgastar o produto, desde que a audiência continue alta. Não é porque a novela é infantil que deve ser cheia de clipes “porque as crianças não ligam”. Mesmo as crianças devem ser respeitadas. Aliás, Chiquititas não é uma novela infantil, e sim infanto-juvenil, e tem muitas histórias com o elenco adulto. Cúmplices de um Resgate terá essa mesma pegada, e por isso o SBT deve respeitar todos os públicos que assiste à novela, não apelando para esse tipo esticamento. Isso se chama falta de profissionalismo e de planejamento.

Cúmplices de um Resgate será mais musical que Chiquititas